PUBLICIDADE

Toto e Horner podem dificultar entrada de Andretti na F1?

Chefes temem que divisão dos prêmios da F1 por mais uma equipe diminua suas receitas. Sucesso do GP de Miami pode jogar contra Andretti

14 mai 2022 12h18
| atualizado em 15/5/2022 às 19h25
ver comentários
Publicidade
Toto Wolff e Christian Horner devem fazer oposição à entrada da Andretti na F1
Toto Wolff e Christian Horner devem fazer oposição à entrada da Andretti na F1
Foto: Parabólica / Chistian Horner e Andretti Autosport

Um dos assuntos mais comentados nos bastidores da Fórmula 1 nos últimos meses é o interesse de Michael Andretti em levar sua equipe à categoria. Seria a cereja do bolo da Andretti Autosport, que participa de diversas categorias mundo afora, como Indycar, Indy Lights, Formula E, Extreme E e Supercars.

No fim de 2021, a Andretti esteve muito perto de adquirir a Sauber-Alfa Romeo, mas o negócio acabou cancelado nos acréscimos do segundo tempo por questões contratuais que dizem respeito ao controle das operações. Mas o dinheiro estava ali, o que fez com que Michael não desistisse de sua ideia de ingressar à F1. Porém, sem conseguir comprar um time, o plano agora é outro: entrar como uma 11ª equipe.

Como falamos nesse artigo, Michael Andretti aproveitou a passagem da Fórmula 1 por Miami para fazer sua política. O ex-piloto se reuniu com o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e com chefes de equipe para vender seu peixe e tentar convencê-los de que uma equipe americana com a tradição e o nome de sua esquadra poderiam ser uma adição importante para a categoria fincar de vez os pés no país da América do Norte.

Michael saiu otimista dos encontros e até revelou os planos de começar a construção de uma sede para sua futura equipe de Fórmula 1 já em agosto desse ano, mesmo antes de ter uma confirmação de que sua entrada será aceita na categoria. A sede seria em Indianápolis, EUA, e trabalharia em conjunto com uma unidade na Europa.

Desde a revisão do Pacto de Concórdia de 2020, a FIA estipula que uma nova equipe deve aportar 200 milhões de dólares para ingressar no seleto clubinho de equipes da F1. Esse montante serviria como uma compensação às 10 equipes existente, que passariam a dividir o bolo em 11 pedaços, e não mais em 10. Andretti afirma ter o dinheiro necessário para esse aporte – ainda que pleiteie um desconto –, mas esse pode ser o grande obstáculo de sua postulação.

Toto Wolff e Christian Horner pensam da mesma forma quanto à entrada de uma nova equipe
Toto Wolff e Christian Horner pensam da mesma forma quanto à entrada de uma nova equipe
Foto: Christian Horner / Instagram

Oposição interna importante
O otimismo de Andretti contrasta com a visão de dois dos principais nomes da F1 atual: Toto Wolff e Christian Horner, chefes da Mercedes e da Red Bull, respectivamente. Para os dois mandatários, a taxa de 200 milhões não será suficiente para compensar a perda de receita que a entrada de uma nova equipe pode significar para seus times.

“Temos 10 entrantes atualmente, dividimos os prêmios entre esses 10. Investimos valores consideráveis nos últimos 10 anos. Cada organização aqui colocou, provavelmente, mais de um bilhão [de dólares] em seus projetos de Fórmula 1 nesse período”, afirmou Wolff, segundo a Autosport.

E seguiu: “Precisa somar. Se um time chega, como você pode demonstrar que ele está trazendo mais dinheiro do que está custando. Porque um 11º time significa uma diluição de 10% para todos os outros. O valor da Fórmula 1 é que é uma quantidade limitada de franquias, e não queremos perder isso só para adicionar mais equipes.”

Horner foi pela mesma linha, deixando claro que os 200 milhões de dólares estipulados podem ser pouco: “É a primeira vez que me lembro de termos 10 equipes saudáveis [financeiramente]. Os 200 milhões são uma quantia significante. Mas, nesse negócio, quando você divide pelos participantes, isso não vai longe. É uma vez só, não são 200 milhões por ano. No fim das contas, conversas desse tipo sempre vão para o lado da economia.”

Para o comandante da Red Bull, talvez seja necessário diluir prêmios da nova equipe para compensar a perda dos antigos: “Se querem mais equipes, obviamente vão ter que diluir a participação deles no fundo.  Porque seria injusto esperar que as outras equipes paguem por novos entrantes indiretamente.”

Mas, mesmo entre os chefes de equipe, há quem apoie a empreitada de Michael. É o caso de Zak Brown, norte-americano e CEO da McLaren: “O nome Andretti tem uma enorme história na F1 e em várias formas de automobilismo, e acho que adicionaria muito valor. Uma equipe com muita credibilidade, uma marca com enorme credibilidade, com os recursos certos, acho que adicionaria ao esporte.”

GP de Miami foi sucesso de público
GP de Miami foi sucesso de público
Foto: Red Bull / Twitter

Sucesso o GP de Miami pode jogar contra, não a favor
Como dito anteriormente, os maiores argumentos de Michael Andretti para convencer FIA e equipes de sua entrada na F1 são a tradição e popularidade de sua equipe junto ao público americano. Levar um piloto local, como é o caso de Colton Herta, pode ser mais um trunfo de Andretti para ajudar a categoria a se consolidar nos Estados Unidos.

A expansão para o oeste é justamente o que a Liberty vem fazendo desde que assumiu o controle da F1. Esse ano são duas corridas nos EUA, ano que vem serão três. Mais uma equipe americana (além da pequena Haas) agregaria valor por lá, certo? Bom, não necessariamente.

O que se fala nos bastidores é que o sucesso de público do GP de Miami, com ingressos esgotados e audiência elevada, e uma possível repetição disso em Las Vegas (ou mesmo números ainda melhores) são um sinal de que a Fórmula 1 está conseguindo alcançar seus objetivos de crescimento nos Estados Unidos. Com isso, que talvez não haja necessidade de mais uma equipe americana nesse processo.

Andretti, que declarou que não vai desistir fácil de seu projeto, terá que fazer um belo esforço de convencimento junto aos times e lideranças da categoria. A oposição é forte, mas seus argumentos (e recursos) também o são. A entrada da Andretti Autosport na Fórmula 1 ainda é incerta. De certo mesmo, só que esse assunto ainda vai render bastante nos próximos meses...

Parabólica
Publicidade
Publicidade