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Tuíte de executivo da NBA sobre Hong Kong desencadeia tempestade na China

Apoio a manifestantes pró-democracia irrita patrocinadores, mídia e cartolas

7 out 2019
18h02
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O gerente do Houston Rockets tentou abafar a indignação que se levantou na China na noite de domingo. O apoio que ele declarou no Twitter aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong irritou patrocinadores, mídia e cartolas do baquete de um país que investe bilhões na NBA.

A mensagem inicial (rapidamente deletada) do gerente, Daryl Morey, na noite de sexta-feira -"estamos com Hong Kong" - pôs a NBA em conflito com seu maior e prioritário mercado internacional. Morey tentou reduzir os estragos com tuítes esclarecedores em Tóquio, onde os Rockets têm marcados dois jogos amistosos contra o Toronto Raptors.

"Não quis com meu tuíte ofender os fãs dos Rockets ou meus amigos na China", escreveu ele, acrescentando que ao emitir sua opinião não falou nem em nome dos Rockets nem da NBA. "Apenas expressei um pensamento baseado em uma interpretação possível de um evento complicado. Desde aquele tuíte, tive muitas oportunidades de ouvir e considerar outras perspectivas."

Ao recuar de seu comentário, Morey se expôs, expôs os Rockets e a própria NBA a uma potencial reação doméstica, uma vez que as desculpas vão contra a reputação da liga de encorajar a livre manifestação em política e outros temas sociais.

Make Bass, um porta-voz da NBA, emitiu declaração no domingo dizendo ser "lamentável" que a opinião de Moreys tenha ofendido "profundamente muitos de nossos amigos e fãs na China", mas deu a entender que o gerente tinha o direito de manifestá-la.

"Embora Daryl tenha deixado claro que seu tuíte não representa os Rockets nem a NBA, a liga dá apoio às pessoas para se expressarem ou compartilharem opiniões em matérias que julguem importantes", disse Bass. "Temos grande respeito pela história e cultura da China e esperamos que o esporte e a NBA sirvam de força aglutinadora para corrigir divisões culturais e unir as pessoas."

Os Rockets não pretendem punir Morey, segundo uma fonte interna que disse não estar autorizada a discutir mais sobre o assunto em público. Agora, é preciso esperar para saber em que medida as desculpas de Morley vão satisfazer às várias entidades chinesas que manifestaram grande descontentamento com o tuíte original. No tuíte, o gerente afirmou que "a luta é pela liberdade. Estamos com Hong Kong" -, referindo-se aos protestos que há meses agitam a cidade.

Além da reação de patrocinadores chineses, como a fabricante de tênis Li Ning e o Xhangai Pudong Development Bank, que anunciaram a suspensão de sua parceria com os Rockets, diretores do clube enfrentaram também a reação da Associação Chinesa de Basquetebol e do consulado da China em Houston.

O anúncio da associação chinesa de que estava suspendendo a cooperação com os Rockets foi particularmente contundente, já que seu presidente é Yao Ming, condecorado no Hall da Fama e jogador estrela dos Rockets de 2002 a 2011.

O momento da controvérsia dificilmente poderia ser mais delicado para a NBA, com o Los Angeles Lakers, uma das principais equipes da liga, com dois jogos amistosos marcados para a China continental nesta semana contra o Brooklyn Nets - time cujo novo dono é o bilionário Josehp Tsai, cofundador da gigante chinesa de comércio eletrônico Alibaba. O comissário da NBA, Adam Silver, tem duas conferências, no Japão e na China, marcadas para o fim da semana.

O basquete há muito é o esporte mais popular na China e a NBA faz grandes esforços para cultivar o público no país, que tem centenas de milhões de aficionados. As maiores estrelas da liga viajam rotineiramente para a China fora de temporada para promover seus patrocinadores. Em Julho, a liga anunciou um prolongamento de cinco anos em sua parceria com a Tencent Holdings, um conglomerado tecnológico chinês, para transmitir jogos e outros serviços da liga na China. O novo acordo envolveria algo em torno da US$ 1,5 bilhão - embora a Tencent tenha reagido à controvérsia anunciando no domingo que não transmitiria jogos dos Rockets.

Logo após o post inicial de Morey, Tilman Fertitta, dono dos Rockets, postou no Twitter que "Morey NÃO fala em nome dos Rockets ... que NÃO são uma organização política". À ESPN, Fertitta disse "os Rockets têm o melhor gerente da liga", embora ele e Morey tenham tido "uma grande discordância". E insistiu em que o clube não é uma organização política e seu negócio é jogar basquetebol sem ofender ninguém.

Adam Silver admitiu, em junho, a complexidade de expandir a presença da NBA na China em meio às oscilações políticas. "Não estamos imunes à política global e precisamos prestar muita atenção nela", afirmou, acrescentando: "Yao e eu discutimos a possibilidade de se usar o basquetebol como o pingue-pongue foi usado nos dias de Nixon. Haveria então uma 'diplomacia do basquetebol', esporte no qual nossos dois países têm um histórico de cooperação excelente". / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

Estadão
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