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Se Russell é melhor cartada da Mercedes, realidade é simples: Hamilton vai renovar

Lewis Hamilton tem toda a vantagem na negociação por um novo contrato com a Mercedes. E a equipe até tenta jogar cartas diferentes, mas a força destas parece bem baixa...

21 jan 2021
04h01
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Lewis Hamilton sobrou neste sábado de classificação do GP do Bahrein
Lewis Hamilton sobrou neste sábado de classificação do GP do Bahrein
Foto: Mercedes / Grande Prêmio

Histórias, quando bem contadas, parecem muito mais dramáticas do que foram na realidade. Pode ser quando se passa no boca a boca, no telefone sem fio, situações em que a cada repasse, uma nova informação é acrescida, e os contornos se tornam fantasiosos, mas muito mais emocionantes; ou pode ser quando os envolvidos são bons no chamado 'storytelling, capazes de criar narrativas espetaculares para situações tediosas. A aposta do GRANDE PRÊMIO (repare bem no uso da palavra 'aposta': não estamos cravando nada) para o lenga-lenga da renovação entre Lewis Hamilton e Mercedes é essa: vai rolar, vai acontecer, mas a demora cria tensão, expectativa, mídia, exposição. Fica mais divertida, nos faz escrever mais (veja, este texto é um exemplo claro) e, ao final, acontece o óbvio. E se o final é comum, algo na historinha deve nos entreter…

São 19 vagas ocupadas para o grid da Fórmula 1 no momento. Falta uma. A da Mercedes. De seu piloto principal. E a assinatura não sai. Alguns jornalistas europeus, com mais acesso que nós, pobres brasileiros distantes, falam que a questão é o valor do contrato: Hamilton quer € 45 milhões (R$ 293,7 milhões), dizem uns, enquanto outros afirmam que o valor é levemente menor, € 40 milhões (R$ 261,1 milhões). O problema, sendo este o caso, seria Mercedes e Daimler não parecendo ter vontade de gastar tanto. Veja: vontade. A grana, eles têm. E o piloto sabe disso.

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Quem mais taças? Mantenha o homem (Foto: Mercedes)

E outra, ele merece: heptacampeão do mundo, só ele e Michael Schumacher. Com chances - e favoritismo automático assim que renovar - de ser octa? Só ele. A Mercedes realmente faria jogo duro para perdê-lo no provável ano do recorde individual? Não há a menor chance.

Há quem diga, porém, que a questão é a durabilidade do contrato, não os valores. Pode ser, claro. Mas, bem, não é: Hamilton vai ficar na F1 por quanto tempo quiser, na equipe que quiser. Com as mudanças no regulamento para 2022, por que a Mercedes iria se arriscar com pilotos mais inexperientes, se tem o primeiro passo para a manutenção do domínio, que é o melhor piloto do grid?

Matéria do jornal holandês De Telegraaf afirma que o britânico quer assinar como sempre assinou: de forma plurianual. Desde que chegou a Mercedes, Hamilton já fez contratos com duração de três e dois anos. Mas a equipe, segundo a reportagem, quer que ele assine por uma temporada, apenas. O problema seria o dinheiro. Mas, com ele octa, e as trocas nas regras, valeria a pena gastar menos com alguém pior?

Toto Wolff pode ficar calmo (Foto: Mercedes)

Podemos ficar nos detalhes, também: Hamilton diz que "muita peças estão se mexendo"; seu pai, Anthony, afirmou que, "até onde sabe" o filho vai continuar correndo; Toto Wolff, o chefe, diz que segue na espera, e que só precisa de um dia para tudo ser assinado.

Não é improvável que, caso a situação seja de fato caótica, nada tenha vazado de negativo? Por quanto tempo todos ficariam sem dar com a língua nos dentes, sem deixar escapar um detalhezinho que faça todos duvidarem do acerto?

Bem, e aí tem a história da cartada final da Mercedes - aquela que forçaria Hamilton a aceitar menos dinheiro, que o faria temer pelo futuro. E essa cartada é… Um piloto que tem, em dois anos de categoria, três pontos em sua soma total.

George Russell brilhou no GP de Sakhir pela Mercedes, é verdade (Foto: Mercedes)

Russell tem futuro. Provavelmente seja, na verdade, o futuro da Mercedes. Mas não é o presente. Muito menos com Valtteri Bottas herdando o posto de primeiro piloto. Hamilton sabe disso: que Russell é seu substituto natural na equipe, mas que só entra como estrela quando ele sair.

Se a cartada para botar medo é ameaçá-lo com um piloto de quase 23 anos, idade na qual, inclusive, ele conquistou um título, Hamilton vai dar de ombros e seguir a negociação com toda a vantagem do mundo.

Vai assinar quando quiser, pelo dinheiro que quiser - ou quase, afinal, é bom dar uma agradada nos chefes também - e, na pista, vai ser o favorito novamente. Russell que espere, Bottas que siga como segundo piloto. Não há cartada que tire Hamilton do jogo. Ao menos, nenhuma visível no momento.

Claro, se a renovação não chegar, Hamilton se aposentar, ou pintar em outra equipe tirando a vaga de alguém, esqueçam este texto. Se até o heptacampeão comete alguns errinhos nas pistas, a gente também…

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