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Hamilton e Mercedes jogam Red Bull e Verstappen contra as cordas no MMA da F1

Na luta feroz travada por Max Verstappen e Lewis Hamilton, Red Bull e Mercedes, definida por Toto Wolff como MMA, o triunfo do britânico e da escuderia heptacampeã no Catar impôs um duro golpe nas pretensões dos taurinos reencontrarem o caminho dos títulos na Fórmula 1

27 nov 2021 04h00
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Max Verstappen vê rival Lewis Hamilton em alta, mas pode cravar título por antecipação
Max Verstappen vê rival Lewis Hamilton em alta, mas pode cravar título por antecipação
Foto: Clive Mason/Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

HAMILTON COM MERCEDES 'MEGA DIVA': RED BULL AINDA RESPIRA NA F1 2021?

Nesta temporada completamente imprevisível e empolgante protagonizada pelas disputas entre Max Verstappen e Lewis Hamilton e entre Red Bull e Mercedes, vários foram os momentos que penderam para um lado ou outro do corner. A rodada tripla França-Estíria-Áustria, por exemplo, foi amplamente favorável a Verstappen, que conseguiu a pontuação quase absoluta neste período. Outro momento notável foi na América do Norte, com triunfos muito importantes em Austin e na Cidade do México, em cenário que levou o holandês a abrir 19 pontos de vantagem para Hamilton. Só que a reação do heptacampeão neste embate definido por Toto Wolff como uma luta de MMA foi imediata com a vitória apoteótica no GP de São Paulo e o triunfo contundente no Catar. Um duro golpe que jogou Verstappen e a Red Bull nas cordas.

Max ainda é o líder do campeonato e vive uma condição curiosa nesta fase decisiva do campeonato. Mesmo em baixa e diante do momento esplendoroso do rival, o dono do carro #33, com 8 pontos de vantagem para Hamilton, pode levar a Red Bull ao topo da Fórmula 1 depois de oito anos com o primeiro match-point, já no próximo fim de semana, no novo circuito urbano de Jedá, na Arábia Saudita.

Hamilton e Verstappen travam uma luta feroz e imprevisível pelo título da F1 em 2021 (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

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Dente as combinações, Verstappen teria de vencer, fazer a volta mais rápida da corrida e torcer para Hamilton terminar de sexto para trás, ou então triunfar e ver Lewis fechar a prova do sétimo para baixo. Trata-se de uma combinação pouco provável, mas não impossível, ainda mais quando se leva em conta todas as nuances e surpresas desta temporada inacreditável.

Mas a questão é outra neste momento. Apesar de, na teoria, Verstappen ter o jogo na mão e depender só de si, Hamilton e a Mercedes vivem uma fase melhor, com ou sem o chamado 'motor apimentado' que será colocado em ação novamente na Arábia Saudita depois do fim de semana inesquecível em Interlagos.

A Red Bull se mostrou atordoada com o poderio da Mercedes e pela forma como Hamilton venceu, com grande facilidade, a corrida em Losail. Christian Horner, por exemplo, acusou um fiscal de pista de ter sido desonesto sobre acionar bandeiras amarelas duplas depois do incidente quer resultou no furo de pneu de Pierre Gasly. Verstappen passou pelo setor 3 da pista, não reduziu, chegou a melhorar sua volta e foi punido com 5 posições, o que despertou o inconformismo da cúpula do time de Milton Keynes.

Horner teve de se retratar ao fiscal de pista e à direção de prova da FIA ao usar o chavão "desculpe se alguém se ofendeu". A entidade máxima foi branda com o dirigente, que escapou com uma advertência e terá de comparecer a um programa de comissários da entidade no ano que vem.

Triunfo de Hamilton no Catar foi duro golpe para Verstappen e a Red Bull (Foto: Clive Mason/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Depois, Horner voltou a cutucar a Mercedes e mandou aquela indireta bem direta a Toto Wolff.  "Acredito que temos mantido nossas emoções mais ou menos sob controle, eu não ando apontando e xingando para as câmeras, nada disso. Sou bem direto: se você estiver sendo babaca, vou dizer que você está sendo um babaca. Conversei com a FIA e me desculpei dizendo que minha frustração não era pessoalmente com um fiscal, mas com a situação", disparou.

Com apenas duas corridas para o desfecho do campeonato, qualquer erro vai ser fatal, e isso para os dois lados. Não há mais tempo sequer para a Red Bull tentar lançar mão de um 'motor apimentado', como fez a Mercedes em Interlagos. Em conversa com o GRANDE PRÊMIO em São Paulo, o diretor da Honda para a F1, Masashi Yamamoto, foi direto. "Não vamos introduzir nenhuma atualização no carro de Max até o fim da temporada".

Há ainda duas preocupações para os lados da Red Bull. Uma é o problema crônico no acionamento da asa móvel, em problema que se mostrou evidente no Brasil e ficou ainda mais nítido em Losail. Outra é a velocidade final em reta encontrada pela Mercedes, em que pese o consultor Helmut Marko bater no peito e afirmar que tal vantagem deixou de existir: "A Mercedes já não é superior na velocidade máxima", analisou o dirigente austríaco.

Para reverter a curva ascendente de Lewis e da Mercedes, levar a decisão para Abu Dhabi em grande vantagem ou, quem sabe, sacramentar o título no próximo domingo, só há uma alternativa para a Red Bull: Verstappen tem de vencer na Arábia Saudita.

Em teoria, Jedá é uma pista da Mercedes em razão dos muitos trechos de alta velocidade, mas tantas foram as previsões furadas que davam conta que determinado circuito era território Mercedes ou Red Bull que não dá para traçar qualquer prognóstico, ainda mais quando se trata de um circuito totalmente novo e com muitas dúvidas até mesmo sobre a qualidade do asfalto.

Também é preciso levar em conta o fator mental. Antes dos triunfos em São Paulo e no Catar, Hamilton só havia vencido duas corridas consecutivas uma vez nesta temporada, em Portugal e na Espanha. Não apenas em termos de performance, mas também mentalmente, o momento é de Lewis, que está habituado a decidir títulos. Para Verstappen, chegar ao fim da temporada como um candidato à taça do mundo é algo inédito e, por mais preparado e competente que o holandês seja, sempre é algo que pode pesar.

No octógono deste MMA que virou a Fórmula 1 em 2021, nada é definitivo e certo. Há dois concorrentes fortes, porém em momentos distintos, mas tudo o que é realidade agora pode se inverter num espaço de dias. Na beleza que é o esporte em que dois grandes lutam para alcançar o Olimpo, o grande privilegiado é quem tem a chance de assistir a que talvez seja a melhor temporada do século e ver, seja quem for, a coroação do novo campeão no próximo dia 12. Nesta luta entre Verstappen e Hamilton, que vença o melhor.

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