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Aposta na base, aula de música e frango frito: como o Del Valle virou potência

Em 13 anos, time equatoriano sai da terceira divisão nacional para o posto de potência no continente e elimina o Corinthians da Sul-Americana

26 set 2019
12h11
atualizado às 12h56
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Um antigo participante da terceira divisão do Equador conseguiu em apenas 13 anos chegar à elite do futebol, ser finalista da Copa Libertadores, em 2016, e se classificar para a decisão da Copa Sul-Americana neste ano. A trajetória digna de filme é vivida pelo Independiente del Valle, um time modesto no passado, organizado no presente e otimista para conseguir no futuro uma façanha à altura da obtida na última quarta-feira, quando eliminou o Corinthians na semifinal da Sul-Americana. O próximo adversário sairá do confronto entre Atlético-MG e Colón, da Argentina.

"Derrotamos o Corinthians, um grande do futebol mundial", resumiu após o jogo o técnico do Independiente, o espanhol Miguel Ramírez. A euforia da equipe equatoriana faz o resto do continente se perguntar como um clube de pouca torcida, sediado na pequena Sangolquí, nos arredores de Quito, conseguiu se estabilizar como potência na América do Sul. Tanto os dirigentes quanto a imprensa equatoriana são unânimes em apontar o investimento nas categorias de base como a chave do sucesso.

O Independiente bateu o Corinthians após vencer em São Paulo por 2 a 0 e segurar o empate por 2 a 2 em Quito. Os equatorianos entraram em campo na segunda partida da semifinal com quatro titulares formados nas categorias de base. A revelação de talentos é o grande investimento da diretoria e recebe por ano cerca de 30% de toda a receita do clube. O orçamento completo ainda é modesto: cerca de R$ 20 milhões anuais.

Os equatorianos contam com um amplo centro de treinamentos para os garotos da base, com uma estrutura moderna, campos de futebol e uma imensa rede de escolinhas e olheiros. Boa parte da prospecção de talentos está em Esmeraldas, província conhecida por ser a terra natal dos principais jogadores do Equador. O Independiente se preocupa em dar aos garotos educação, com aulas de inglês, português e até de música. Moram no local cerca de 120 meninos.

O Independiente passou a ter esse projeto em 2006, ano de uma grande virada histórica. O clube estava na terceira divisão do Equador, até ser comprado por dois empresários. Um deles é Michelle Deller, dono de redes de shopping centers no país. O outro é Franklin Tello, representante na América do Sul da rede americana de fast-food KFC, especializada em frango frito.

A compra impactou, inclusive, no nome e nas cores do clube. Antes dessa operação, o time fundado em 1958 se chamava Independiente José Terán e vestia vermelho e branco, uma referência ao xará argentino. Depois, adquiriu o "del Valle" e o uniforme preto e azul para se tornar uma potência no Equador. No entanto, apesar de bons resultados e de vagas constantes em competições internacionais, os títulos ainda não vieram.

As melhores campanhas foram dois vice-campeonatos: um no Equador, em 2013, e outro na Libertadores de 2016. O sonho de um título se renova agora, com a Sul-Americana, e faz a diretoria sonhar em ter torcida. "Por não termos um grande número de torcedores, tivemos tranquilidade para comandar nosso trabalho. Mas um dos nossos objetivos é aumentar a nossa torcida", disse o presidente do clube Franklin Tello ao jornal equatoriano El Comércio.

O trabalho na base revelou jogadores tanto para o time profissional quanto para negociações internacionais. O time finalista da Libertadores de 2016 e derrotado na decisão pelo Atlético Nacional, da Colômbia, tinha como craque o meia Junior Sornoza, atualmente no Corinthians. O mesmo elenco revelou o meia Jefferson Orejuela, do Fluminense, e o atacante Bryan Cabezas, do Atalanta, da Itália.

Estadão
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