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Mundo do esporte retoma atividades em meio à pandemia e incerteza sobre futuro

A pandemia do novo coronavírus colocou o mundo como um todo de joelhos, e o universo esportivo também não fugiu à regra. Competições de todo o planeta foram paralisadas desde março, mas, pouco a pouco, estão em fase de retomada, como a F1, NBA e a MotoGP, enquanto outras tiveram seu remanejamento confirmado para 2021, como os Jogos Olímpicos, a UEFA Euro 2020 e a Copa América

3 ago 2020
14h07
atualizado às 15h19
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O uso de máscaras representa a nova realidade também no esporte a motor
O uso de máscaras representa a nova realidade também no esporte a motor
Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

O mundo parou diante de situação jamais vivida por muitas gerações desde meados de março. O novo coronavírus, também chamado de Covid-19, no princípio era um recorte no noticiário internacional. Mas, dia após dia, o vírus que parecia limitado a países da Ásia, se espalhou como rastilho de pólvora pelo planeta: primeiro, chegou à Europa e transformou um panorama de tranquilidade em pânico e milhares de pessoas mortas. Declarada oficialmente como pandemia pela Organização Mundial de Saúde, a doença cruzou o Atlântico e, desde então, vem ceifando milhares de vidas. Os números só aumentam em países como Estados Unidos, Brasil, Chile, México e Peru, por exemplo. O vírus se espalhou com rapidez em países populosos como Índia, Rússia, África do Sul, Irã, Paquistão e Egito. São mais de 18 milhões de infectados ao redor do mundo e cerca de 690 mil pessoas mortas. O Brasil, com 2.733.677 casos positivos para Covid-19, se encaminha para, nesta semana, alcançar a terrível marca de 100 mil vidas perdidas em razão da pandemia.

E ainda que seja somente um microcosmo diante da realidade no planeta, o mundo do esporte não escapou à dura realidade. Era necessário paralisar as atividades, entender o que estava acontecendo, compreender os primeiros estudos a respeito do Covid-19 e evitar a disseminação e o contágio. No março que fez a Terra parar, praticamente todas as competições foram interrompidas e/ou adiadas: desde os Jogos Olímpicos de Tóquio, a UEFA Euro 2020 (resultado de sorteio e grupos) — o Campeonato Europeu de Futebol —, Mundiais de Fórmula 1 e MotoGP, a Copa Libertadores, a temporada da NBA, a UEFA Champions League e os campeonatos de futebol por todo o mundo, para citar somente os eventos esportivos de maior alcance global.

Sergio Pérez foi infectado pelo coronavírus e não correu em Silverstone
Sergio Pérez foi infectado pelo coronavírus e não correu em Silverstone
Foto: Racing Point / Grande Prêmio

A pandemia fez o inimaginável acontecer: os Jogos Olímpicos de 2020, que estavam previstos para os dias 24 de julho a 9 de agosto na capital japonesa, foram adiados para 2021. Pela primeira vez na história, o maior evento esportivo teve de ser postergado para o ano seguinte. E ainda que o novo período esteja marcado para os dias 23 de julho a 8 de agosto do ano que vem, não há garantias de que a competição seja realizada. Tudo vai depender dos efeitos da pandemia até lá e, principalmente, da eficácia das novas vacinas, muitas em fase final de teste neste momento.

O mesmo se aplica à UEFA Euro 2020. Pela primeira vez na história, em razão dos 60 anos de aniversário, o torneio vai ser disputado em 12 países diferentes: Inglaterra, Alemanha, Itália, Azerbaijão, Romênia, Rússia, Holanda, Espanha, Hungria, Dinamarca, Escócia e Irlanda. A competição, que seria originalmente entre os dias 12 de junho a 12 de julho deste ano, foi adiada para período semelhante no ano que vem: 11 de junho a 11 de julho de 2021. A partida de abertura está agendada para acontecer no Estádio Olímpico de Roma, na Itália.

