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Mercedes recua e desiste de parceria com empresa envolvida no incêndio de Grenfell

Pressão da comunidade de vítimas e sobreviventes do desastre fez com que Mercedes desistisse do patrocínio da Kingspan

8 dez 2021 09h36
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Acordo de Mercedes e Kingspan durou uma corrida apenas
Acordo de Mercedes e Kingspan durou uma corrida apenas
Foto: Mercedes / Grande Prêmio

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Menos de uma semana após anunciar um acordo de patrocínio com a gigante irlandesa da construção civil Kingspan, a Mercedes voltou atrás e anunciou que as duas partes desistiram e desfizeram o acerto. A desistência vem após pressão da comunidade envolvida com o desastre da Torre de Grenfell, em Londres.

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As duas empresas celebraram o acordo na última quinta-feira, mas horas depois o grupo Grenfell United, formado pela comunidade afetada pela tragédia que matou 72 pessoas em Londres, 2017, já manifestou o desagrado com o acerto "realmente chocante", uma vez que a investigação sobre o incêndio ainda segue em curso. Depois das vítimas, até membros do governo britânico, como o secretário nacional de habitação, Michael Gove, fizeram coro. Na sexta-feira, então, Toto Wolff, diretor-executivo da Mercedes, assinou um pedido oficial de desculpas para os membros da comunidade. Agora, cinco dias depois, o acordo termina após a Kingspan aparecer no bico do carro da Mercedes no GP da Arábia Saudita.

"As duas partes concluíram que não é apropriado para a parceria seguir em frente no momento, apesar do impacto positivo que se pretendia, e, então, concordamos em descontinuar com efeito imediato", disse o time em comunicado.

O grupo Grenfell United, que recebeu a promessa de uma reunião com Wolff no pedido de desculpas do fim de semana, conseguiu a conversa tão logo o austríaco voltou à Inglaterra após a corrida do fim de semana. Logo após o anúncio da Mercedes, comemorou a decisão.

Mercedes desistiu após pressão da comunidade afetada pela tragédia (Foto: Mercedes)

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"Estamos gratos com as notícias desta manhã de que a Mercedes encerrou o acordo de patrocínio com a Kingspan com efeito imediato. Espero que isso mande uma mensagem clara de que pessoas devem ser colocadas à frente de lucro. E, mais importante, queremos agradecer a todos que nos apoiaram e continuaram carregando nossa mensagem publicamente. Mostra, claramente, que algumas coisas podem ser atingidas por meio de um esforço coletivo. Esperamos, ainda, que sirva como um precedentes e outros repensem a relação que têm com empresas como Arconic, Celotex e Rydon, sobre quem a investigação sobre Grenfell descobriu evidências assustadoras", afirmou.

No sábado, questionado sobre o assunto, Lewis Hamilton já tinha dado indícios de que a sequência do negócio estava em dúvida.

"Não tenho nada a ver com os contratos de patrocínio da equipe a não ser o da Tommy Hilfiger, que foi a única que eu trouxe. [O acordo com a Kingspan] foi novidade para mim quando foi anunciado", disse no sábado do GP da Arábia Saudita. "Sei bem das consequências do incêndio e acompanho bem de perto todas as famílias que foram afetadas pelo que aconteceu lá. Sabemos que as manifestações e o apoio às pessoas da comunidade são grandes. Infelizmente, meu nome fica associado [ao acordo] porque fica no meu carro, mas temos de ver ainda se vai continuar assim", apontou o heptacampeão, que já usou as redes sociais para lembrar a tragédia de Grenfell em outras oportunidades.

A tragédia de Grenfell aconteceu em junho de 2017 e terminou com a morte de 72 pessoas no prédio de 24 andares. Foi o pior incêndio numa construção residencial no Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial. A investigação segue em curso mais de quatro anos depois - ninguém ainda foi preso -, mas há um ano, em novembro, de 2020, o processo estabeleceu que o revestimento metálico Kooltherm K15, produto da Kingspan, foi utilizado na torre. O produto, sabidamente para a companhia, não estava de acordo com o padrão de segurança necessário contra fogo em construções altas. Segundo o antigo diretor-técnico da Kingspan que supervisionou os testes do Kooltherm K15, o produto se tornava um "inferno ardente" em casos de incêndio. As investigações mostraram ainda que a Kingspan tem um histórico longo de negligência com relação à produtos inflamáveis e vendia o Kooltherm K15 como menos inflamável do que realmente era.

A defesa da Kingspan, que bastou para a Mercedes, é que o isolante metálico utilizado na construção e maior parte da Grenfell era de uma concorrente, e que o Kooltherm K15 foi adotado numa pequena parte do prédio após uma obra adicional e sem o conhecimento da companhia.

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