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Há 10 anos, Muricy ganhava o seu título "mais especial" pelo São Paulo

7 dez 2018
09h15
atualizado às 16h04
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Há exatos dez anos, Muricy Ramalho comemorava o seu título mais especial como técnico do São Paulo. No dia 7 de dezembro de 2008, na cidade satélite do Gama (DF), o Tricolor paulista venceu o Goiás por 1 a 0 e garantiu o tricampeonato brasileiro consecutivo na última rodada da competição.

"Era um campeonato improvável. Estávamos numa situação complicada, muito distante do primeiro colocado e também vindo de uma eliminação na Libertadores. A diretoria meio que desistiu do time", lembrou Muricy, em entrevista à Gazeta Esportiva.

Diferentemente das duas edições anteriores, o título de 2008 veio a duras penas. Com investimentos mais modestos, o São Paulo acumulou fracassos no primeiro semestre daquele ano, como as amargas eliminações para Palmeiras e Fluminense no Paulistão e Libertadores, respectivamente.

A situação chegou ao ponto de o time ficar desacreditado pela própria diretoria do clube, então presidido por Juvenal Juvêncio. Além disso, derrotados na primeira rodada do segundo turno, os comandados de Muricy viram o Grêmio abrir 11 pontos de vantagem na liderança.

"Não teve mais investimento, tinha que jogar com quem eu tinha lá. Aí vem o convencimento que fiz com os jogadores, para que eles acreditassem que era possível. Foi muito mais difícil do que todos os outros (títulos brasileiros)", decretou.

Apesar do cenário adverso, o Tricolor contava com jogadores como Miranda, Hernanes, Hugo, Jorge Wagner, Dagoberto e Borges, que foi artilheiro do time na competição, além do ídolo Rogério Ceni. Com eles, o time conseguiu uma arrancada de seis vitórias consecutivas no returno e atingiu a ponta da tabela na 33ª rodada.

A dificuldade do título, consumado só no 38º e último jogo, tornou a conquista mais saborosa, na visão de Muricy. "Foi um tricampeonato de um técnico em um único time, e isso é inédito. Todos queriam aquele título, foi o momento mais especial e mais difícil para a gente", afirmou.

Abaixo, veja outros trechos da entrevista com Muricy:

Virtudes do time

O time era guerreiro e sabia das limitações que tinha. Marcava muito forte em todos os setores do campo, todos queriam colaborar, e o nosso ataque brigava muito na frente. Esse time era diferente, os outros eram mais técnicos. Esse era mais brigador, muito determinado no que queria. Tecnicamente não era o melhor dos três, mas tinha muita vontade de vencer.

Referências

Na época perdemos a dupla de volantes que eram o Josué e o Mineiro. Então, achei Jean e Hernanes, e eles fizeram muita diferença no meio-campo. Eram fundamentais para o nosso esquema. Na frente tinha Dagoberto, Hugo, Borges, muito goleador. Era um time guerreiro e equilibrado, com uma defesa muito forte.

Jogo que mais marcou

A diferença foi o jogo contra o Botafogo, no Rio de Janeiro. Nós ganhamos de 2 a 1. Ali foi a nossa arrancada. Ficamos muito fortes, ganhamos com o estádio cheio e aquela vitória fortaleceu muito o nosso time.

Decepção em 2018

O São Paulo só tinha um time, não tinha um elenco. O campeonato de pontos corridos é longo, com outros campeonatos no meio dele. O São Paulo não tinha um plantel para fazer tudo isso. Superou demais com o Aguirre ao chegar em primeiro lugar, mas porque o time estava ajeitadinho. Aí houve algumas contusões e começou a perder, porque a reposição não era a mesma. É isso o que faltou ao São Paulo e que precisa cuidar para o ano que vem. Ou seja, fazer um plantel um pouco mais forte. Um time só não dá.

Dez anos sem título nacional

O São Paulo parou no tempo. Com as conquistas, achou que estava tudo certo porque sempre foi exemplo de pra tudo. Saiu na frente de todo mundo em termos de estrutura, sempre foi referência. Acomodou um pouco.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva

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