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FIA investiga possível quebra de protocolo em protesto de Hamilton no GP da Toscana

Órgão entende que protesto de Lewis Hamilton no pódio do GP da Toscana foi política, e analisa situação para concluir se piloto quebrou protocolo

14 set 2020
12h38
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Lewis Hamilton usou camisa pedindo a prisão dos policiais que mataram a jovem negra Breonna Taylor
Lewis Hamilton usou camisa pedindo a prisão dos policiais que mataram a jovem negra Breonna Taylor
Foto: AFP / Grande Prêmio

O protesto antirracista de Lewis Hamilton no pódio do GP da Toscana, disputado no último domingo, está sob análise da FIA. Segundo informações da emissora BBC, o órgão estuda a manifestação do hexacampeão mundial como uma possível quebra de protocolo.

Hamilton utilizou uma camiseta por cima do macacão que dizia "Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor". Por se declarar uma organização não política, a FIA analisa se o hexacampeão quebrou o protocolo da entidade.

Lewis tem sido o centro das atenções das campanhas antirracistas da Fórmula 1. O piloto criticou, por exemplo, a forma com que o protesto antes das corridas, com os pilotos ajoelhando, é organizado.

Em junho, a Fórmula 1 lançou a campanha '#WeRaceAsOne', criada para promover a diversidade e as causas sociais. Todos os carros do grid atual carregam um arco-íris com a hashtag lançada pela categoria.

Lewis Hamilton protesta no topo do pódio do GP da Toscana de Fórmula 1
Lewis Hamilton protesta no topo do pódio do GP da Toscana de Fórmula 1
Foto: Reprodução / Grande Prêmio

Quem é Breonna Taylor?

Ao lado de George Floyd, o assassinato de Breonna Taylor foi o outro grande estopim das manifestações deste ano. Breonna, mulher preta de 26 anos, era paramédica quando, em março, a polícia invadiu sua casa, na cidade de Louisville, estado norte-americano do Kentucky, na calada da noite.

O motivo da invasão foi uma ordem de mandado de busca e apreensão que não precisava de batida na porta, daqueles que podem ser realizados com pé na porta de supetão. O alvo era um ex-namorado de tempos atrás da paramédica, suspeito de vender medicamentos controlados. As investigações posteriores provaram que nada de errado jamais fora conduzido na casa de Breonna, que nem sabia da situação e nada de culpada tinha em casa ou na história. Ela e o suspeito, Jamarcus Glover, tinham terminado o relacionamento meses antes.

Os policiais não apenas entraram na casa, mas nem sequer se anunciaram como policiais, o que fez o namorado de Taylor, Kenneth Walker, que dormia ao lado dela, acreditar que se tratava de invasores. Pegou, então, uma arma - registrada e legal -, e fez com que os policiais atirassem 20 vezes na direção dele. Segundo testemunhas anônimas no local, um dos policiais estava do lado de fora da casa e atirou por uma janela que tinha cortina fechada - sem qualquer visão do local, portanto. Breonna Taylor estava dormindo e foi atingida oito vezes. Morreu na hora.

A acusação foi de "total desrespeito com a vida humana", uma vez que nada havia contra Breonna Taylor e, mesmo assim, sua casa foi invadida de forma silenciosa como se tratasse de busca a um assassino perigoso. O número de tiros em direção também foi flagrante. A autópsia de Taylor aponta que a morte foi homicídio.

Pouco depois, o chefe da polícia de Louisville, Steve Conrad, anunciou que se aposentaria no fim do mês de junho, acuado pelas críticas. Entretanto, antes disso, foi demitido após outro homem preto, David McAtee, ser assassinado pela Guarda Nacional do Kentucky em Louisville durante manifestações pacíficas pela morte de Taylor e Floyd. Os mandados policiais que não exigem manifestação prévia foram suspensos pela prefeitura da cidade.

Os três policiais responsáveis pela batida e morte? Jonathan Mattingly, Brett Hankison e Myles Cosgrove foram colocados em reatribuição administrativa. A corregedoria local e a polícia federal investigam o caso, mas nenhum dos três foi demitido e, muito menos, preso.

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