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Ricciardo vê temporada 'maluca' e aposta em cervejaria para ter distração na F-1

Piloto da Red Bull se despede da equipe austríaca e defenderá a Renault na próxima temporada

8 nov 2018
18h28
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Famoso por ser o piloto mais simpático do grid atual da Fórmula 1, Daniel Ricciardo teve poucos motivos para sorrir neste ano. Sofreu com problemas mecânicos nas pistas, o que lhe renderam oito abandonos em 19 provas já disputadas, foi superado com frequência em treinos e corridas pelo companheiro de Red Bull, Max Verstappen, e tomou a decisão de deixar o time austríaco para defender em 2019 a Renault, considerada por muitos como inferior a sua atual equipe.

Nada disso, porém, tira o bom humor do australiano, que tenta diversificar seus interesses para aliviar a "pressão mental" sofrida ao longo do ano. "Foi a minha temporada mais difícil na F-1", admite o piloto de 29 anos, em entrevista exclusiva ao Estado. "Foi difícil mais pelo lado mental. Eu cometi erros, mas a maior parte dos problemas veio da parte mecânica do carro. Eu preferiria que fossem erros meus porque poderia aprender com eles. Quando as falhas não são suas, é mais duro mentalmente porque você precisa continuar a fazer as coisas do mesmo jeito."

Na sua avaliação, a sua oitava temporada na F-1 foi "maluca". "Comecei bem o campeonato, com duas vitórias em seis corridas. Vencer em Mônaco foi muito importante para a minha carreira. Mas, desde então, não consegui mais subir ao pódio. Foi muito azar. É um ano muito desafiador", afirmou.

Mas ele se mantém otimista mesmo vindo de dois abandonos seguidos, nos Estados Unidos e no México. "Com certeza, fiquei irritado quando erros aconteceram. Mas normalmente eu percebo horas depois, ou na manhã seguida, que a vida é muito boa. Apenas tento ser grato a tudo", diz o piloto, que admitiu ter exercitado bastante a paciência neste ano. "Eu tenho muita paciência, às vezes até demais", afirma, entre risos.

E não disfarça o clima de despedida na Red Bull, que ainda defenderá no GP do Brasil, em Interlagos, neste fim de semana, e em Abu Dhabi, no fim do mês. "Vou levar comigo muitas boas memórias. Aprendi muito com a equipe, como as coisas funcionam, e também o lado dos negócios e do marketing, o engajamento com o público", diz Ricciardo, justamente durante um dos eventos de marketing do time austríaco, em São Paulo.

Em quadra localizada numa praça na zona oeste da capital, ele e Verstappen se divertiram batendo bola na companhia de duas jogadoras do Santos, Ketlen e Kelly, e dois especialistas em futebol freestyle. Ricciardo mostrou menos intimidade com a bola do que o piloto holandês. "Gosto mais de jogar futebol no videogame, às vezes com o Felipe Massa", diz, referindo-se ao seu vizinho em Montecarlo. "Eu o venci da última vez, ele não ficou muito feliz", gargalha.

Sem maior sucesso no futebol, o australiano se diz mais fã de tênis e de MMA. "Sou obcecado por UFC", revela Ricciardo, ao apontar um brasileiro como um dos seus lutadores favoritos. "É o Paulo Costa [mais conhecido como Paulo Borrachinha]. Ele é muito bom, está invicto até agora."

Fora das pistas, Ricciardo está investindo o seu tempo em duas frentes distintas: uma competição de kart para crianças de baixa condição econômica, na Inglaterra, e uma cervejaria especializada em bebida artesanal. "Eu estou no automobilismo há 20 anos. E aprendi neste esporte que é muito importante ter outros interesses, como faz Lewis (Hamilton). Se você pensa em automobilismo todos os dias, durante o ano inteiro, você fica esgotado. É impossível", afirma. "Então, você precisa de outros interesses e a cervejaria foi algo que me pareceu muito legal."

O australiano é sócio do britânico Jenson Button, campeão mundial da F-1 em 2009, na cervejaria. "Gostamos de cerveja e decidimos criar uma que as pessoas gostem, de diferentes estações, porque se trata de uma craft beer (cerveja artesanal), tem uma de inverno, outra de verão. É algo novo que estamos tentando, mas é claro que, se for bem-sucedido, vamos fazer dinheiro. Ao mesmo tempo, é algo para manter a mente longe do automobilismo", afirma o piloto, acostumado a celebrar suas vitórias ao fazer de sua bota uma caneca para beber o champagne no pódio.

Novo "empresário" do ramo, o piloto já provou marcas brasileiras. Sem lembrar do nome delas, pediu ajuda à reportagem. E não escondeu a empolgação pela chance de "conhecer melhor o mercado" do Brasil. Fez questão de agradecer a "ajuda" com um "obrigado", em bom português, sem perder seu sotaque australiano.

Estadão Conteúdo

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