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Bom Senso tem 2014 calmo, mas mantém ataques contra CBF

Valter Campanato / Agência Brasil
15 dez 2014
08h48
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Em 2014, o Bom Senso não causou o alvoroço de 2013, quando o movimento surgiu e ganhou manchetes no Brasil com manifestações antes das partidas do Campeonato Brasileiro. Ouvido em poucos termos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o grupo que diz buscar melhorias para o esporte nacional mudou o foco de atuação para os bastidores, longe dos holofotes tão procurados no ano anterior, mas manteve as constantes críticas públicas sobre os mesmos assuntos contra a entidade máxima do futebol no Brasil.  

Estaduais menores

Bom Senso realizou reunião em São Paulo para discutir movimento
Bom Senso realizou reunião em São Paulo para discutir movimento
Foto: Alan Morici / Terra

O ano do Bom Senso começou com uma pequena vitória conquistada ainda em 2013: a diminuição de datas dos Estaduais. O fato, é claro, não deixou de render polêmica neste ano. América Faria, dirigente da CBF por vários anos, criticou o grupo por só pensar no interesse dos clubes grandes e propôs um Estadual no ano todo, nos moldes da Copa do Brasil.

Ameaça de greve ficou só no papo, mais uma vez

No ano passado, o Bom Senso ameaçou fazer uma greve nas rodadas finais do Brasileiro e não foi adiante. Neste ano, o cenário se repetiu. Primeiro, o goleiro pontepretano Roberto avaliou a possibilidade de parar o Campeonato Paulista, o que não se concretizou. Ainda houve o novo ensaio de uma greve no Nacional, que nem sequer passou do estágio embrionário.

Saída de Paulo André para a China

O grupo de jogadores sofreu uma dura baixa no início de 2014: o zagueiro Paulo André, principal e mais proativo líder do movimento, deixou o Corinthians em meio à crise da equipe para atuar no futebol chinês. A saída do defensor rendeu muitas teorias da conspiração sobre uma tentativa de enfraquecimento dos manifestantes. Sem o atleta, o Bom Senso começou a perder um pouco da força, mas ainda assim o ex-corintiano acompanha as ações de longe. Não raro, utiliza redes sociais para atacar a CBF e palpitar na organização do futebol nacional.

Encontro com Dilma

<p>Dilma se reuniu com o Bom Senso FC</p>
Dilma se reuniu com o Bom Senso FC
Foto: Divulgação

A inversão da tendência do movimento de tentar autopromoção com ações midiáticas, como as utilizadas no Campeonato Brasileiro de 2013, para uma postura que preza os bastidores foi notada com uma conquista grande do Bom Senso FC: no fim de maio, próximo da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff encontrou o grupo de atletas para ouvir as demandas, em reunião alcançada por intermédio do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Participaram da conversa tanto jogadores de grandes equipes como atletas de clubes menores, em uma tentativa do movimento de mostrar a ligação para as equipes pequenas.

A reunião com Dilma serviu muito mais para aumentar a representatividade do movimento do que propriamente realizar mudanças efetivas. Uma semana depois, o grupo emitiu nota oficial para afirmar que conquistou o apoio da presidente em suas discussões em quatro frentes (Lei de Responsabilidade Fiscal, democratização do futebol brasileiro, segurança em estádios e criação de um Plano Nacional de Desenvolvimento do Futebol). Em meio à campanha de reeleição e denúncias de corrupção na Petrobras que tomaram seu tempo, a petista, contudo, pouco ajudou os atletas até o momento.

Conversa com o Congresso

Bom Senso leva faixa à Câmara dos Deputados
Bom Senso leva faixa à Câmara dos Deputados
Foto: Facebook / Reprodução

Além de Dilma Rousseff, o congresso brasileiro também reconheceu a importância do movimento e conversou com os jogadores que exigem mudança no futebol nacional. Na câmara dos Deputados, os atletas levaram uma faixa da causa e puderam conversar com o então deputado Romário, partidário da causa. A exigência dos jogadores é por uma mudança na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que faz parte da cena do fair play financeiro defendido pelos atletas. O Bom Senso FC vê validade na lei, mas critica por ser só "mais uma legislação, e não um legado".

