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Torcedores iranianos-americanos enfrentam Copa do Mundo conturbada enquanto guerra se intensifica

Comunidade está dividida entre o orgulho pela identidade iraniana e a rejeição aos governantes do país

12 jun 2026 - 09h51
(atualizado às 10h17)
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Seleção do Irã durante treinamento no México
Seleção do Irã durante treinamento no México
Foto: Reprodução/Instagram

Quando o Irã iniciar sua ‌campanha na Copa do Mundo na próxima semana, em Los Angeles, o empresário iraniano-americano Ehsan Shafi estará nas arquibancadas torcendo pelo "Team Melli", uma rara oportunidade de receber a seleção que ele tanto admira em sua terra adotiva.

Em vez de um momento de pura celebração esportiva, porém, a guerra dos Estados Unidos e de Israel ⁠contra o Irã deixou torcedores como Shafi divididos entre a emoção de ver a equipe ‌no maior palco do mundo, a raiva pela repressão de Teerã aos manifestantes e a preocupação de que a campanha de bombardeios de Washington tenha ido ‌longe demais.

Entrevistas da Reuters com torcedores de futebol ‌iraniano-americanos em Los Angeles, lar da maior diáspora iraniana do mundo, juntamente com ⁠uma análise de publicações nas redes sociais, mostram uma comunidade dividida entre o orgulho pela identidade iraniana e a rejeição aos governantes do país, forçando muitos a ponderar se devem assistir, comparecer ou se afastar completamente do torneio.

"Todos os jogadores desejam ter a chance de jogar na Copa do Mundo", disse Shafi, de 46 anos, ‌após disputar uma partida na manhã de domingo pelo Arya FC, um clube amador ‌iraniano-americano no subúrbio de Woodland ⁠Hills, em Los ⁠Angeles.

"Não importa o que está acontecendo no mundo. Estamos muito animados para ver nossa seleção nacional."

Mesmo ⁠assim, Shafi reconheceu a tensão.

"É uma situação ‌muito complicada", disse ele. "Ninguém gosta ‌de ver seu país sendo bombardeado. É muito complicado para o nosso povo."

"TEERANGELES"

Dezenas de milhares de iranianos-americanos vivem em Los Angeles, onde uma diáspora distinta, frequentemente chamada de "Teerangeles", se estabeleceu. O "Team Melli", que significa a seleção nacional em ⁠persa, há muito tempo é um símbolo comum que une essa comunidade ao país de onde muitos fugiram após a revolução iraniana de 1979, em meio à agitação política e à repressão.

O Irã enfrenta a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles nos dias 15 e ‌21 de junho, antes de viajar para Seattle para enfrentar o Egito em 26 de junho. Shafi já garantiu os ingressos e fala com o otimismo de ⁠um torcedor focado nos jogos e na rara chance de ver a equipe de perto.

Esse entusiasmo, no entanto, está longe de ser universal.

O companheiro de equipe do Arya FC, Shawn Rezaei, chegou à conclusão oposta.

Executivo de restaurante de 59 anos que deixou o Irã durante a revolução, Rezaei assistiu às Copas do Mundo na Alemanha, no Brasil, na Rússia e no Catar. Agora, diz ele, será a primeira vez que ficará de fora.

"Sou um torcedor fanático por futebol", disse ele. "Mas desta vez, por causa da situação política, estou boicotando."

Rezaei inicialmente havia solicitado ingressos nos EUA, mas acabou decidindo que não poderia conciliar seu apoio à seleção com sua oposição às autoridades de Teerã.

"Essa seleção não representa a nação", disse ele. "Eles são basicamente um instrumento de propaganda do regime."

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