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Opinião GP: Só quebras tiram chance de bi de Verstappen. Ferrari tem preocupações maiores

Max Verstappen conquistou uma vitória importante na Espanha. O abandono de Charles Leclerc permitiu também que o holandês assumisse a liderança de um campeonato que parecia mais difícil. A Red Bull se encontrou, enquanto a Ferrari tem muito mais a se preocupar

23 mai 2022 04h02
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Max Verstappen celebra vitória e liderança na F1
Max Verstappen celebra vitória e liderança na F1
Foto: Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

A RED BULL CHEGOU ao fim de semana do GP da Espanha preocupada com a Ferrari. Os vermelhos prepararam um amplo pacote de atualizações com o objetivo de sanar as pequenas imperfeições da F1-75, tirando proveito de um circuito exigente do ponto de vista da borracha e que também pede eficiência aerodinâmica. Inicialmente ficou provado que o ritmo de classificação era a grande arma dos ferraristas - a verdade dos fatos se deu com a pole de Charles Leclerc -, só que havia mais. Ao longo do fim de semana espanhol, os italianos foram capazes de dar desempenho em corrida ao carro. Além disso, foi possível tratar melhor os pneus. Ou seja, o roteiro desenhado apontava para o sucesso vermelho. No fim e apesar da fala otimista de Mattia Binotto, a Ferrari terminou o domingo mais preocupada que os taurinos.

De fato, as novidades introduzidas no carro vermelho foram importantes e funcionaram bem, mas foi necessário também um trabalho de paciência no decorrer de treinos e classificação. E até de um certo risco. O acerto de corrida foi finalizado na última sessão antes da definição do grid. Foi ainda nesse momento que a equipe decidiu poupar um jogo extra de pneus macios com Leclerc, pensando na largada. Deu muito certo porque o monegasco conquistou a pole com maestria e, no apagar das luzes no grid, foi assertivo. Tomou a ponta de início e passou a comandar a disputa, tendo pneus novinhos para isso. Desta vez, o fantasma do desgaste da borracha não atormentou.

O caso é que ninguém acompanhou Leclerc. Enquanto abria caminho, seu maior rival se via em apuros, depois de uma estranha escapada do traçado. Max Verstappen perdera duas posições e tentava se recuperar, mas jamais apresentou performance parecida a de Charles. Só que esse enredo durou até a volta 27, quando a unidade de potência acusou o golpe.

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E esse é só um dos problemas que o GP da Espanha fez surgir dos boxes ferraristas. A confiabilidade era até então um dos pontos mais fortes da Ferrari em 2022. Porém, em Barcelona, foram três incidentes envolvendo o motor: Valtteri Bottas e Guanyu Zhou enfrentaram falhas em momentos diferentes do fim de semana. Na corrida, para a infelicidade dos italianos, aconteceu com Charles. "Tivemos de retirar o carro de Charles por conta de um problema na unidade de potência ainda não identificado", disse a equipe em comunicado oficial.

Com certeza é algo que passa a preocupar Enrico Gualtieri, o homem que gerencia o setor de unidade de potência em Maranello. Mas há mais. O abandono por si só já é um motivo de reagrupar as tropas e tentar entender as razões para a falha. No entanto, há outro fator que parece desequilibrar os boxes ferraristas. Carlos Sainz ainda não se encontrou com essa F1-75 e parece sofrer com uma parceria mais forte de Charles em 2022.

Novamente, o espanhol teve um desempenho aquém. Além da má largada, ainda cometeu um erro que o jogou para longe. E mesmo que tenha se recuperado, graças à estratégia o time, o quarto lugar é muito pouco diante do que a Ferrari pode conquistar nesta temporada. Em um dia em que Charles está fora, Sainz tem de aparecer. O pódio já seria um resultado enorme. E como não é uma falha pontual, certamente a cobrança em cima do madrilenho deve se intensificar, uma vez que a Red Bull já crava a segunda dobradinha do campeonato. Então, a luz amarela que piscava em Maranello agora brilha à distância.

Carlos Sainz rodou sozinho na curva 4 (Foto: Reprodução/F1 TV)

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Do outro lado, o triunfo foi muito comemorado porque veio em uma corrida agitada, marcada também por erros e mudanças de estratégia. Mas a Red Bull e, especialmente, Verstappen, entregaram aquilo que se esperava deles. Quando Verstappen disse que levaria tempo para alcançar Leclerc, após o abandono na Austrália, talvez não imaginasse o cenário de agora e nem uma Ferrari tão errática. Mas isso é um mérito do próprio holandês.

Diz muito sobre o campeão o fato de ter vencido todas as corridas que terminou em 2022. Max segue no topo do seu jogo. Ainda que entenda o campeonato de forma mais paciente, Verstappen sabe aproveitar as oportunidades que se abrem e jamais desiste da briga. Desta vez, contou ainda como uma estratégia certeira da Red Bull que o colocou em vantagem após a saída de pista que teve ainda com 11 voltas de prova.

Após o erro e com uma falha crônica do DRS - de novo -, Max se viu atrás do companheiro Sergio Pérez e de um George Russell invocado. É claro que o mexicano não seria problema, mas o inglês se tornou um osso duro de roer. Foi quando os engenheiros da Red Bull interferiram e anteciparam o pit-stop do #1. Isso permitiu que Verstappen recuperasse o tempo com os pneus macios e, na segunda parada, tivesse a chance de voltar à frente do piloto da Mercedes.

Max Verstappen venceu a terceira seguida (Foto: Red Bull Content Pool)

Dito e feito, daí em diante, o taurino voou e, de novo, não encontrou resistência de Pérez, para assumir a liderança e vencer o GP da Espanha, que o coloca agora na ponta do Mundial, com 6 pontos de vantagem para Leclerc.

Verstappen e a Red Bull tomam a dianteira em um momento importante do campeonato, porque era a hora da Ferrari reagir, diante das atualizações e do que Charles mostrava em pista.

Então, é um recado forte dado pelos energéticos. Que também têm seus pequenos problemas a resolver. E é aí que mora a esperança da Ferrari, porque, até aqui, só a confiabilidade parece ser o fiel da balança e o que pode tirar Max da luta pelo bicampeonato.

GRANDE PRÊMIO cobre in loco as ações da categoria no Circuito de Barcelona-Catalunha com Eric Calduch. A Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 27-29 de maio com o GP de Mônaco, nas ruas de Monte Carlo.

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