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Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho  Foto: Arquivo Pessoal

'Seu sonho era o meu': o orgulho do pai do zagueiro da Seleção que venceu fogo e críticas

Léo Pereira vai disputar a sua primeira Copa do Mundo pela Seleção Brasileira para orgulho de João Antônio Pereira

Imagem: Arquivo Pessoal
  • Fábio Shimab Fábio Shimab
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8 jun 2026 - 04h59
Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Foto: Arquivo Pessoal

*Por João Antônio Pereira, pai de Léo Pereira

"Olha, filho... nunca abaixe a cabeça. Sempre pense que tudo vai dar certo e sempre dá certo. Já falamos várias vezes: 'Tudo nosso é assim'. A dor que você sente, eu também carrego, né? Então, estamos juntos sempre. Deus abençoando o seu dia e a nossa nação também. E nunca desista, nunca abaixe a cabeça.

  • Essa reportagem faz parte da série 'Raízes de Campeão', que traz cartas de familiares e amigos para os jogadores da Seleção Brasileira 

E sempre foi assim desde criança, lembra? Você começou muito cedo, num projeto que tinha ali perto de casa. Eu chegava do serviço de noite, arrumava umas travezinhas e colocava ali na frente para tentarmos jogar. Colocava uma placa de "proibido" para os carros não passarem e ficávamos brincando ali: eu e você.

Lembro quando você me acompanhava nos campeonatos de Olaria e brincava com o seu xará Léo, meu gerente, e meu amigo Rogério de Fraga. Você nunca largou o futebol. Foi para o 13º Batalhão, depois para o Novo Mundo que andou fazendo gol contra o Coxa (Coritiba), e foi onde fechou com o Trieste.

A batalha foi longa. Te deixava às 7h. Lá você ficava por uma hora e eu ia trabalhar. Ah, me lembro de uma situação e, com certeza, você vai se recordar. Uma vez, quando ia te levar para o treino do Trieste, acabou o álcool do carro, você desceu e foi empurrando até o posto: coloquei deizlão (R$ 10).

Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Foto: Arquivo Pessoal

Tive muita sorte. Além de jogar bola, estudava à tarde no João Paulo e era bom aluno. Você sempre me emocionou falando para todos que eu era o seu grande ídolo, mas nunca escondeu sua admiração pelo Cristiano Ronaldo, que joga com raça, e o seu time do coração, o Paraná Clube.

Acho que até por isso que você começou como atacante. Porém, depois foi pra meia e acabou como zagueiro pela sua altura. Antes dos 13 anos, já tinha 1,70 m. Eu sei que no começo você não gostava. Depois foi voltando, tirando bola, subindo, fazendo gol de cabeça e se tornou um zagueiro de qualidade. Com o pessoal elogiando as suas jogadas, você pegou gosto daquela rotina de subir e voltar na hora certa. Você sempre foi muito oportunista, começou a fazer gol até de falta.

E me lembro como se fosse hoje quando você assinou o primeiro contrato profissional como o Athlético. Filho, saiba que lá você estava realizando não só o seu, mas também o meu sonho. Eu pendurei a chuteira e sempre falei: 'Quando nascer meu filho, eu vou até o fim'. Foi bem emocionante. Agora você não está só representando a nossa família e, sim, uma nação.

Outra coisa que me veio à cabeça é quando você realizou o seu sonho e comprou um Audi A3. Que felicidade eu via no seu rosto. Nessa hora, não teve como não pensar nas dificuldades que passamos. Entre elas, uma passagem muito triste.

Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Pai de Léo Pereira mostra imagens ao lado do filho
Foto: Arquivo Pessoal

Lembra quando a nossa casa pegou fogo por um problema elétrico? A luz foi cortada e eu peguei um cabo e liguei na casa da sua irmã, que estava do lado ali, e o cabo não aguentou. Em cima do sótão tinha colchão. Na hora pegou fogo em tudo, você tinha uns 12 anos. Ah, foi tudo muito triste, pois era um lugar gostoso de morar. Você ficou desolado, choramos muito, assim como todos nós. Mas que orgulho eu senti por você ter comprado o material pra reconstruir a nossa casa.

Com o sucesso profissional vieram também as críticas, principalmente quando você trocou o Athlético-PR pelo Flamengo. Sempre te falei pra encarar as coisas com naturalidade, porque todo mundo passa por isso. E já sabe, né? Ergue a cabeça a cada dia.

E junto com a fama também vieram as críticas que você recebeu fora do futebol e digo que foram bem injustas. Filho, todo mundo tem o direito de criticar, mas ninguém está na sua pele, saber o que você sente, o que a família sente, o que muitos que são seus fãs sentem. Deixa que falem, mas falem da gente. Não tem muito o que fazer.

Agora falando em coisa boa, que emoção que a gente sentiu junto quando você foi convocado para a Seleção Brasileira disputar essa Copa do Mundo, hein? Vai ser um dia inesquecível em nossas vidas. Foi aquele chororô geral. Estávamos todos em sua casa no Rio de Janeiro, a família reunida. Depois de ouvir o seu nome na lista, te dei um beijo, parabenizei. Eu já sabia, né? Deus o abençoe muito.

Já em relação a Copa do Mundo, o elenco é bom, mas é sempre bom lembrar que são 11 contra 11. Tem que ser doar um ao outro, tem que se acertar ali. E eu até imagino você fazendo um gol para a Seleção Brasileira. Imagina se for o do hexa? Nossa, eu não sei nem o que vou fazer. É possível, né? Então vamos sonhar juntos. É só você fazer o que sempre faz: uma oração antes e isso se chama fé.

Olha filho, você sabe que o pai acabou de fazer uma cirurgia na boca. Se der tudo certo eu vou, mas se não der, vou ver daqui mesmo. Mas como sempre te disse: a união é a mesma e estamos sempre juntos."

Fonte: Portal Terra
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