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Fabrício supera o vício e faz de sua história uma lição de esperança

Promessa do basquete, jogador usou crack por 18 anos e após longa reabilitação voltou a fazer o que mais gosta

11 ago 2018
05h12
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O que dá pra fazer com R$ 25 mil em um mês? No caso do ex-jogador de basquete Fabrício Chagas, esta quantia foi queimada em drogas. Em 2014, usou o dinheiro que ganhou após a morte da mãe em sua jornada em busca do 'bem-estar' proporcionado pelo crack, principal substância que consumiu por 18 anos.

"Quando o dependente tem condições não poupa um real sequer com uma bala, quando o mesmo pode ser gasto para alimentar o vício", contou. Fabrício começou a escrever sua história no esporte desde cedo, por conta da influência da família. Durante sua carreira, jogou com renomados jogadores, como Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê. Hoje, aos 40, está sóbrio há mais de dois anos, após longo período se dividindo entre o basquete e o uso de entorpecentes.

"Comecei a fumar maconha aos 16 anos", revelou Fabrício. "Fumava antes do treino, para ter uma sensação de inspiração, e depois, para relaxar". Ele conta que não demorou a buscar novas sensações. "Comecei a cheirar cocaína e, quando vi, já estava fumando crack."

Segundo ele, os entorpecentes nunca foram problemas em sua carreira. As diversas passagens por diferentes cidades não o impediam de alimentar o vício. "Quando saí de Santos fui para Americana. Pensei que poderia ser um novo começo. No primeiro fim de semana, encontrei antigos colegas que também usavam droga. Fomos comprar maconha, e então, passei a conhecer onde poderia comprar drogas. Continuei usando mesmo em uma cidade totalmente diferente."

Em 2014, quando sua mãe morreu, o ex-jogador se afundou ainda mais e gastou todo o dinheiro deixado por ela no vício. "Fiquei hospedado em um hotel e só saía para comprar crack. Cheguei a ficar 20 quilos abaixo do meu peso atual. Durante esse mês, acabei contraindo o vírus HIV", revelou. Foi quando ele percebeu que precisava de auxílio. "Ia atrás da pedra chorando, sabia que aquilo não era legal. Mas procurar ajuda era mais difícil."

Fabrício só ficou sabendo da doença em um exame feito na reabilitação, em 2016, quando, enfim, aceitou a ajuda de um ex-companheiro de quadra. Eles se encontraram por acaso. "Eu disse que iria comprar droga se ele me desse dinheiro. O Fernando estendeu a mão na hora e eu aceitei, o adotei como um pai."

Se mudou para Blumenau e se internou no Cerene (Centro de Recuperação Nova Esperança). Hoje, sóbrio, está voltando a fazer o que mais gosta, que é jogar, e trabalha na instituição da qual foi paciente. "Acho importante contar a minha história. Não falar do Fabrício, mas alguém que venceu o vício, e mostrar que é possível."

Estadão

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