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Opinião GP: Verstappen golpeia forte Hamilton e dá passo importante rumo ao título

A Red Bull driblou a Mercedes na estratégia e teve em Max Verstappen o ponto decisivo de uma vitória que coloca o holandês no caminho da taça. Agora, a equipe alemã terá de reagrupar as tropas e revisar as falhas. Os 12 pontos de desvantagem ficam ainda mais pesados diante da perspectiva de que as duas próximas etapas são corridas que tendem a beneficiar os taurinos

25 out 2021 04h02
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Max Verstappen venceu nos EUA
Max Verstappen venceu nos EUA
Foto: Beto Issa / Grande Prêmio

A surpreendente classificação de sábado foi o primeiro sinal de que a disputa no Circuito das Américas não seria nada óbvia. Ao contrário, o cenário já desenhava um duelo tenso e ardiloso. Isso porque a Red Bull pegou a Mercedes no contrapé ao dar a Max Verstappen a chance de cravar a pole. Sergio Pérez aproveitou bem o momento para se colocar em terceiro, enquanto Lewis Hamilton precisou se contentar com o segundo posto do grid em um fim de semana que começou promissor para os lados de Brackley. Acontece que, como nada é o que parece em 2021, os taurinos guardaram o melhor para o domingo, mas também tiveram de arriscar. No fim das contas, o risco compensou e se transformou em um duro golpe para a equipe que tinha esperanças de virar o jogo em um EUA que parece ter enfim se rendido à Fórmula 1. E a vitória de Verstappen é um marco importante não só para a briga pelo título, mas também para a trajetória do holandês em 2021.

É importante dizer aqui que a Mercedes trabalhou bem com o que tinha, mas os adversários também possuíam lá suas armas. E tudo começa na excelente largada de Hamilton. O inglês cumpriu o primeiro grande obstáculo ao superar Verstappen após a primeira curva. Só dali em diante ficou claro que Max tinha ritmo, tanto que não deixou Lewis se distanciar - mais uma vez, ficou evidente a dificuldade de seguir o carro da frente, sem danificar demais os pneus e perder eficiência aerodinâmica. Mas foi aí também que a Red Bull lançou a isca ao chamar o holandês na volta 10, para a troca dos pneus médios pelos duros. Começava a tentativa de retomar a liderança. Mais do que isso, forçava a Mercedes a pensar: marcar o rival ou seguir o plano original? O pit-wall decidiu pela segunda opção.

Então, Lewis ficou mais tempo na pista e só foi chamado no 14º giro. Acontece que os estrategistas não podiam esticar demais o stint, pois havia um Pérez ainda à espreita - a Red Bull havia parado o mexicano pouco depois do holandês, numa tentativa também de fazer a Mercedes tomar uma decisão. Sem escolha, Hamilton teve de visitar os boxes e voltou atrás do rival.

Lewis Hamilton pulou para a liderança da corrida logo na largada (Foto: Beto Issa)

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Neste momento, a diferença entre eles era de 5s, chegou a 6s5, quando o dono do carro #44 começou melhorar o ritmo. Enquanto isso, Verstappen se via às voltas com um desgaste excessivo nos pneus traseiros. Então, os energéticos optaram em de novo antecipar a parada: Max retornou aos pits no giro 29, perdendo a liderança para Hamilton, que ficou na pista por mais oito giros. A intenção da equipe alemã era alongar o máximo possível esse stint e fazer com que Lewis tivesse pneus melhores para voltas finais.

Quando o britânico voltou do seu segundo pit-stop, a desvantagem para Max era de 9s. E Hamilton passou a impor um desempenho forte, descontando esse tempo volta a volta. Já Verstappen parecia estar no controle de tudo, inclusive roubando décimos do adversário aqui e ali. Os últimos giros foram de tensão de ambos os lados. Com cinco voltas para o fim, a distância entre eles era de pouco mais de 1s. Na passagem derradeira, Max foi capaz de abrir um pouquinho mais, o que foi suficiente para uma vitória insolente e brilhante.

"Realmente não achei que Max conseguiria fazer isso. Lewis estava com pneus oito voltas mais novos… Quando tiramos o primeiro jogo de pneus duros, estava quase na lona. Pensamos que não ia ter muito sobrando no fim, mas Max gerenciou os pneus no último stint e conseguiu fazer durar para as últimas cinco voltas", disse o chefe Christian Horner à emissora inglesa Sky Sports.

"Todo mundo sabe que Lewis é muito forte no final das corridas, e ele tinha uma vantagem por fazer um stint mais longo. Perder nas últimas voltas teria sido doloroso, mas Max segurou e fez um grande trabalho. Controlou tudo de maneira inteligente até o fim", completou.

De fato, Verstappen não cometeu erros e gerenciou muito bem os pneus, além do ataque do rival e um jogo mental fortíssimo no fim. Foi um triunfo que pode significar mais tarde um ponto decisivo nesta intensa batalha. É claro que não há nada garantido, a disputa está muito aberta ainda, mas a forma como essa conquista se deu coloca os taurinos em uma posição privilegiada nesta reta final de campeonato. Outro ponto importante é que a atuação em Austin também representa uma derrota amarga para a Mercedes e Hamilton - especialmente o inglês, que fez tudo que tinha de fazer, mas que simplesmente não foi o bastante. Acontece.

Max Verstappen teve de segurar Lewis Hamilton até os metros finais do GP dos EUA (Foto: Red Bull Content Pool)

"Tivemos algumas estratégias bem interessantes na corrida de hoje. Foi uma boa corrida. Acreditamos que chegaríamos lá, mas não foi o suficiente. É difícil quando você se aproxima do outro carro", comentou Toto Wolff. "Eles fizeram uma primeira parada agressiva, e isso foi muito ousado. Eles mereceram a vitória hoje", assumiu o chefe da Mercedes.

"Começamos muito bem na sexta-feira, saímos dos trilhos no sábado e nos recuperamos durante a corrida. Para a gente, a segunda colocação é melhor do que eu imaginava", acrescentou.

Agora 12 pontos separaram os dois protagonistas do Mundial. É uma diferença considerável, levando em conta o equilíbrio de forças da temporada. A esquadra alemã perdeu uma chance extraordinária de virar o placar em uma pista que costuma dominar, então essa desvantagem é ainda mais pesada. E tudo fica mais complexo quando se coloca em perspectiva e percebe-se que as próximas duas etapas, México e Brasil, são circuitos em que a Red Bull normalmente se dá muito bem. A boa notícia para os heptacampeões é que vão ter tempo até a F1 viajar novamente. Certamente, é uma boa oportunidade para reagrupar as tropas e tentar devolver a derrota. Isso porque os energéticos já parecem no rumo da taça.

A próxima etapa da temporada 2021 da Fórmula 1 acontece dentro de duas semanas com o GP do México, no autódromo Hermanos Rodríguez, em 7 de novembro. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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