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Sylvinho explica escolhas, aponta acertos, problemas e fala sobre limite das críticas

15 out 2021 14h02
| atualizado às 14h02
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Sylvinho esteve ao lado de Doriva na sala de imprensa do CT Joaquim Grava na tarde desta sexta-feira para atender à imprensa. Após sua apresentação no Corinthians, em maio, o técnico ainda não tinha concedido nenhuma outra entrevista coletiva fora do ambiente do estádio, no tradicional pós-jogo.

Em pouco mais de uma hora de perguntas e respostas, Sylvinho falou sobre assuntos diferentes, pontuou situações, avaliou acerto, problemas, e também comentou a relação com as críticas de torcedores e jornalistas, que muitas vezes podem passar do ponto.

"Todos nós sabemos o que é limite e o que não é. Todo mundo sabe o que é aceitável e o que não é. Eu não tenho tempo. São 12 horas no clube, mais três em casa, é o tempo todo, jogos que não acabam, preocupação, sempre essa ótima relação com a direção. Não temos tempo para redes sociais. Mas, nós sabemos, todos os seres humanos sabem, não precisa fazer pesquisa, de enquete… Nós sabemos o que é limite. Estamos vivendo momentos difíceis, polarizados, estamos, mas todos sabemos o que é limite".

Na próxima segunda-feira, o Corinthians vai enfrentar o São Paulo, no Morumbi, às 20 horas, em clássico pelo Campeonato Brasileiro. O Majestoso, obviamente, também foi um dos temas abordados pelo treinador corintiano.

Leia, abaixo, a entrevista coletiva de Sylvinho, na íntegra:

Willian

"Não temos ainda uma definição, um diagnóstico ainda, estamos trabalhando e aguardando, acredito que ao longo do dia, no máximo, amanhã, teremos uma reposta".

Du ou João Pedro

"Sim, estamos projetando o time, montando, vamos estudar a possibilidade com o Du, com o João Pedro, que é um atleta que se incorporou, começou a ganhar condição, tem atingindo níveis bons, encontra-se numa situação melhor hoje, estamos trabalhando ele, não temos uma definição no momento, vamos aguardar até a véspera do jogo".

Jô em má fase?

"Tu me leva para uma resposta direta, e eu não posso ser direto. Para sintetizar um atleta que esteve ausente para uma situação pessoal. Não, o Jô é um dos artilheiros desse time. Futebol não é de 24h, três dias. O momento, curto, ficaria mais fácil. Mas o Jô é um atleta importante, tem contribuído bastante, entendeu o que pedimos, de reciclar movimentos, contamos com ele, vai ser importante. O momento pessoal eu prefiro nem comentar, contamos com ele".

O que tem agradado

"É um período curto, bom, mas já dá pra ver coisas, existe uma organização sadia, forte. Quando falamos de compensações, cobertura, todo um processo defensivo organizado, a gente já vê. A parte defensiva não são só os quatro atletas, é todo um sistema sincronizado, e vejo uma grande construção com o Cantillo em outro estágio. E depois veio uma segunda amostra com Vitinho no lugar do Roni e agora com Renato e Giuliano. Entendo que esse tripé funciona diferente, é um processo, as peças se mexem, vamos estudando, entendo que isso tem funcionado bem, e também as descobertas dos atletas. Entendo que essa parte defensiva, essa construção de meio-campo tem funcionado e é parte do que a gente quer para o futuro".

Planejamento para 2022

"Não. O campeonato é muito difícil, muito rápido, temos trabalhado diariamente nos treinamentos, não é momento de planejamento, que está sendo feio a cada dia, semana. Paulinho é um atleta que todo time gostaria de contar, tem a identificação, mas o momento é de focar".

Escanteios sem sucesso

"Sabemos, temos as estatísticas, são praticamente quatro contra e a favor por jogo, fugiu a média contra o Fluminense. Por um lado é ótimo, jogamos no campo adversário, buscamos 'um contra um', laterais tiveram participação. Você tem formas, um bom batedor, existem atletas com especificidade grande de batidas, para dar um exemplo, o do Juventude é o Castillho, muito bom, a bola vai no espaço, o mínimo de ataque, não necessariamente, quando a bola é muito boa, você precisa de atletas com grande estatura. Nossas batidas são mais lenta, característica do atleta, forma dele bater. Estamos buscando, sim, com a introdução, lá atrás, do Adson, e agora do GP, com um canhoto, bola saindo, bola entrando, sentido a gol, pra uma variação, pra surpreender, Mas confesso, está correto, o índice de aproveitamento não tem sido bom. Outra resposta que temos e já encontramos: não temos atletas de grande estatura e que atacam bem essa bola. O Gil é quem mais ataca bem essa bola, estamos buscando um movimento de João Victor, que é rápido, tem boa impulsão mas, temos de sincronizar a batida com essa entrada. No mais, temos atletas menores. Estamos trabalhando, buscando. É óbvio que incomoda. Temos de buscar outra forma de agredir o adversário e ter um percentual melhor".

