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Pérez alerta contra protagonismo crescente das redes sociais: "Algo além da conta"

Sergio Pérez é o terceiro piloto da Fórmula 1 a alertar, nos últimos tempos, contra os perigos das redes sociais, fazendo coro a Carlos Sainz e Nicholas Latifi

11 jan 2022 05h02
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Sergio Pérez não escondeu sua preocupação com as redes sociais
Sergio Pérez não escondeu sua preocupação com as redes sociais
Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

O QUE QUEREMOS VER NA PRÓXIMA TEMPORADA DE 'DRIVE DO SURVIVE'?

Nos últimos anos, sobretudo depois que o Liberty Media assumiu a gestão da Fórmula 1, em 2017, as redes sociais ganharam importância cada vez maior em termos de melhor comunicação com o público, sobretudo com os fãs mais jovens. Ao mesmo tempo, as plataformas digitais revelaram seu lado negativo, e isso se tornou ainda mais explícito diante da duríssima batalha travada por Lewis Hamilton e Max Verstappen pelo título em 2021. Racismo, intolerância e agressões marcaram os embates virtuais. Para piorar, Nicholas Latifi, também por meio das redes sociais, foi até ameaçado de morte depois de ter provocado a batida que mudou a história do GP de Abu Dhabi e, por consequência, da decisão do título.

Sergio Pérez, um dos pilotos mais experientes do grid, vai para sua 12ª temporada na Fórmula 1 nesta temporada, é de um tempo em que as redes sociais não tinham o protagonismo de agora e se mostrou em alerta diante do cenário atual das plataformas digitais.

"Acho que as redes sociais se tornaram algo além da conta nos últimos anos", disse o mexicano em entrevista ao podcast publicado pela TAG Heuer, patrocinadora da Red Bull.

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Sergio Pérez foi mais um a alertar para a negatividade das redes sociais (F1: Dan Istitene/Getty Images/Red Bull Content Pool)

'Checo' se mostrou preocupado sobretudo pelo tempo que uma pessoa é capaz de passar no celular, imerso nas redes sociais.

"E não acho que seja somente para esportistas, o mesmo se aplica a pessoas normais. A quantidade de tempo que passamos nisso durante um dia é simplesmente, acho, inaceitável. Então, não sou um grande fã disso, tenho de dizer", declarou.

"É uma ótima ferramenta, como atleta, para me engajar com os fãs, com as marcas, mas tudo tem de ter limite, tem de ter um equilíbrio", explicou.

Pérez defendeu que exista racionalidade no uso das plataformas digitais. "É importante ter certeza de que você controla a quantidade de tempo também, não somente como esportista, mas como ser humano, para garantir que você controla o tempo em que se dedica a isso e tenta minimizá-lo".

O mexicano, que vai completar 32 anos no próximo dia 26 de janeiro, fez coro a Carlos Sainz, que se solidarizou com o colega Nicholas Latifi após o canadense sofrer ameaças de morte em razão do ocorrido em Abu Dhabi.

"As ameaças feitas a Latifi são a dura e cruel realidade que convivemos hoje em dia nas redes sociais", disse. "Antes de Abu Dhabi, vocês me pediram para escolher um lado entre os dois [Verstappen ou Hamilton], mas eu nem ousei fazer isso exatamente por essa razão", revelou.

"As mídias sociais hoje em dia são totalmente polarizadas e as coisas são escritas sem nenhum controle", ressaltou. "É algo que me preocupa e já vimos em anos recentes que é difícil de controlar e entender", disse o piloto da Ferrari.

Sainz ainda lembrou de um protesto feito pelos pilotos da Fórmula 1, que se retiraram completamente das redes sociais durante um final de semana inteiro na época do GP de Portugal de 2021. No entanto, o espanhol teme que as coisas continuem exatamente do mesmo jeito que antes e pediu por atitudes.

"O fato é que os pilotos já foram para um final de semana inteiro sem redes sociais para tentar aumentar a conscientização", comentou. "Espero que as mídias sociais no futuro consigam controlar essas pessoas, já que é algo que eu particularmente não gosto de ver e não compreendo totalmente. No final das contas, vai se tornar um hábito para os atletas. Ofereço todo meu apoio ao Nicholas", encerrou.

Latifi se mostrou resignado e, ao mesmo tempo, assustado com o ódio expresso nas redes sociais. "O ódio, o abuso e as ameaças subsequentes nas redes sociais não foram realmente uma surpresa para mim, já que é a dura realidade do mundo em que vivemos agora. Não estou desacostumado com mensagens negativas online, assim como todas as pessoas que competem em nível mundial, que sabem que passam por um escrutínio extremo, algo que vem no pacote às vezes. Mas vemos de tempos em tempos, nos mais variados esportes, só é preciso um incidente no momento errado para as coisas saírem de proporção e extraírem o pior das pessoas que se dizem 'fãs' do esporte. O que mais me chocou foi o tom extremo de ódio, abuso e até mesmo as ameaças de morte que recebi", seguiu.

"As pessoas terão suas opiniões, tudo bem. Ter o couro forte faz parte de ser um atleta, especialmente quando você está constantemente sendo avaliado. Mas muitos dos comentários que recebi na semana passada ultrapassaram o limite de algo muito mais extremo. Me preocupa como outro alguém pode reagir ao mesmo nível de abuso que foi direcionado a mim. Ninguém deveria permitir que as atividades de uma minoria barulhenta ditar quem eles são. Os eventos da semana passada me fizeram ver o quão importante é trabalharmos juntos para impedir que este tipo de coisa aconteça e apoiar aqueles que recebem [essas mensagens]. Se que é improvável que eu convença aqueles que agiram desta forma comigo a serem diferentes ― e eles podem até mesmo tentar usar essa mensagem contra mim ―, mas o certo é denunciar este tipo de comportamento e não ficar em silêncio", concluiu o piloto canadense da Williams.

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