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Título da Copa América comprova menor dependência por Neymar na seleção brasileira

Brasil tem a primeira conquista sem a presença do atacante do PSG na equipe

7 jul 2019
19h17
atualizado às 19h28
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O Brasil chegou ao título da Copa América, neste domingo, ao bater o Peru, com um importante legado para o trabalho da equipe. A campanha invicta, as boas partidas e as atuações convincentes deixam o importante recado de que é possível, sim, jogar um bom futebol sem contar com o principal jogador, o atacante Neymar, e ainda criar um forte espírito coletivo no time.

A grave lesão no tornozelo direito do jogador a pouco mais de uma semana para o início do torneio representou um duro golpe. O Brasil viu se repetir o drama da Copa de 2014, quando também ficou sem o camisa 10, na época com um problema grave nas costas. Desta vez, as diferenças principais eram a chance de ter um tempo para se preparar para a perda e ajeitar o time até a estreia, fora uma estrutura coletiva mais sólida.

"Eu lembro que o Pelé se machucou na Copa de 1962, o Amarildo entrou e arrebentou. Não é desmerecimento. O Neymar é diferenciado, faz as coisas com uma criatividade e velocidade impressionantes, mas o conjunto está forte e isso é o mais importante", disse Tite.

O técnico Tite foi em busca de opções e não teve medo de repensar as escolhas. Primeiramente, apostou em David Neres na ponta esquerda, para depois mudar de ideia e optar por Éverton, a principal descoberta desta Copa América. Como substituto para o corte, resolveu trazer o experiente Willian, atacante com mais de uma década de seleção brasileira e figura importante em momentos decisivos, como no pênalti convertido contra o Paraguai.

O impacto da ausência da Neymar não mexeu tanto com os adversários. Alguns até mesmo disseram ter ficado até mais difícil enfrentar o Brasil agora, como foi o caso do técnico boliviano Eduardo Villegas. "Defensivamente ele (Neymar) é um jogador que não volta a marcar com frequência. Para mim eu até fico mais preocupado, porque o Brasil se torna um adversário mais compacto e organizado no setor defensivo", disse.

Com uma defesa forte e uma base entrosada após os últimos três anos, o Brasil tinha bons alicerces para disputar a competição sem Neymar. Faltava ajeitar o ataque. O setor passou por algumas mudanças ao longo do torneio e os testes serviram principalmente para alguns jogadores aceitarem assumir um protagonismo a mais na seleção já que sem Neymar, esse papel teria de ser dividido.

Philippe Coutinho ajudou a comandar o time em alguns momentos, como nos dois gols marcados sobre a Bolívia, na abertura. "Ele está chamando a responsabilidade. Sem o Neymar, nossa grande estrela, o Couto é a nossa referência", disse o zagueiro Thiago Silva. Logo depois, outros jogadores também cresceram em importância. Gabriel Jesus, Firmino e Everton, por exemplo, viraram peças fundamentais na campanha e formaram o novo trio ofensivo.

O Brasil se redescobriu sem Neymar. Virou um time mais coletivo com o otimismo de saber que com a futura volta do camisa 10, terá ainda mais a ganhar. A Copa América revelou que a equipe não precisa mais temer quando ficar novamente sem o jogador em alguma outra ocasião.

Estadão
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