Troca de características

"Não dá para escolher um elenco com três atletas de 1,80m, dinâmicos. Às vezes vai ter o de 1,90m, o time sabe jogar com ele também. Não dá para tirar do contexto. Quando temos o Jô, que tem sido importantíssimo na retenção de bola, o time sabe jogar. Com Roger, buscamos profundidade. De segunda linha entra Giuliano, Renato, o meio-campo ocupa aquele espaço. Podemos ter externos. Roger entrega algo que Adson entrega diferente. Roger pode ser o 9, ou atrás do 9. O time sabe jogar com as características. Contra o Bahia, tínhamos o Róger, Willian tinha trocado de posição com GP e deu resultado no 1T. Saiu Willian e entrou o Jô, mudou a característica do jogo. O segundo tempo potencializou, claro que com um a menos do Bahia. Poderíamos ter usado outro externo, mas acertamos na entrada do Jô. É construção. O entendimento do jogo com cada atleta".

Fábio Santos e Piton

"É um prazer trabalhar com o Fábio Santos, um atleta que tem um histórico invejável, títulos expressivos, um entendimento de futebol grande, uma entrega, uma identificação com o clube, fico feliz de estar aqui dirigindo o Fábio Santos, sabemos que são os últimos momentos de carreira. É interessantíssimo, porque o o Piton está iniciando, e o Fábio saberá quando irá para a última etapa da vida útil. Fico feliz, porque ele já nos próximos jogos, ele jogando na segunda-feira, a tendência é de superação de 269 jogos, como eu fiz pelo clube. Eu feliz pelo o que fiz pelo clube e o clube fez por mim, eu venho do Terrão, ele não, ele tem título mais expressivos que o meu, é um cara que merece o respeito do torcedor, do presidente, de todos".

"Piton é um atleta jovem, eu passei por isso, depois teve o Kleber, que foi paciente, esperou o momento dele, e o Lucas procura, estuda, começa a identificar, diz quando erra, o entendimento do atleta, ele está em velocidade de aprendizado, promissor. A relação dele com Fábio é ótima. Logo que cheguei conversei com o Fábio, disse que precisávamos de uma organização defensiva e ele me disse que a relação com o Piton era ótima".

Clássico

"Indifere a situação do adversário, é clássico, jogo de rivalidade, disputado. Não está em jogo o objetivo de um ou de outro, o momento de um ou outro. Está em jogo o clássico, a camisa, a rivalidade, jogo duro, difícil, tem muita qualidade dos dois lados, atletas com capacidade de definição. Não é uma questão de esquivar, é o que esperamos".

Jeitão de Tite

"É o melhor treinador, disparado, preparado, todo o trabalho na Seleção, extraordinário. Trazendo para cá, aqui, ele junto com um elenco, com uma diretoria, deram uma Libertadores, Mundial, Brasileiros, Estaduais para o Corinthians. Sou grato por ter me acolhido. Sim, trago algumas construções de treinador, mas algumas coisas tu não muda. Temos de ser autênticos, somos o que somos. Depois, trazer na bagagem coisas importantes de treinadores que trabalhamos. Eu me vejo muitas vezes repetindo o Mancini também, que talvez vocês conheçam menos, mas é natural. Eu sei que sou Sylvinho e o Adenor é muito grande. Nós estamos na estrada".

Melhora dos números

"É bem verdade que o trabalho é tão dinâmico no futebol que muitas vezes não focamos em estatísticas. Outro dia errei, falei que estávamos invictos há nove jogos, e o presidente ficou bravo e falou "10" (risos). É um baita trabalho, vídeos, estratégias. Não mergulho muito nesses números de pequenos ciclos no campeonato, mas ficamos felizes, entendemos que futebol é equilíbrio, entendemos futebol como complexo, como uma estrutura junta. Quando você tem o equilíbrio, tem o trabalho, a chance de ganhar o jogo aumenta e esses números começam a melhorar e você vai passando etapas, fases. Falei do tripé, depois começamos avançar, ocorreu com Roni, com Gabriel e a gente vai avançando. Os números judam, norteiam, estamos satisfeitos, queremos melhorar, mas acredito que é parte de um equilíbrio".

