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Opinião GP: Metade de 2021 entrega prometido em F1 cheia de glória e lágrimas

O GP da Hungria encerrou com maestria uma metade de temporada absolutamente sensacional. O surpreendente equilíbrio de forças entre Mercedes e Red Bull e a tensa disputa entre Lewis Hamilton e Max Verstappen já tornam esse campeonato o melhor desde o início da era hibrida. Realmente, a Fórmula 1 não poderia pedir mais

2 ago 2021 04h02
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Esteban Ocon celebra vitória em Hungaroring
Esteban Ocon celebra vitória em Hungaroring
Foto: Florion Goga/AFP / Grande Prêmio

Quando Esteban Ocon cruzou primeiro a linha de chegada diante de arquibancadas assombrosamente lotadas no Hungaroring, a sensação foi de que a F1 cumpriu tudo que prometeu antes do campeonato começar e foi um pouco além. Voltando alguns meses no tempo, quando todos ainda estavam no Bahrein, durante os testes, chamava atenção o fato de que, enfim, alguém faria frente à poderosa Mercedes. A verdade é que a Red Bull colocou na pista um carro veloz e consistente, enquanto os alemães tentavam entender um modelo que pouco lembrava o vencedor W11 do ano anterior. Ainda assim, alguns torceram o nariz, buscando justificativa na eterna premissa de que treino é treino e jogo é jogo. Era até justo, dado o domínio dos homens de preto na era híbrida. Só que não poderiam estar mais errados.

Os taurinos confirmaram a qualidade das atualizações feitas no projeto de 2021 e assustaram a rival. É bem verdade que a heptacampeão levou a melhor na corrida abriu as disputas, mas a impressão deixada foi que os energéticos também deixaram passar a chance de vencer. Depois disso, virou uma briga de gato e rato, entre os dois grandes nomes do ano: Lewis Hamilton e Max Verstappen. De um lado, a experiência de uma carreira altamente vitoriosa e, de outro, o desafiante talentoso, nervoso e um tanto apressado para aproveitar a chance de brigar de verdade pelo título. No topo disso, um equilíbrio técnico poucas vezes visto na F1 entre duas equipes ponteiras.

A balança do favoritismo pesou para ambos os lados em diversos momentos, entre estouros de pneu e botões mágicos a vitórias em sequência e estratégias inteligentes. A Mercedes colocou a rival na roda no início, tirando proveito dos anos de supremacia. Depois, a Red Bull respondeu e pagou na mesma moeda. Foi absolutamente soberana em pistas totalmente diferentes entre o charmoso Principado e o rápido circuito de casa, na Áustria. Enquanto isso, a adversária alemã precisou olhar para dentro de si e quase aceitar a ideia de que poderia sofrer a primeira derrota desde 2014 na F1. Mas ali havia também um heptacampeão que se negou a perder e exigiu que a esquadra desse seu jeito. E deu.

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Os dias de brinde entre Verstappen e Hamilton parecem distantes agora
Os dias de brinde entre Verstappen e Hamilton parecem distantes agora
Foto: Lars Baron/Getty Images / Grande Prêmio

A acirrada disputa levou a um toque inevitável entre os dois combatentes e desencadeou um embate ainda mais feroz, que antes vinha sendo restrito apenas aos chefes, que divertiram por semanas a audiência com trocas de farpas e acusações. Só que o acidente do GP da Inglaterra transformou tudo em uma guerra. Os taurinos chegaram a recriar o incidente para tentar mudar a punição dada a Hamilton - considerado "predominantemente culpado". A empreitada foi sem sucesso, porém. Mas tudo o que se passou desde então polarizou a F1.

E aí veio a Hungria, para fechar essa primeira parte de temporada, deixando tudo sob um suspense viciante. A fantástica corrida magiar serviu para atualizar os níveis de drama desse campeonato, como se não fosse o bastante. Esse capítulo final foi tão bem escrito que trouxe um vencedor inédito, um strike altamente polêmico, uma cena histórica e um duelo de pular do sofá. Não dá para competir com isso.

A chuva que molhou o Hungaroring pouco antes da largada foi aquele toque de inesperado. A partir daí, a prova se tornou dramática e épica. Enquanto um enlouquecido Valtteri Bottas tirou de combate os rivais diretos da Mercedes, Hamilton viu a chance de vencer escapar por uma decisão errada logo no começo. Mas é ele também o protagonista deste episódio. Depois de largada solitário no grid - o inglês optou por sair com os intermediários enquanto o resto preferiu ir aos boxes -, aproveitou a chance da redenção quando procurou os boxes antes de todo mundo.

O toque causado por Valtteri Bottas na largada do GP da Hungria
O toque causado por Valtteri Bottas na largada do GP da Hungria
Foto: AFP / Grande Prêmio

O heptacampeão teve uma atuação impecável. Entre cuidar dos pneus e superar adversários, também foi capaz de travar com um rival de outrora uma das mais belas disputas roda a roda dos últimos tempos. Fernando Alonso, 40, não se fez de rogado e como quem diz, 'respeita a minha história', vendeu caro a posição - aliás, a briga na parte final da corrida acabou também garantindo um dos desfechos mais lindos da temporada.

De todo jeito, Hamilton foi ao pódio, o que lhe devolveu a liderança do campeonato. Isso porque Verstappen, abalroado pelo encapetado Bottas, não pode ir além de um nono. É uma derrota doída para a Red Bull. Mas há jogo ainda, como essa primeira metade ensinou, e essa é a beleza desse campeonato tão único, que se dá ao direito de contar outras histórias também magníficas.

Narrativas como a da McLaren. Embora não tenha tido a chance de disputar as 70 voltas húngaras, Lando Norris faz um campeonato absurdo, ofuscando um Daniel Ricciardo que não tem mais respostas para a dificuldade de entender o carro laranja. Também é preciso falar sobre a Williams. O choro de George Russell com o primeiro ponto foi comovente, ainda mais depois da mensagem pedindo que a equipe priorizasse o companheiro de equipe, que vinha melhor. No fim, ambos somaram seus tentos.

A festa de Esteban Ocon no pódio do GP da Hungria
A festa de Esteban Ocon no pódio do GP da Hungria
Foto: AFP / Grande Prêmio

A vitória de Ocon e da Alpine é um capítulo à parte também. Saindo de oitavo, o francês se esquivou do atropelamento da curva 1, foi esperto ao parar no início, quando a pista secou, e, ao se ver líder, guiou como um veterano. Em nenhum momento, sentiu a presença de Sebastian Vettel, outro grande fator desse episódio - o tetracampeão se mostrou um ativista importante e corajoso, emprestou carisma ao pódio e é uma pena que corra o risco de perder o resultado.

Já Esteban teve um triunfo merecido e pagou a confiança depositada nele. A conquista também teve o dedo de Alonso, que segurou Hamilton por mais dez voltas, o que impediu o inglês de disputar a vitória. As palmas do bicampeão ao jovem gaulês no fim arrancaram lágrimas. Afinal, o esporte é isso também.

E essa temporada da F1 tem se esforçado em entregar de tudo um pouco: a glória, a derrota, o choro e o drama. Pensar que ainda faltam ao menos 11 etapas. Não dá para se queixar.

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