Já os eventos esportivos anuais estão, aos poucos, sendo retomados, ainda que sem a presença de público, ao menos na maior parte deles.

A Fórmula 1, por exemplo, já realizou quatro etapas de um repaginado calendário da temporada 2020. Neste ano incomum, a categoria preciso recorrer a mudanças e alternativas até então inéditas para se manter em atividade e garantir alguma receita. Mais precisamente, para sobreviver. Para isso, o Liberty Media, dono da categoria, preferiu concentrar o campeonato na Europa e, em razão do avanço da pandemia nas Américas, cancelou os GPs dos Estados Unidos, Canadá, México e Brasil, além de outras provas que foram riscadas em 2020. Nem o tradicional GP de Mônaco escapou.

O distanciamento social é uma marca dos novos tempos também no esporte
O distanciamento social é uma marca dos novos tempos também no esporte
Foto: VR46 / Grande Prêmio

A ideia da F1 para levar adiante o campeonato neste ano foi criar uma biosfera, com testes constantes, isolamento social e a redução de pessoas nos autódromos, não garante a imunidade ao coronavírus. Tanto que, na Hungria, dois funcionários, de nome não revelado, testaram positivo para o vírus. E Sergio Pérez, piloto da Racing Point, também foi infectado após furar a bolha e viajar para o México e a Itália entre os GPs da Hungria e da Inglaterra, ficando fora da prova do último domingo em Silverstone.

O mesmo se aplica à MotoGP, que assim como a Fórmula 1 voltou a acelerar em julho. O Mundial de Motovelocidade descartou a chance de realizar os GPs da Malásia, Tailândia e Argentina para também concentrar as suas corridas no Velho Mundo.

Nos Estados Unidos, as principais categorias do esporte a motor, Nascar e a Indy, também voltaram a acelerar. As duas, porém, já promoveram etapas com a presença de público, ainda que reduzido. Mas diante de uma pandemia que avança ainda mais no país, até mesmo a continuidade das respectivas temporadas está ameaçada. Recentemente, o circuito de Mid-Ohio, que seria palco de rodada dupla da Indy no próximo fim de semana, anunciou o adiamento da etapa para "setembro ou outubro". Nem mesmo as 500 Milhas de Indianápolis, principal prova do calendário, parece estar completamente segura neste momento.

Ainda em terras americanas, a NBA voltou às atividades no fim de julho de maneira bastante diferente. A liga de basquete isolou os jogadores, comissão técnica e determinados funcionários de 22 times em resorts de uma única cidade, Orlando, onde o campeonato pretende seguir adiante e levar a disputa da temporada até outubro.

Rubens Barrichello venceu no retorno da Stock Car
Rubens Barrichello venceu no retorno da Stock Car
Foto: Duda Bairros/Vicar / Grande Prêmio

Por aqui, o futebol e o automobilismo estão de volta à ativa. Nas quatro linhas, o Campeonato Carioca, ainda em junho, deu o pontapé inicial em plena pandemia. E desde julho, estaduais como o Paulista, Mineiro, Gaúcho e Catarinense retomaram suas atividades, ainda tendo de lidar com muitos riscos frente ao coronavírus. O mesmo se aplica às principais competições do esporte a motor nacional, como a Copa Truck, que correu em Cascavel em julho, sendo seguida pela Stock Car, no último fim de semana do mês passado, e do Endurance Brasil, que voltou a correr em Interlagos neste início de agosto.

Uma vez que o desenrolar da pandemia nos próximos meses é incerto, sobretudo em razão de um novo avanço do vírus na Europa e de uma curva de infectados e de mortos que permanece alta em países como Brasil e Estados Unidos, há um enorme ponto de interrogação sobre o futuro e também em relação a como tudo isso vai afetar o mundo do esporte. Enquanto a população global sofre com os efeitos provocados pelo Covid-19, os cientistas correm contra o tempo para finalizar os últimos testes e entregar a tão esperada vacina, vista como única alternativa para que o planeta possa voltar a viver uma certa normalidade novamente.

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