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Com portas abertas na NBA, Paulão quer amadurecer antes de ir

13 jul 2010
20h26
atualizado às 20h29
Marcel Pedroza

Depois do anúncio da contratação de Tiago Splitter pelo San Antonio Spurs, o Brasil pode ter mais um representante na NBA (liga americana de basquete). Paulão Prestes foi selecionado no draft realizado no dia 25 de junho, pelo Minnesota Timberwolves, e poderá ser integrado ao elenco da equipe ainda na próxima temporada. No entanto, mesmo com as portas abertas na NBA, Paulão disse, em entrevista exclusiva ao Terra, que quer amadurecer antes de ir jogar nos Estados Unidos.

Com uma ascensão meteórica, o garoto natural de Monte Aprazível, interior de São Paulo, está no basquete europeu há quatro anos e tem no currículo o quarto lugar no Mundial Sub-19, em 2007, pela Seleção Brasileira. Nessa competição ele foi o cestinha com 207 pontos em nove jogos, tendo uma media de 23 pontos por partida.

Confira na íntegra a entrevista exclusiva de Paulão ao Terra

Terra: Como foi o início de sua carreira?
Paulão: Como toda a criança no Brasil, eu gostava muito de jogar futebol e praticava muito na escola. Até que em um dia meu professor de educação física me perguntou se eu não queria ir a um treino de basquete, pois ele disse que eu era muito alto para minha idade. A princípio eu não quis e não via graça no basquete. Porém, meu professor insistiu muito e acabei cedendo e indo. Aos poucos fui pegando o gosto pelo esporte e estou aqui até hoje.

Terra: Quais eram suas perspectivas quando começou a jogar?
Paulão: Pouco a pouco fui começando a evoluir. Primeiro eu ia aos treinamentos para praticar algum esporte, para não ficar parado, e depois fui começando a enxergar o basquete com outros olhos e vi que este esporte poderia transformar a minha vida.

Terra: Quais clubes que atuou no Brasil?
Paulão: Comecei a jogar sério mesmo em São José do Rio Preto, em 2002, quando disputei a Liga Paulista Juvenil. A partir daí recebi um contato do técnico de Garça e aceitei o convite. Lá comecei a disputar campeonatos organizados pela FPB (Federação Paulista de Basketball) e jogar em outro nível. Lá também recebi meus primeiros salários.

Após ser vice-campeão paulista Infanto-Juvenil e jogar alguns jogos pela categoria acima, fui convidado pelo técnico Lula para jogar em uma das mais importantes equipes da época, o COC/Ribeirão Preto. Lá em Ribeirão tive a oportunidade de jogar pela equipe profissional e treinar ao lado de jogadores de qualidade, como Alex, Nezinho e Arthur, o que me fez crescer muito como jogador e também como pessoa, pois comecei a receber um salário um pouco maior e minhas responsabilidades começaram a aumentar também fora de quadra.

Terra: Como foi sua saída do País?
Paulão: Eu já havia disputado o Campeonato Paulista adulto em 2005 e no ano seguinte representei o Brasil na Copa América Sub-18, tendo um ótimo desempenho. Nos dias seguintes já recebi a proposta do Unicaja Málaga (ESP) e não pensei duas vezes em aceitar, pois estaria assinando um contrato com um time que disputa a segunda melhor liga de basquete do mundo: a ACB. Não tive muito tempo para pensar, pois tive que me apresentar à Seleção Brasileira Adulta que disputaria o Mundial em 2006. Mas olhando agora vi que foi tudo muito rápido, pois dois anos antes eu treinava apenas uma vez por semana, em São José do Rio Preto, e minha carreira havia tido uma mudança muito brusca.

Terra: Quais as principais diferenças entre o basquete brasileiro e o europeu?
Paulão: O estilo do basquete europeu é muito diferente do brasileiro. Aqui eles jogam muito mais dentro do sistema e isso fica bem claro em competições internacionais. Aqui meu jogo evoluiu muito e pude entender o basquete de outra maneira. Nas três temporadas que disputei na Espanha pude enfrentar jogadores de alto nível e, agora na última, 2009/2010, pude finalmente jogar na ACB, pelo CB Murcia, e pude sentir realmente o que é jogar com os maiores craques do mundo.

Quando eu cheguei no COC eu só usava o corpo, pois eu tinha essa vantagem em relação aos outros garotos da minha idade, mas sabia que isso uma hora iria se igualar e no Brasil mesmo já tive essa dificuldade. Uma das pessoas que mais me ajudou foi o técnico Lula, que, com sua experiência, pode me passar várias coisas importantes para eu me tornar um bom jogador.

Terra: Como foram os dias que antecederam o draft da NBA?
Paulão: Recebi uma ligação do General Manager do Minnesota Timberbolwes para saber como estava minha recuperação de uma lesão no joelho (Paulão se lesionou no final da temporada europeia e não se apresentou ao técnico Ruben Magnano para os treinamentos da Seleção, em São Paulo) e o mesmo ligou também para os dirigentes do meu time, Unicaja Málaga, para colher informações a meu respeito. A partir daí fiquei muito ansioso para saber se iria realmente ser escolhido no draft.

Terra: Quais são suas previsões para a próxima temporada e para o ingresso na NBA?
Paulão: Bom, ainda não fui informado pelos Timberwolves de como será meu aproveitamento, a única certeza que tenho é meu contrato com o Unicaja Málaga até 2012. A diretoria do clube espanhol mudou e também não fui informado sobre meu futuro aqui na Espanha, se serei emprestado novamente ou integrado ao elenco do Unicaja caso eu não vá para a NBA.

Meu empresário virá para cá nos próximos dias e então terei a decisão concreta do que irá acontecer. Porém, acho que este não é o momento certo de ir para a NBA, pois, além de estar voltando de contusão, ainda tenho muito o que evoluir aqui para chegar lá com condições de jogar de igual para igual na melhor liga de basquete do mundo.

Agora estou mais preocupado com a recuperação de minha lesão e poder voltar a jogar 100%, seja lá onde for.

Pela Seleção Brasileira, Paulão foi campeão Pan-Americano em 2007, no Rio de Janeiro
Pela Seleção Brasileira, Paulão foi campeão Pan-Americano em 2007, no Rio de Janeiro
Foto: AFP
Fonte: Redação Terra
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