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Pista 'verde' e pneus mais macios até criam desordem em Sóchi. Mas não para Mercedes

Como esperado, a Mercedes ditou o ritmo nesta sexta-feira de treinos livres do GP da Rússia. O desempenho até surpreendeu Lewis Hamilton, dadas as condições particulares do asfalto do Parque Olímpico. E a tendência é que os homens de preto apareçam imbatíveis

25 set 2020
18h34
atualizado às 20h34
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O finlandês liderou as duas sessões de treinos livres no circuito russo
O finlandês liderou as duas sessões de treinos livres no circuito russo
Foto: Mercedes / Grande Prêmio

Desde que o GP da Rússia entrou no calendário da F1 em 2014, só dá Mercedes por lá. É bem verdade que, no ano passado, a Ferrari ameaçou a soberania da equipe alemã, mas acabou vítima de sua própria ambição. Lewis Hamilton, sempre ele, tirou proveito do bate-cabeça italiano e levou a corrida. Agora, o Mundial chega ao Parque Olímpico de Sóchi diante de um domínio ainda maior da marca da estrela. Portanto, não foi nenhuma surpresa observar os dois carros no comando das ações. Talvez o único choque tenha sido realmente a considerável vantagem entre Valtteri Bottas, o líder da sexta-feira, e Hamilton para o restante. A diferença de mais de 1s para Daniel Ricciardo, o terceiro, chamou atenção e surpreendeu até o homem que caminha a passos largos para se tornar o maior vencedor da história.

"Estou um pouco surpreso com a margem que temos sobre o resto do grid, porque não foi um dia fácil para nós também. A tração é ruim e escorregamos muito, por isso estou surpreso ao ver essa diferença, significa que foi ainda pior para os nossos rivais. Mas acho que a pista amanhã vai progressivamente ficar mais emborrachada, então a diferença está destinada a diminuir", disse Hamilton, sem nem tentar esconder o favoritismo que sua equipe detém.

Mas esse cenário todo tem explicação, ainda que a performance dos hexacampeões pareça inabalável.

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Parte dessa disparidade pode ser justificada por três fatores: o asfalto do circuito russo, as rajadas de vento durante todo o dia e a escolha de pneus da Pirelli. Naturalmente, a pista de Sóchi é pouca usada, o que sempre cria alguma dificuldade em termos de níveis de aderência. Só que a F1 encontrou um traçado ainda mais verde do que o de costume. Essa particularidade acontece porque o evento conta com menos categorias de base - somente a Fórmula 2 acompanha o campeonato principal, o que reduz o trabalho de melhora da qualidade da pavimentação. Então, com o piso pouco emborrachado, os pilotos encontraram o limite mais cedo, daí tantas escapadas e saídas de pista, inclusive de Hamilton. Esse é um ponto que só deve melhorar completamente no domingo.

Os ventos também ajudaram a tornar mais difícil o acerto nesta sexta-feira. Então, alguns décimos foram perdidos ao longo do dia, devido às mudanças constantes de direção das rajadas.

Outro elemento que pregou peças nas equipes foi a borracha. Como já aconteceu nesta temporada, a fornecedora única optou por pneus um estágio mais mole do que normalmente é recomendado. E o impacto dessa decisão foi visto rapidamente com o desgaste acentuado dos vermelhos - o C5, que vem a ser o composto mais macio de toda a gama da Pirelli. Esse artifício deve ditar também as regras neste fim de semana, porque muita gente enfrentou problemas de bolhas ao longo das simulações de corrida e classificação, lembrando muito o que ocorreu na segunda prova, em Silverstone.

Daniel Ricciardo foi o melhor do resto nesta sexta-feira de treinos livres (Foto: Renault)

Portanto, essas condições combinadas tornaram a vida do pelotão intermediário e da Red Bull bem mais complicada - desta vez, a equipe austríaca está descolada da Mercedes. Há uma expectativa de que a pista melhore, mas só isso não deve ajudar o bloco a se aproximar dos alemães, embora vá criar um cenário de desordem. E a estratégia será decisiva.  

Acontece que ninguém foi melhor ou chegou perto da Mercedes. Mesmo sofrendo com o piso e os pneus, a equipe de Toto Wolff apresentou uma performance avassaladora em ritmo de classificação. E só não foi melhor porque ambos os pilotos brigaram com a aderência e o asfalto, perdendo tempo em seus melhores giros. A exemplo do restante do grid, Hamilton e Bottas também tiveram problemas com o composto macio. A força dos carros pretos está no pneu duro. O finlandês impôs um sólido desempenho em ritmo de corrida. Isso deve se estender a Lewis, muito embora o inglês não tenha ficado especialmente satisfeito com sua própria atuação.

E quem aparece logo depois? Max Verstappen já ligou o alerta: tem clara preocupação com a Renault. De fato, Daniel Ricciardo foi o terceiro do dia, longe da Mercedes, mas ostentando uma interessante liderança: Carlos Sainz colocou a McLaren em quarto, a menos de 0s2 do australiano. Depois, surgiram Lando Norris e Sergio Perez. O holandês apareceu apenas em sétimo, seguido da Ferrari de Charles Leclerc, Esteban Ocon e Sebastian Vettel. Não dá para descartar ninguém aí, e os energéticos terão uma dura concorrência.

A Red Bull terá a companhia da Renault e da McLaren na busca pelo posto de segunda força do grid na Rússia (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

"Como esperado, houve alto desgaste no composto macio, com algumas bolhas sendo observadas no dianteiro esquerdo. Atrás da Mercedes, que foi particularmente impressionante com os compostos mais duros, o ritmo parece estar muito próximo e as lacunas de desempenho entre os pneus sugerem que muitas estratégias diferentes são possíveis. Essas táticas, é claro, começam na classificação de amanhã: será interessante ver quais equipes se sentem confiantes para passar o Q2 com o composto médio", afirmou Mario Isola, o chefão da Pirelli.

A verdade é que apenas os dois carros pretos, novamente, vão brigar pela pole neste sábado. Tal qual na última corrida, a disputa será nos centésimos. E isso vai se replicar no bloco do meio. Agora, a corrida pode contar uma história bem diferente.

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