Ataque após 7 a 1

O Bom Senso FC viu no vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, com a histórica goleada de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal do torneio, uma grande oportunidade para atacar a CBF. Ainda em julho, o grupo divulgou um texto em tom irônico e enumero “7 esclarecimentos sobre futebol e política”, aumentando a tendência recente do movimento de focar no pedido de democratização da CBF.

Perda de força

Foto: Twitter / Reprodução

Apesar de contar cada vez mais adeptos entre os jogadores, o Bom Senso FC sofre, nos últimos tempos, com uma perda de força. A falta de uma manifestação incisiva dos atletas, a distância de líderes e demandas não acatadas pela CBF deixaram o grupo com uma perda de representatividade. Os jogadores ainda se reúnem, continuam fazendo demandas sazonais através de textos, mas o alcance de suas ações – na mídia, na torcida e entre os clubes – caiu.

O movimento, contudo, ainda consegue feitos ocasionais. Com a atuação focada nos bastidores e longe dos holofotes da mídia, o grupo aparece principalmente em casos de necessidade de jogadores, como na greve do Barueri ou recentemente em decisão da Justiça contra atletas do Ipatinga/FC Betim.

CBF divulga calendário sem agradar movimento

O anúncio do calendário do futebol brasileiro para 2015 era aguardado com expectativa. Sem a realização da Copa do Mundo, esperava-se que a CBF pudesse acatar mais sugestões do Bom Senso FC. Contudo, o que se viu foi uma “maquiagem” da organizadora do futebol nacional: foram dados mais dias de pré-temporada e um mês de férias com o atraso do início dos Estaduais, mas diversos problemas seguiram os mesmos.

Na próxima temporada, a CBF não paralisará o Campeonato Brasileiro durante a Copa América e nem respeitará as datas-Fifa, colocando jogos de torneios nacionais em dias próximos aos reservados pela organizadora máxima do futebol. A promessa de pré-temporada de 30 dias aos jogadores também ficou só na conversa. Relembre aqui análise do Terra sobre a lambança no calendário.

A sugestão do Bom Senso é um calendário com uma nova Série E e Copas Estaduais. Antes da divulgação do calendário, a CBF avaliou punir ações como as realizadas pelo Bom Senso em 2013

Expansão para outros campos

O Bom Senso FC utilizou seu nome estabelecido para passar a apoiar mudanças em outras modalidades do futebol. O futebol feminino ganhou voz com o movimento, que pede melhorias na modalidade. O beach soccer também é outro esporte que rendeu atenção do grupo de jogadores.

Cobrou presidenciáveis

2014 ainda foi marcado pelas eleições presidenciáveis do Brasil. O Bom Senso, como sempre, quis entrar no meio da disputa e palpitar. Em carta aberta, não escolheu lados, mas exigiu dos presidenciáveis uma atenção ao grupo. Pouco adiantou, já que tanto a petista Dilma Rousseff quanto o tucano Aécio Neves pouco falaram do futebol em suas discussões, priorizando temas mais relevantes da população ou acusações.

Bom Senso x Alexandre Gallo

Bom Senso propõe Estaduais como Copa do Mundo e Série E
O Bom Senso ainda comprou briga com Alexandre Gallo em 2014. Técnico da Seleção Sub-21 do Brasil, que se prepara para a Olimpíada do Rio de Janeiro, o técnico desconvocou atletas que jogam no território nacional para amistosos a fim de não prejudicar as equipes do País na reta final do Brasileiro. O movimento afirmou que tal atitude é “desprestigiar” os jogadores que atuam no Brasil.

Foco na Lei de Responsabilidade Fiscal

Os últimos meses de 2014 tiveram quase como dedicação única do Bom Senso FC a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que está prestes a ser votada na Câmera. Os jogadores são favoráveis à lei, mas citam vários pontos que discordam dos cartolas brasileiros no projeto

Bom Senso cita pressão sobre atletas que aderem ao movimento

Fonte: Terra
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