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Edição 2020 sofre com pandemia e vê baixas de última hora: o grid das 24h de Le Mans

A organização das 24 Horas de Le Mans, assim como o mundo, também precisou lidar com dificuldades financeiras e teve de se adaptar a novos protocolos diante da pandemia do novo coronavírus. Porém, apesar de algumas baixas, a mais importante corrida de longa duração foi capaz de garantir nomes de peso no grid

15 set 2020
04h31
atualizado às 05h34
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Foto: Grande Prêmio

Para completar a conta de 59 carros e 177 pilotos da 88ª edição das 24h de Le Mans, a primeira adiada em mais de meio século da história, nunca o Automobile Club de l'Ouest (ACO), organizador e parceiro da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) na criação e supervisão do Mundial de Endurance, teve tantos percalços quanto nos últimos 25 anos. As dificuldades geradas pela pandemia da Covid-19 não chegaram a ser tão extremas quanto em 1993, mas assustaram.

Há 27 anos, por conta da morte do World SportsCar Championship, planejada a sangue frio por Max Mosley, então presidente da FIA, e Bernie Ecclestone, para que nenhuma categoria ameaçasse a Fórmula 1, as 24h de Le Mans sofreram o maior abalo de sua história. O grid teve apenas 29 carros — o pior de sempre. Melhor que a Peugeot faturou aquela corrida. Que foi um ponto de reestruturação para o maior evento de resistência de todos os tempos. A partir daquele baque, a prova voltou a ter a força de outrora e continua tendo — mesmo agora, diante dos efeitos devastadores do novo coronavírus.

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A pandemia também afetou o grid das 24 Horas de Le Mans
A pandemia também afetou o grid das 24 Horas de Le Mans
Foto: FIA WEC / Grande Prêmio

A lista oficial de 62 carros sofreu sua primeira baixa quando o Team SRT41, que voltaria à corrida preparando um protótipo LMP2 inscrito para pilotos com mobilidade reduzida, entre eles o antigo motociclista Takuma Aoki, foi o primeiro a sair fora.

As perdas seguiram e atingiram fundo o plantel da LMGTE-PRO: num intervalo de 72h apenas entre um forfait e outro, a Porsche IMSA (esquema operacionalizado pela CORE Autosport) e a Corvette Racing anunciaram sua debandada da edição 2020, apontando a pandemia e a crise financeira como vilãs da história. Desde 2000 a marca da gravatinha não ficava fora em La Sarthe. A Porsche teve, assim, reduzida à metade sua força-tarefa na divisão principal de Grã-Turismo.

Com cinco novos competidores promovidos da lista de reservas, mesmo entre os suplentes houve contratempos. A dinamarquesa High Class Racing, que planejara inscrever um segundo LMP2 e nele alocar o veterano Jan Magnussen, renunciou aos planos. Além dela, três equipes dos EUA - Rick Ware Racing e Performance Tech Motorsports, ambas na LMP2 e a GEAR Racing, que teria uma equipe só de mulheres na LMGTE-PRO, igualmente debandaram.

A Ginetta culpou as dificuldades financeiras geradas pela crise da Covid-19 e retirou a inscrição de um de seus protótipos LMP1.

A equipe Ginetta também decidiu retirar a inscrição em Le Mans
A equipe Ginetta também decidiu retirar a inscrição em Le Mans
Foto: João Filipe / Grande Prêmio

A penúltima desistência anunciada foi a da equipe britânica Carlin Thunderhead Racing, que faria sua estreia na clássica prova francesa - o que reduziu o grid a 59 carros. Para fechar a conta redondinha de inscritos, a Algarve Pro Racing conseguiu um apoio extra do grupo russo Gazprom e, de última hora, garantiu a presença de mais um protótipo LMP2 no pelotão.

Mas o Team LNT resolveu bagunçar as coisas e, alegando problemas de logística por conta do aumento de casos de Covid-19 e da quarentena imposta a quem sai da Inglaterra para o território francês e vice-versa, cancelou totalmente sua presença. O único carro, que teria Guy Smith, Lawrence Tomlinson e Chris Dyson, foi retirado, e o total de veículos inscritos voltou a 59.

Assim, a lista oficial foi fechada com três carros a menos que o total inicialmente previsto, contemplando cinco protótipos LMP1, nada menos que vinte e quatro LMP2, oito LMGTE-PRO e 22 LMGTE-AM.

41 equipes estão envolvidas na disputa em 2020 - três sem nenhuma experiência prévia nas 24h de Le Mans. Dessas, a única com alguma quilometragem na pista é a Nielsen Racing (LMP2), de origem britânica, que disputou anteriormente provas do Road To Le Mans, evento suporte há cinco anos. A suíça Cool Racing (LMP2) e a Hub Auto Racing (LMGTE-AM), de Taiwan, debutam também na corrida francesa neste ano.

