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Visando crescer, empresas transformam funcionários em sócios

Negócios jovens apostam na estratégia de “dividir para multiplicar” para garantir a qualidade dos serviços e atrair talentos

3 ago 2015
07h00
atualizado às 20h00
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Como se diferenciar em um mercado repleto de fortes concorrentes? Algumas empresas investem em inovação; outras, em preços baixos; e há aquelas que primam pela qualidade nos produtos e serviços. Apostando nesta última opção, duas jovens empresas do ramo de pagamentos, Cappta e Pagar.me, recorreram a uma estratégia ousada para garantir a excelência no atendimento aos clientes: promover os funcionários que mais se destacassem à condição de sócios.

Arritmia econômica

Na Cappta, fornecedora de tecnologia de pagamento por cartões, a ideia surgiu quando a empresa foi fundada, em 2011, conta o sócio-fundador Rodrigo Rasera. Na época, ele e seus dois sócios observaram que o mercado tinha uma carência na prestação de serviços de instalação e manutenção das maquininhas, e criaram uma estratégia para prestar este serviço com excelência.

Rodrigo Rasera (primeiro à esquerda), da Cappta, optou transformar seus funcionários em sócios para atrair e reter talentos
Rodrigo Rasera (primeiro à esquerda), da Cappta, optou transformar seus funcionários em sócios para atrair e reter talentos
Foto: Divulgação

“Resolvemos propor aos nossos parceiros a possibilidade de se tornarem sócios caso obtivessem um grande desempenho. Está nos nossos valores como empresa, dividimos para crescer. Com essa política, conseguimos atrair talentos e fidelizá-los, para que não migrassem para a concorrência”, diz Rodrigo.

Ele explica que, no ano da fundação, 15% das ações da empresa foram reservadas para serem distribuídas aos funcionários. “Esta cota inicial já foi preenchida, e nos próximos anos esperamos aumentar para até 25% o percentual de ações a serem distribuídas, para que os novos trabalhadores também se sintam motivados” esclarece o sócio-fundador.

Para promover um prestador de serviços à condição de sócio, os donos da Cappta levam em conta três fatores. Em primeiro lugar, a satisfação dos varejistas com o atendimento realizado. Em segundo, a quantidade de clientes atendidos pela pessoa e o número de novos usuários que ela ajudou a incorporar ao sistema. Em terceiro, as contribuições que cada prestador de serviços deu para o negócio, apresentando ideias ou sugerindo novos produtos e formas de fazer as coisas. A avaliação do terceiro ponto é feita todos os anos em uma convenção em que a Cappta reúne seus principais parceiros. 

Para transformar prestadores de serviço em sócios, Cappta considera satisfação dos varejistas, quantidade de clientes atendidos e contribuições que eles trazem para a empresa
Para transformar prestadores de serviço em sócios, Cappta considera satisfação dos varejistas, quantidade de clientes atendidos e contribuições que eles trazem para a empresa
Foto: Divulgação

A mesma política adotada com os prestadores de serviços externos também é adotada com os funcionários da empresa. Assim, aqueles que se destacam por vários semestres consecutivos ganham a oportunidade de adquirir uma cota da empresa por um valor simbólico, pois a lei proíbe a doação de ações. Até o momento, a empresa conta com 10 funcionários e 50 prestadores de serviços como sócios.

“Tivemos um faturamento de R$ 22 milhões em 2014 e esperamos crescer 30% este ano graças a esta política. Mais do que isso, quando começamos nós encontramos grandes dificuldades para convencer as pessoas a trabalharem conosco. Hoje, temos uma demanda tão grande que somos obrigados a fazer uma seleção”, afirma Rodrigo.

Já a Pagar.me reservou 12% de suas ações para distribuir entre os trabalhadores que mais se destacarem
Já a Pagar.me reservou 12% de suas ações para distribuir entre os trabalhadores que mais se destacarem
Foto: Divulgação

Dividir para multiplicar
Outra empresa que segue o mesmo caminho é a Pagar.me, startup de tecnologia que oferece soluções de pagamento para e-commerces. Criada em 2013, ela se inspirou nas políticas adotadas por Google e Ambev para transformar seus funcionários em sócios. “Esta possibilidade aumenta a motivação e o engajamento dos funcionários. Na hora de tomar uma decisão, ele não vai pensar no que é melhor para ele, mas sim no que vai fazer a empresa crescer”, resume o sócio-fundador Henrique Dubugras.

A estratégia também está sendo usada pela Pagar.me para atrair talentos. Por ser uma empresa jovem, que cresce rápido, existem boas possibilidades de um funcionário receber ações em pouco tempo. “Até o momento, apenas um dos nossos empregados recebeu ações. Mas já temos 12% de nossas ações reservadas para distribuir entre aqueles que mais se destacarem”, afirma Henrique.

 

Fonte: PrimaPagina

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