Crescimento com GP

"Existe, sim, sempre, se dimensiona atletas que chegaram e estão qualificando. Mas, existem três pilares. Temos atletas que venceram tudo, já com uma certa idade, os olhos deles ainda estão brilhando. Atletas jovens, que me fascinam, que estão mostrando o talento deles, nós corrigimos, mas os momentos são deles, buscando seus momentos, e temos atletas que estão qualificando, que ganharam, tiveram uma carreira excepcional, de alto nível. Mas, quando falamos de grupo, falamos de todos, a atenção é para todos, para todos contribuírem na temporada. Não vemos diferença. Na nossa parte não tem quarteto, quinteto, e para eles também não."

Trabalho com jovens

"Sem entrar numa questão individual, o passo do profissional, na minha época era amador, quando falava que ia treinar com o profissional, você nem dormia. Mas, vivemos um tempo, hoje é outro, são melhores. Mas, o que entendo é que você precisa… o jogo é complexo, o mínimo que você errar, melhor. Toda essa margem, ele vai levando para campo, ele vai ganhando minutagem e ele vai ganhando bagagem. Esse período mágico, maravilhoso, que me fascina. A gente consegue identificar, fala pro cara no campo 'calma, faz simples'. Com os mais velhos, os caras já sabem. Eles já chegam com muita coisa, mas a gente percebe que tem muito para inserir. Tem hora que o Doriva me para, ele sabe que sou inquieto, mas isso que me fascina, esse crescimento do atleta, o que importa é o número de minutos, é isso que vai fazer ele crescer como profissional".

Montagem do time

A Itália ganha a Eurocopa num 4-3-3, o Jorginho foi o melhor da competição. Recentemente, França venceu a Espanha. Melhor da competição, Busquets. Lembro o que comentei sobre características, Gabriel e Cantillo. O atleta já jogou de primeiro, pode jogar de novo. Pode acontecer, Gabriel é importantíssimo, pode voltar a exercer como titular em algum jogo, claro que pode, sim. Pode se ter uma situação de nesse jogo o Cantillo te potencializa, no outro jogo vai jogar o Gabriel, isso é composição".

História do clube e cobrança nos jovens

"Ajuda. Saí daqui, conheço a essência do clube, ajuda. Funcionários que conheço, presidente que conheço a décadas, junto à comissão, Flávio Oliveira que eu conheci no Cruzeiro. Ajuda, sim. Com relação aos atletas, essa é uma grande vantagem. Óbvio que o torcedor gosta de um jogo bem jogado. Mas, o nosso torcedor é apaixonado por suor, ele respira isso e nós temos de respirar. De uma certa forma, é simples passar aos atletas. Não me dá medo, porque o atleta jovem vem da base, ele já sabe disso, ele sabe que vai chegar aqui e entregar 100%. Não é o jogo, é o treinamento, é desde a chegada aqui. Por isso não temos pretensão do clube ser a minha cara. O clube é o Corinthians, é a história, é esse suor, de vez em quando, tem sangue. Nosso time é um dos menos faltosos e uma das melhores defesas. É um time que defende bem, defende forte, que menos falta faça. Tudo isso é a construção, a somatória de situações. Não me dá medo, não".

Números do confronto com o São Paulo

"Quando a gente começa um material, tudo está em mesa, em pauta. Algumas estatísticas que não fazem parte nem desses atletas nós desprezamos do trabalho. Mas, os números que mais nos interessam são números de campo, mapa de calor, onde a bola entra, impedimentos, faltas, e aí são estudamos os números. Nem sempre algumas estatísticas, quando venceu, naquele estádio, é só do Brasileiro, de repente no Estadual ganhou, enfim, algumas a gente não leva, porque entendemos que não é significante".

Brincadeiras com o São Paulo quando jogador

"Não. A melhor coisa, às vezes, olhamos para os atletas, eu digo, como era bom, gostoso, mas o atleta vive a vida dele, se prepara para jogar. Eu sempre me preparei para os jogos de forma parecida, eu não desprezava essa confiança, entendo que tem jogos e jogos, mas não entrava em brincadeiras, nunca gostei muito disso, não. Meu negócio é me preparar, queria correr e ganhar o jogo".

Evitando termos muito repetidos

"Primeiro eu peço perdão, às vezes uso uma palavra em inglês, espanhol, sai uma palavra boba, vivi fora do país, às vezes o cérebro te entrega uma palavra que você não encontra em português, e para falar com vocês temos de nos preparar, falar com o público. Eu fico 'Sylvio, busca período, momento, chega de construção'. Doriva às vezes fala para eu tomar um suco de maracujá".

Mudanças de Ceni para Crespo

"A gente assiste ao jogo, mas trabalhamos em câmera aberta, vamos olhar hoje à tarde esse jogo, isso é uma peculiaridade do Brasileiro, dessa troca de treinador, o time muda. A gente acaba tendo de se adaptar, você está preparando um jogo e muda completamente, já passamos por isso. Muito mais do que a tática, as novidades, é a grandeza do clássico".

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