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Campeão em Noronha, Jadson espera o 'melhor ano' de sua carreira no surfe

Surfista conquistou título ao vencer Yago Dora na decisão, por 16,46 a 16,10

25 fev 2019
04h40
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Na principal competição de surfe realizada neste ano até o momento, o QS 6.000 em Fernando de Noronha - etapa com a mais alta pontuação disputada até agora - os atletas brasileiros mostraram sua força e, numa final bastante equilibrada, Jadson André levou a melhor sobre Yago Dora ao ganhar por 16,46 a 16,10.

O resultado mostra o quanto o Brasil se tornou uma potência na modalidade que agora está no programa olímpico. O ano terminou com Gabriel Medina sendo bicampeão mundial, e agora dois atletas que vão disputar o Circuito Mundial neste ano brilharam no evento, que contou com 139 atletas.

"Estou muito feliz por vencer esse campeonato. Consegui encaixar duas manobras grandes e a última ali, quando eu manobrei com toda minha força, só pensei, 'por favor meu Deus, me segura porque o impacto vai ser grande'. Aí já sabia que a nota iria sair no critério excelente", afirmou Jadson, bastante emocionado.

Ele tirou 8,53 pontos na última onda, que garantiu a virada. Mas se não tivesse vindo a nota, o título também estaria em boas mãos, porque Yago mostrou enorme talento na bateria, pegou tubo e acertou aéreos de alto grau de dificuldade. "Infelizmente, o resultado não foi o que eu esperava e eu tinha certeza que a nota do Jadson na última onda não valia 8,5. Mas ele está de parabéns, surfou muito no campeonato todo", disse Yago.

O título no Oi Hang Loose Pro Contest garantiu uma premiação de US$ 20 mil (cerca de R$ 75 mil) para Jadson, que eliminou Medina nas quartas de final e espera ter um 2019 muito melhor que a temporada anterior, quando precisou disputar a divisão de acesso do QS para voltar à elite. Sua vaga foi conquistada após uma bela exibição em Sunset, no Havaí.

"É uma realidade muito diferente quando você está na elite, no caso do Circuito Mundial, e no QS, principalmente para aqueles surfistas que não têm ótimos contratos. Competir no Circuito Mundial é muito caro, é um custo mensal de no mínimo R$ 15 mil, e se você está na elite você consegue custear só por fazer parte. Não estando lá é uma realidade muito diferente", explicou.

Ele festeja o fato de ter alguns patrocinadores em sua prancha que também são seus amigos porque contribuíram para que ele voltasse à elite. "São parceiros, que dão ajuda e abraçaram a ideia de voltar à elite. Por isso tenho de dar a vida para permanecer ali", continuou o surfista do Rio Grande de Norte, que garante ter aprendido muito ao ficar longe do Circuito Mundial no ano passado.

"Ficando fora você consegue enxergar algumas coisas e acho que foi o ano que mais aprendi na carreira. As pessoas costumam dizer que você precisa passar por situações extremas para poder aprender, e foi o meu caso. Em alguns momentos no ano passado, só eu, Deus e minha namorada soubemos o que eu passei. Nem meu pai e minha mãe ficaram sabendo. Foi com muita fé e acabou dando muito certo."

Jadson voltou este ano a trabalhar com Allan Menache, que é preparador físico de Gabriel Medina. Ele entrou na elite do surfe aos 19 anos e agora, com 28, tem uma bagagem importante, que pode ajudar na temporada. Ele ficou dois anos fora do Circuito Mundial e esse título de etapa importante do QS será um bom combustível para iniciar bem a temporada na Austrália, em abril.

"Acredito que independentemente do resultado, quero ter a consciência de que fiz o meu melhor trabalho possível, sem perder o foco, e sei que vou chegar mais preparado do que os outros anos, principalmente no lado psicológico e profissional. Vou trabalhar 24 horas por dia, sete vezes por semana, para ter o melhor ano da minha carreira e fazer as melhores performances possíveis", avisou.

Estadão

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