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Fred teve de acalmar a esposa assim que soube da convocação

16 mai 2018
12h52
atualizado às 18h34
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Seu nome era uma aposta quase certa para a lista dos 23 convocados de Tite, na tarde de segunda (14). Mas havia uma expectativa no ar. O técnico da Seleção brasileira tinha também outras opções, de peso, para o meio-campo. Frederico Rodrigues Santos, o Fred, jogador do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, formado pelo Atlético-MG e com passagem rápida pelo Internacional, preferiu esconder a ansiedade recolhido a seu quarto, longe da TV e desconectado da Internet, na cidade de Kiev, capital do país.

Frederico Rodrigues Santos, o Fred
Frederico Rodrigues Santos, o Fred
Foto: Getty Images

De repente, levou um susto. Ouviu gritos de sua mulher, Monique, e, sobressaltado, correu para ver o que tinha acontecido. A festa pela convocação só começava a também tomou conta da casa da avó do jogador, em Belo Horizonte. Nesta entrevista ao Terra, o volante versátil de 25 anos – joga em todos os setores do meio-campo – conta um pouco de sua vida na Ucrânia e fala da alegria de fazer parte da Seleção numa Copa do Mundo – a da Rússia.

Como recebeu a notícia da convocação?

A primeira providência foi tranquilizar minha mulher (Monique). Ela chorava sem parar. Pulava pela casa, gritava. Eu falei: ‘calma, meu amor, senão você vai ter um troço’. Eu não acompanhei a convocação, estava muito nervoso, e achava que a divulgação ia ser um pouco mais tarde. Por isso, me assustei com aquela reação dela.

Houve festa em Belo Horizonte, na casa de seus parentes?

Uma parte do bairro de Jardim Europa (na capital mineira) parou. Juntou um monte de gente na casa da minha avó (Maria Justina). Minha mãe (Roseli) estava lá também, aflita, coitadinha. Tios, primos, a família quase toda. Aí me contaram que quando foi lido o meu nome parecia gol de decisão de Copa do Mundo.

Você está na Ucrânia desde 2013. Já gosta da culinária local?

Gosto de muita coisa daqui, o povo é bastante gentil, a cidade (Kiev) é acolhedora, mas da comida ... Não dá. O prato principal deles é uma sopa de beterraba. Até já provei. Mas não quero repetir a experiência, não desce. Tenho saudades do frango com quiabo, torresminho, arroz tropeiro. Fogão a lenha, essas coisas. Quando minha mãe e a avó vêm aqui, elas fazem pra mim. Quando estou de férias ou com uma folga maior, vou lá em Minas e compenso.

Fala a língua do país fluentemente?

Difícil, hein. Até arranho algumas palavras, mas é uma língua bem complicada. Tenho aulas regulares de inglês e recebo todo o suporte do clube, além do apoio e da convivência com muitos brasileiros que moram na mesma cidade.

Como é sua rotina em Kiev?

Treino normalmente pela manhã. Quando estou de folga, vou com a Monique até um shopping ou caminho com ela pelas praças da cidade. É um ritmo de vida sem estresse. Pra você ter uma ideia, ela costuma me pegar no aeroporto às 3h, 4 horas da madrugada quando eu venho de viagem. Sem essa de medo de assalto, essas coisas.

Qual o segredo do Shakthar Donetsk para ser contemplado com dois jogadores na Seleção, você e Taison?

O futebol daqui é competitivo e evoluiu muito nos últimos anos. O que facilitou a vida da gente não foi nem o Campeonato Ucraniano, que não é fácil de acompanhar à distância, e sim as últimas participações do clube na Liga dos Campeões, com boas campanhas.

Neste ano, em jogo com a Roma, pela Liga, você fez um gol no goleiro titular da Seleção, Alisson. Vai lembrá-lo disso quando se apresentar em Teresópolis (segunda, dia 21)?

Já brinquei com ele sobre essa minha façanha de marcar num dos melhores goleiros do mundo, num gol de falta. Foi na apresentação para os amistosos com Rússia e Alemanha, em março. Mas é sempre bom, né? Vou falar pra ele ficar esperto nas minhas finalizações nos treinos (ele ri).

O que mudou no seu futebol do tempo de Internacional para 2018?

A gente amadurece e ganha muito jogando contra times cheios de craques, disputando clássicos internacionais, isso tudo dá possibilidade de crescer. No Inter eu era até mais ofensivo. No Shakhtar, costumo atuar mais recuado, como primeiro ou segundo volante, embora também jogue como meia armador, com a camisa 10.

Seu nome está na lista de possíveis reforços de clubes como Manchester City e Manchester United. Chegou a hora de dar um salto?

Como eu disse, estou muito bem no Shakhtar, feliz mesmo aqui no clube, com o qual tenho contrato até 2021. Mas, claro, a gente quer sempre melhorar, subir os degraus. Vamos ver o que vai acontecer mais pra frente.

Voltando à convocação, o que lhe dava esperanças de entrar na lista dos 23 de Tite?

Eu venho de uma temporada muito boa e estive na última convocação, joguei até 15 minutos no amistoso contra a Rússia. Mas acho que foi nos treinos antes desse jogo e do seguinte, contra a Alemanha, que agradei. Dei tudo de mim ali, como sempre faço.

O Tite tinha lhe dado alguma dica de que o chamaria?

Não, ele falou com o grupo no geral, que todos deviam manter o foco, com o máximo de empenho.

Qual o mérito desse grupo formado pelo Tite na Seleção?

Ali você junta união com alegria e muito trabalho, claro. Quem está lá dentro sabe que é assim.

Aquela goleada de 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014 obriga vocês a dar a volta por cima na Copa da Rússia?

Aquilo foi um acidente e isso ficou provado com a campanha da Seleção desde então, sempre muito respeitada em todos os países. Nunca mais vai acontecer nada igual.

Quem chega como favorito ao Mundial?

Brasil, Alemanha, Espanha e França. São as seleções mais fortes no momento.

 

Fonte: Silvio Alves Barsetti

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