Dois construtores se destacam: a francesa Oreca responde pelo maior contingente de Esporte-Protótipos inscritos. O ateliê de Hughes de Chaunac concebeu os dois Rebellion R13 da equipe do brasileiro Bruno Senna, além de ter rebatizados como Aurus 01 e Alpine A470 os carros inscritos por G-Drive Racing e Signatech Alpine Elf, do atual campeão mundial de LMP2 André Negrão. E ainda há um total deslumbrante de 18 chassis Oreca 07 com motor Gibson V8, o que faz o grid ter mais de um terço de carros construídos na França.

Entre os fabricantes de GT, reduzidos a três com a saída da Corvette e as debandadas de Ford e BMW após a edição do ano passado, a Ferrari tem o maior contingente de inscritos. São 16 carros 488 GTE EVO, sendo doze na LMGTE-AM e quatro na LMGTE-PRO.

E haja trabalho para a AF Corse: a organização italiana de Amato Ferrari tem sob sua responsabilidade no grid deste ano cinco carros com seu nome - dois na LMGTE-PRO e três na LMGTE-AM, fora os inúmeros tentáculos do time espalhados pelos boxes de Le Mans.

A equipe AF Corse terá uma operação enorme da edição 2020 das 24 Horas de Le Mans (Foto: FIA WEC)

São eles: a suíça Spirit of Race, a britânica Red River Sport, a italiana Iron Lynx, a japonesa MR Racing - inscrita este ano em parceria com a Car Guy e atté uma equipe defunta - a Luzich Racing encerrou suas operações em janeiro mas, como campeã do European Le Mans Series (ELMS) ano passado na classe LMGTE, honrou o convite e vem com a estrutura todinha da AF Corse.

Das Ferrari 488 GTE EVO confirmadas, somente as da WeatherTech Racing, Risi Competizione, JMW Motorsport e Hub Auto não estão sob responsabilidade ou assistência do ateliê europeu.

Sobra tempo ainda para cuidar do único Dallara LMP2 inscrito, via Cetilar Racing. Se as contas não estiverem erradas (e dificilmente estão), são 13 carros de um total de 59 que receberão assistência da escuderia sediada em Piacenza.

O total de 177 pilotos representando 32 países traz ainda 15 pilotos com passagem pela Fórmula 1, sendo o colombiano Juan Pablo Montoya o único a vencer GPs na categoria máxima. Da relação de antigos pilotos da F1 consta também o nome dos atuais bicampeões da prova, Kazuki Nakajima e Sébastien Buemi, além do companheiro deles e substituto de Fernando Alonso na Toyota, o neozelandês Brendon Hartley, que passou pela Toro Rosso, hoje AlphaTauri.

Juan Pablo Montoya vai fortalecer o grid em Le Mans (Foto: Reprodução)

41 novatos terão o gosto de se apresentar em La Sarthe, e um deles representará a segunda geração de um sobrenome que debutou por lá há 42 anos e brilhou: sétimo colocado geral e 2º no Grupo 5 na edição de 1978, Paulo Gomes, tetracampeão da Stock Car, acompanhará orgulhoso a primeira participação do filho Marcos Gomes - que repete Nelsinho Piquet, o primeiro filho de brasileiros nas 24h de Le Mans a competir na mesma pista onde o pai - o tricampeão Nelson Piquet - guiou.

Dentre esses novatos, dois chamam a atenção pelo contraste e por ocuparem garagens vizinhas no paddock. De um lado, estará Lucas Légeret, piloto suíço que no dia da largada terá 19 anos e 132 dias, a bordo de um Porsche LMGTE-AM da Dempsey Racing-Proton. Légeret nasceu numa época em que pilotos como Emmanuel Collard, Jan Magnussen e Romain Dumas já conheciam o traçado de La Sarthe como a palma da mão. Ele terá como parceiros Julien Piguet e o tailandês Vuttikhorn Inthapuvasak, também estreantes na prova.

Marcos Gomes vai fazer a estreia nas 24 Horas de Le Mans (Foto: KTF)

E o outro é Dominque Bastien, um desconhecido piloto nascido na França e que corre com licença dos EUA - já competiu em provas longas como as 24h de Nürburgring no Nordscheleife. Bastien tem idade para ser pai e, muito provavelmente, avô de Légeret. Ele correrá no carro #88 - também inscrito no WEC - com Thomas Preining e Adrien De Leener.

Nascido em 25 de novembro de 1945, Dominque será o mais velho piloto da história de 97 anos de existência e oitenta e oito edições das 24h de Le Mans, superando - e por muito - o recorde de Jack Gerber, sul-africano que em 2013 disputou a prova pela primeira (e única) vez aos 68 anos e 110 dias de idade. Aos 74 anos e 295 dias quando a bandeira francesa for exibida na largada pelo starter, o português Carlos Tavares (CEO do grupo PSA Peugeot), Bastien deverá manter esse recorde sob seu poder por mais bom tempo…

Assim, em meio a toda essa balbúrdia, será realizada a 88ª edição da maior prova longa do planeta. Que valha a pena. Apesar de tudo e, principalmente, da pandemia.

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