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Ar condicionado 'sustentável' dos estádios da Copa deve proteger atletas de lesões e cuidar da grama

Palcos do Mundial do Catar, onde a temperatura pode chegar a 50°, vão contar com sistema de refrigeração de última geração para evitar que espectadores e jogadores sofram com o forte calor no país do Oriente Médio

20 mai 2022 11h15
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O Catar é sinônimo de calor sufocante para muitos, mas os espectadores locais da Copa do Mundo — marcada para ocorrer entre 21 de novembro e 18 de dezembro — podem até sentir um pouco de frio. Isso porque os estádios serão equipados com um sistema de ar condicionado de última geração que, segundo seu gerente, será "a norma" no futuro.

Saud Abdulaziz Abdul Ghani, apelidado de "Dr. Cool" (Doutor Frio, em tradução livre), trabalha há 13 anos para desenvolver a tecnologia, que acredita ser "o mais sustentável possível". Em sua visão, o sistema vai proteger os jogadores de lesões, ajudar a cuidar da grama e até mesmo eliminar ou reduzir odores corporais nas arquibancadas.

O clima de forte calor no Catar, onde os termômetros chegam a registrar 50°, foi tema de preocupação dos organizadores assim que o país do Oriente Médio foi anunciado como sede do Mundial. Não é por menos que esta edição será realizada no fim do ano, diferentemente do habitual calendário de junho e julho, para não coincidir com o verão local.

Apesar do Catar apresentar temperaturas mais amenas no fim do ano — os relógios costumam ficar entre 19° e 30° em novembro, e 15° e 24° em dezembro —, sete dos oito estádios da Copa do Mundo são climatizados, o que não chega a ser novidade no país, mas estima-se que os sistemas desenvolvidos por Abdul Ghani sejam "40% mais sustentáveis ??do que as técnicas existentes".

O professor, natural do Sudão e formado no Reino Unido, estima que no futuro, para a segurança dos jogadores, os estádios climatizados se tornarão "norma", especialmente pensando em 2026, quando o torneio será realizado no México, Estados Unidos e Canadá, países onde as temperaturas podem variar bastante.

Funcionamento e sustentabilidade

A climatização dos estádios é alimentada por painéis solares e possui isolamento térmico e sensores para utilizar a dose certa de energia em cada zona, sem cometer "excessos", explica Abdul Ghani. O uso de energia limpa era uma das preocupações dos organizadores da Copa do Catar.

Para Pierre Ferret, arquiteto do moderno estádio Pierre-Mauroy, não há motivos para não haver ar condicionados nos estádios, enquanto em outras arenas há sistemas de aquecimento. "Depende também de como (o sistema) é alimentado. Se for com gás ou óleo, não é o melhor. Com painéis fotovoltaicos é melhor", diz.

Russell Seymour, chefe da Associação Britânica de Esportes Sustentáveis (BASIS, sigla em inglês), "não tem dúvidas de que a tecnologia funcionará". Porém, está preocupado com a "mensagem transmitida" ao mundo em um momento que líderes mundiais se preocupam com o uso correto de energia. Um ar condicionado ligado em um espaço aberto certamente foge um pouco deste ideal.

Cada estádio da Copa do Mundo terá um sistema de refrigeração diferente. Nas arquibancadas de 40 mil lugares do Estádio Al Janoub, que receberá sete jogos, o professor Abdul Ghani descreve um sistema inspirado no carro Ford Mondeo, que estudou durante seu doutorado.

A forma plana da arena impede a infiltração do vento e permite a formação de uma bolha de ar refrigerado até cerca de 21°, desumidificada e purificada, através de pequenas aberturas de ventilação localizadas sob os assentos, bem como outras maiores colocadas junto aos campos de jogo.

"Esse ar forma uma camada de cerca de dois metros acima das arquibancadas, que desce, atravessa o campo de jogo e volta a subir em direção às arquibancadas", detalha o engenheiro. "Em seguida, uma parte do ar frio é retirada, purificada e resfriada novamente — como o sistema de refrigeração do radiador de um carro — e depois é enviada para as arquibancadas e para o campo de jogo", conclui. O sistema também possui intensidade modulável em cada área, dependendo de sua exposição ao sol.

Dessa forma, o estádio Al Janoub não precisa ser resfriado até duas horas antes de uma partida e até sua conclusão. Operação semelhante foi colocada em um shopping a céu aberto da capital Doha e também em uma fazenda no interior do país. Abdul Ghani garante que a tecnologia não foi patenteada, o que a torna utilizável gratuitamente por todos em a qualquer momento, além dos estádios esportivos.

Estadão
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