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Divórcio total e imediato vira única saída para Vettel e Ferrari voltarem a sorrir

Não há qualquer indicativo de que Sebastian Vettel vai reagir na Ferrari em 2020. É hora de as duas partes aceitarem o fracasso, romperem e pensarem nos próximos capítulos. No caso do piloto, a Aston Martin. No caso da equipe, Carlos Sainz Jr.

11 ago 2020
05h00
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Monegasco largou do oitavo lugar e saiu com 12 pontos na bagagem
Monegasco largou do oitavo lugar e saiu com 12 pontos na bagagem
Foto: Ferrari / Grande Prêmio

2019 parecia ser o fundo do poço para Sebastian Vettel na Ferrari. Além de o novo carro ser incapaz de lutar por título, o alemão perdia a companhia do dócil Kimi Räikkönen para lidar com o impetuoso Charles Leclerc. O resultado foi uma única vitória e muitas frustrações ao longo da temporada. Só que o fundo do poço tem subsolo: 2020 é o inferno absoluto para um tetracampeão que já parece incapaz até mesmo de sorrir após tantas desventuras em série. O divórcio antecipado, com Seb deixando Maranello antes do fim da temporada, já deixa de ser uma possibilidade distante para talvez ser até mesmo a única saída.

É até verdade que esse divórcio não é a opção preferida de Vettel e da Ferrari. As duas partes já falaram em um desejo de terminar a temporada final em alta. Só que, como em qualquer casamento, vontade de continuar não é tudo. Há vezes em que é necessário entender que simplesmente não há clima, que continuar só vai colocar os dois mais para baixo. Ninguém admite isso publicamente, mas esse pensamento certamente já está brotando na cabeça de todos.

O GP dos 70 Anos foi muito complicado para Sebastian Vettel
O GP dos 70 Anos foi muito complicado para Sebastian Vettel
Foto: Ferrari / Grande Prêmio

Uma saída antecipada evitaria uma sequência de temporada em que, francamente, Vettel só pode brigar por pontos. É verdade que Leclerc já foi ao pódio duas vezes, mas somente em condições inusitadas e precisando se colocar em posição de colher frutos. Sebastian já não parece ter cabeça ou confiança no carro para sequer brigar por top-5. Esses meses livres seriam ideais para resetar o psicológico antes da provável nova aventura: a Aston Martin, atual Racing Point.

Essa diferença de realidades de Leclerc para Vettel já tem repercussões na imprensa italiana, conhecida por criticar os ferraristas ao primeiro sinal de deslize. Para Charles, entretanto, já não há críticas tão pesadas. Depois de duas boas semanas em Silverstone, o monegasco voltou aos trilhos para ser o potencial novo campeão da F1 em Maranello. Com Vettel, por sua vez, as palavras são mais pesadas: é "uma vítima de seus pesadelos habituais".

Assim, a situação da Ferrari é diferente. Perder Vettel só seria benéfico caso um bom substituto viésse. No caso, Carlos Sainz Jr., hoje em seu último ano pela McLaren. Esse é o grande ponto de interrogação, já que o espanhol sempre pregou o interesse de elevar a equipe britânica ainda mais e se despedir em alta. Não seria tão simples convencer Carlos a se mandar para Maranello de imediato, mas certamente seria possível. Nesse cenário, os alaranjados ficariam livres para buscar Daniel Ricciardo mais cedo do que o esperado, dando sequência a um efeito dominó que poderia até mesmo antecipar o retorno de Fernando Alonso à Renault.

A Ferrari precisa de Carlos Sainz Jr. tão cedo quanto possível
A Ferrari precisa de Carlos Sainz Jr. tão cedo quanto possível
Foto: McLaren / Grande Prêmio

Isso tudo, claro, ainda muito distante de virar realidade. O ponto é: a Ferrari não seria louca de deixar Vettel ir embora se fosse para acabar com um substituto como Antonio Giovinazzi. Muito menos um outro jovem talento da F2, qualquer que seja: o talento não bastaria para aprender sobre o carro rapidamente e evitar uma fritura em praça pública.

Caso Sainz não esteja disponível, ou caso Vettel simplesmente fique até o fim do ano, a Ferrari se vê com outro tipo de problema. Por mais que não se comente publicamente, há um clima bélico na Ferrari. Sebastian criticou abertamente a estratégia da escuderia e mostrou simplesmente estar perdendo a paciência. O sentimento é compartilhado, já que a escuderia sente que estratégia nenhuma seria capaz de colocar o #5 nos pontos. E tudo isso, se forçado ao limite, pode respingar em Leclerc e acabar com a única coisa boa que existe na esquadra neste instante.

A situação parece terrível, mas não é o fim do mundo. Ao contrário de meses atrás, quando todo mundo negava interesse em Vettel, há agora a Aston Martin como carta na manga. Não há necessidade de forçar uma tentativa de reação na Ferrari apenas por medo de ser a última temporada na F1. Não será. Resta um novo capítulo, talvez o último, a ser escrito. Que abandone o atual e pense na volta por cima.

Grande Prêmio
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