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Lelê x Lelê: Xarás, goleira do Corinthians e artilheira do Kindermann duelam pelo título brasileiro

Após empate sem gols no primeiro jogo, equipes se enfrentam neste domingo, na Neo Química Arena

5 dez 2020
08h10
atualizado às 08h10
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A definição do time campeão brasileiro feminino de 2020 passará pelos pés e mãos de duas xarás. A goleira Letícia Izidoro Lima da Silva e a atacante Leticia Silva Amador estarão frente a frente neste domingo, às 20h, na Neo Química Arena, para o segundo jogo da decisão do Nacional entre Corinthians e Avaí/Kindermann - no primeiro, na Ressacada, os times não saíram do 0 a 0. E o duelo contrapõe o favoritismo do time paulista com o trabalho longevo da equipe catarinense.

A Lelê corintiana é a última barreira do sistema defensivo mais seguro do Brasileirão, com apenas 8 gols sofridos em 20 jogos - ela participou de 17. Já a Lelê do Kindermann exerce a função inversa. E bem, tanto que marcou 10 vezes nas 17 partidas que disputou, o que a deixa na vice-artilharia da competição, atrás da palmeirense Carla Nunes, com 12.

Farão, assim, um duelo de objetivos opostos neste domingo em Itaquera. "A maior dificuldade é que a atacante tem sede de gol e a goleira, de defesa. Então acredito que seja esse o conflito. Eu vou brigar por gols", avisa Letícia Amador, a Lelê do Kindermann, projetando o confronto e recebendo elogios da rival. "É uma atacante bem rápida, forte, que ajuda bastante sua equipe em transições ofensivas e defensivas", diz Letícia Izidoro, a Lelê do Corinthians.

Embora seja a goleira menos vazada do Brasileirão, Lelê não resume sua participação e tarefas em campo às defesas. Com Artur Elias, ela é a responsável por iniciar a construção das jogadas ofensivas da equipe, fruto de um esquema tático e organização que prezam pela participação de todas as atletas nas ações de ataque e de defesa. Por isso, não é incomum vê-la avançando com a posse da bola além do meio-campo.

"A proposta é ter uma equipe compacta e, ao perder a bola, recuperar o mais rápido possível. Isso faz com que estejamos sempre próximas para defender também até mesmo no meu posicionamento dando segurança para a linha de baixo", explica Lelê.

Tem dado muito certo. O Corinthians sobrou na primeira fase do Brasileirão e nos mata-matas anteriores, além de estar em vantagem nas semifinais do Paulista. E só perdeu 2 dos 28 jogos que disputou na temporada. "É um modelo de jogo que a gente vem amadurecendo ao longo dos anos que estou trabalhando com o Arthur. O futebol está evoluindo e hoje a goleira está bem mais integrada no trabalho de criação e saída de pressão da equipe. E isso vem nos ajudando muito", acrescenta.

O sucesso do Corinthians em campo não é novidade. Pelo quarto ano seguido, o time está na final do Brasileiro, sempre com Lelê no gol e Arthur Elias no banco de reservas. Nas finais anteriores, o Corinthians foi campeão em 2018. Na última, no ano passado, o cenário era bem parecido ao deste domingo. O time havia empatado por 1 a 1 com a Ferroviária em Araraquara, possuía a melhor defesa e ataque da competição, só uma derrota, mas caiu nos pênaltis, após 0 a 0 persistir nos 90 minutos no Parque São Jorge. Lelê garante que o Corinthians aprendeu com aquele revés. "Não podemos pecar nas finalizações. Naquele jogo do ano passado, criamos chances, mas não conseguimos fazer o gol", diz.

Só que do outro lado - ou de frente para o seu gol - estará a "outra" Lelê. E que quer deixar o estádio em Itaquera como campeã e artilheira. "Tenho uma responsabilidade maior até mesmo por causa da minha posição no jogo. Toda conquista é muito importante na minha vida e ser artilheira do Campeonato Brasileiro seria muito prazeroso", disse.

O Kindermann passou a ostentar uma parceria com o Avaí recentemente, mas não é um "time de camisa". Com uma trajetória iniciada no futsal, passou a ter uma equipe de futebol feminino em 2008. Desde então, virou referência. Venceu 11 estaduais, faturou a Copa Brasil em 2015 e foi finalista do Brasileiro em 2014. Superou até mesmo uma tragédia, que quase levou ao seu fechamento - em 2015, o seu então técnico, Josué Henrique Kaercher, foi assassinado pelo treinador de uma equipe de futsal.

O time está localizado em Caçador, cidade do meio-oeste catarinense, a 400km de Florianópolis e com quase 80 mil habitantes. "O Kindermann oferece uma boa estrutura em todos os sentidos. Temos alojamento, comida, objetos e treino, academia, uma estrutura maravilhosa. Fora outros benefícios como bolsas de estudo, incentivos", elogia.

A Lelê corintiana também já passou pelo Kindermann e tem a mesma opinião. "É um projeto bom e forte, que já vem a anos no futebol feminino, desde o futsal ao campo. É uma referência no futebol feminino. A estrutura que eles oferecem é muito boa também", diz.

Nesta edição do Nacional, ficou em sexto lugar na fase de classificação, depois passando por Internacional e São Paulo, o único time a bater o Corinthians no torneio. Pode até ser visto como zebra, mas não se importa com isso.

"Aumenta o desafio, pois todos são clubes com grandes equipes, jogadoras experientes com bom desempenho profissional. Quem não gosta de surpresa boa, né? Mas o Kindermann tem uma história linda e muito longa no futebol feminino. Mais longa até mesmo que os times de camisa. Em todos os anos sempre chegamos entre os melhores", lembra.

O conjunto é o seu forte, tanto que teve quatro jogadoras presentes na última lista de convocadas da seleção - apenas uma a menos do que o Corinthians, incluindo a "sua" Lelê. Mas, claro, os gols de Lelê também fazem a diferença. Ela foi campeã brasileira pelo Rio Preto em 2015 e estava na China em 2019, depois de ser eleita a melhor atacante do Nacional em 2018. E vê o futebol feminino cada vez mais evoluindo no País.

"Vi que a visibilidade vem aumentando, está aí o VAR (está sendo usado nas semifinais e na decisão) para comprovar a primeira evolução. Estamos tendo mais mídia, mais atenção. Acredito que se não fosse um ano pandêmico, certamente veríamos o estádio lotado no domingo", conclui Lelê, pronta para o duelo com a xará.

Estadão
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