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Jogadoras da WNBA aumentam o protesto contra  dona de um dos times da liga

Kelly Loeffler, dona de 49% do Atlanta Dream, ridicularizou publicamente e mais de uma vez a liga por dedicar sua temporada ao movimento Black Lives Matter,

6 ago 2020
10h10
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Jogadoras do Atlanta Dream e outras equipes da WNBA começaram uma demonstração pública de provocação, vestindo camisetas que mostram apoio ao oponente democrata da coproprietária do Dream, a senadora republicana Kelly Loeffler, que está em uma disputa acirrada para garantir seu posto e falou depreciativamente do movimento Black Lives Matter.

Imagens de jogadoras, incluindo a nove vezes All-Star Diana Taurasi, vestindo as camisetas que endossam Raphael G. Warnock, inundaram as mídias sociais na terça-feira antes de um confronto transmitido em rede nacional entre Atlanta e Phoenix Mercury.

Na parte da frente das camisetas pretas havia a frase "Vote em Warnock", uma referência à pastora de Atlanta, que é uma das principais democratas disputando contra Kelly em uma eleição especial em novembro.

Foi a última escalada em um conflito que assolou a WNBA nas últimas semanas. Kelly, dona de 49% da equipe, ridicularizou publicamente e mais de uma vez a liga por dedicar sua temporada ao movimento Black Lives Matter, provocando fortes críticas de algumas das figuras de maior destaque da liga. O sindicato das jogadoras pediu sua demissão, mas a comissária da WNBA Cathy Engelbert disse à CNN em meados de julho que Kelly não seria forçada a vender sua parte do time.

Nem as campanhas de Kelly nem de Warnock retornaram os pedidos de comentários de forma imediata.

Elizabeth Williams, que joga pelo Dream desde 2016, disse em entrevista na segunda-feira que as jogadoras planejam "apoiar com suas vozes" a Warnock nas próximas semanas, e que as jogadoras tiveram "várias" conversas com ele.

"Quando percebemos o que a proprietária do nosso time estava fazendo e como ela estava usando a nós e o movimento Black Lives Matter para seu benefício político, sentimos que não queríamos nos sentir meio perdidas como marionetes", disse Williams.

"Esta é apenas mais uma prova de que a cultura do cancelamento fora de controle quer calar quem discorda deles", disse Kelly em comunicado na terça-feira. "Está claro que a liga está mais preocupada em jogar política do que basquete, e eu mantenho o que escrevi em junho."

Warnock, em um e-mail, disse que se sentia "honrado e homenageado pelo apoio esmagador das jogadoras da WNBA".

"Esse movimento nos dá a oportunidade de lutar pelo que acreditamos, e apoio todos os atletas que promovem a justiça social dentro e fora de quadra", disse Warnock. "A senadora Kelly e pessoas como ela, que procuram silenciar e repudiar os outros quando defendem a justiça, estão posicionados no lado errado da história."

Elizabeth disse que a ideia de apoiar publicamente Warnock veio de Sue Bird, a 11 vezes do All-Star no Seattle Storm. Elizabeth e Sue são dirigentes do sindicato das jogadoras. Elas também consultaram Stacey Abrams, a democrata que perdeu uma disputa acirrada pela vaga de governador da Geórgia em 2018 para Brian Kemp, um republicano. Stacey se juntou ao conselho de advogados do sindicato das jogadoras no verão passado.

Ao planejar a demonstração, as jogadoras pensaram que era importante que as camisetas aparecessem durante um jogo que fosse televisionado em rede nacional. A partida de terça-feira entre o Dream e o Mercury estava programada para ser transmitida na ESPN 2. Elizabeth disse que as jogadoras do Dream continuarão a usar as camisetas nos próximos jogos e que outras equipes concordaram em fazer o mesmo.

"Nós realmente não podemos fazer nada quanto ao time ser propriedade dela", disse Elizabeth, referindo-se a Kelly. "Isso não é algo que podemos controlar. Nós podemos controlar em quem votamos. "

Os treinadores das equipes foram informados da manifestação, disse Elizabeth, mas ela não tinha certeza se Mary Brock, a filantropa que é proprietária dos outros 51% do Dream, foi avisada com antecedência. Até agora, Mary não falou publicamente a respeito do conflito entre Kelly e as jogadoras da WNBA.

Esse nível de protesto público - jogadoras de uma equipe que fazem campanha aberta contra o próprio dono - é praticamente inédito em esportes profissionais. Mas isso não é incomum para as jogadoras da WNBA, uma liga que frequentemente mostra vontade de lidar com questões de justiça social publicamente. Em 2016, as jogadoras da WNBA estavam entre os primeiros atletas profissionais nos Estados Unidos a se manifestarem contra a brutalidade policial, também com camisetas. A WNBA multou inicialmente essas jogadoras, mas, depois, rescindiu as multas.

Não ficou claro imediatamente se a liga tomaria medidas contra as jogadoras em relação ao ato de terça-feira. Os representantes da liga não retornaram imediatamente um pedido de comentário.

Recentemente, a liga se aprofundou na política, em grande parte por causa da disposição de suas jogadoras de fazer o mesmo. Em 2018, a WNBA estabeleceu uma parceria com a Planned Parenthood para uma iniciativa chamada "Compre um ingresso e assuma um posicionamento", que enviou uma parte do valor do valor arrecadado com entradas para vários grupos, incluindo a Planned Parenthood. Desde então, as jogadoras da WNBA costumam ser vistas nas linhas de frente das manifestações, em especial recentemente após as mortes de George Floyd e Breonna Taylor, que foram mortos pela polícia.

A resposta inicial a Kelly, que não está envolvida nas atividades diárias da equipe, veio depois que ela escreveu uma carta no início de julho para Cathy, dizendo: "Eu me oponho veementemente ao movimento político Black Lives Matter, que defendeu cortar o financiamento da polícia. " Kelly também acusou o movimento de promover "violência e destruição em todo o país".

Uma das repreensões mais destacadas veio das jogadoras do Dream, que divulgaram uma declaração coletiva em 10 de julho: "Não é radical exigir mudanças após séculos de desigualdade. Esta não é uma declaração política. Esta é uma declaração de humanidade. "

Desde então, Kelly criticou o comprometimento da WNBA com a justiça social, frequentemente conduzindo entrevistas em que se descreve como vítima da chamada "cultura do cancelamento", como resultado da reação das jogadoras.

Em sua disputa pelo Senado, Kelly luta para permanecer no cargo para o qual foi nomeada no final do ano passado, depois que Johnny Isakson deixou o cargo por problemas de saúde. Para ganhar, um candidato deve obter 50% dos votos. Se nenhum candidato atingir essa marca, os dois primeiros candidatos terão um segundo turno, o que é amplamente esperado como o resultado. O outro candidato na corrida é o deputado Doug Collins, um republicano e fervoroso defensor do presidente Donald Trump.

Collins e as jogadoras da WNBA têm uma coisa em comum: eles querem que Kelly venda sua participação da equipe. Mas o raciocínio de Collins é diferente. Em 7 de julho, ele emitiu um comunicado dizendo que Kelly deveria "sair do negócio de agenda liberal", em referência ao Dream. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Estadão
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