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Pais que trabalham com filhos tentam separar casa e trabalho

Profissionais contaram que parcerias familiares ajudam a aumentar a confiança, mas que os laços podem atrapalhar as tomadas de decisões

12 ago 2016 - 18h02
(atualizado às 18h02)
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Jorge Bischoff e Natália Bischoff
Jorge Bischoff e Natália Bischoff
Foto: Cleiby Trevisan / Divulgação

No mercado, é comum encontrar empresas em que pais e filhos trabalham lado a lado, onde é preciso saber separar a vida pessoal com a profissional. Um desses casos é de Jorge Bischoff, CEO da Bischoff Group, e da filha, Natália, que é diretora de Marketing do grupo.

Para ele, às vezes, os laços de sangue podem atrapalhas na tomada de decisões. “Acho que o grande detalhe é ter uma situação de posições bem claras dentro da companhia. Preparar muito bem a participação da família junto à empresa. É uma questão de aprendizado e evolução constante”, disse.

Paulo Alexandre, fundador da Arranjos Express, empresa de customização de roupas, trabalha com os dois filhos, Guilherme e Miguel, que em Portugal, ajudando na administração da companhia no país, explica que é preciso “separar o trabalho da vida pessoal. É importante saber dividir e não misturar a emoção e a razão. Maturidade é um item fundamental em negócios familiares”.

Algumas empresas adotam normas para evitar que situações desagradáveis aconteçam. Esse é o caso da Pizzaria Patroni, fundada por Rubens Augusto Junior, que, atualmente, prepara os dois filhos mais velhos para o suceder em frente à marca. “Possuímos um código de conduta muito grande, jamais misturamos laços familiares com profissionais. Portanto, tais questões externas à empresa, não interferem nas tomadas de decisões”, explicou.

Uma das preocupações dessas instituições é fazer com que possíveis desentendimentos privados não interfiram no dia a dia. Para que isso não ocorra, todos concordam que, durante o expediente, a figura de pai e filho não deve existir. “Os assuntos de trabalho precisam ser discutidos no trabalho e o de relacionamento pessoal em casa”, diz Jorge Bischoff. “Dentro da empresa meus filhos e demais parentes sempre foram tratados como funcionários. Quando o assunto é trabalho, a figura de pai e filho não existe”, afirma Rubens Augusto.

Já Nissim Hara, fundador da HOPE Lingerie, tem o auxílio das filhas Karen Hara Sarfaty, Sandra Hara Chayo e Daniela Hara Chammah, e afirma que, “de acordo com as áreas que cada uma das filhas cuida, são cobradas”.

Nissim Hara fundou a HOPE Lingerie
Nissim Hara fundou a HOPE Lingerie
Foto: Divulgação

Mas, entre os filhos, também há sua busca por espaço através de seu prórprio esforço. “Prezo muito pelo meu desempenho profissional. Às vezes, tento até esconder essa informação (de ser filha do dono), pois quero conquistar meu espaço pela qualificação profissional que tenho. Esse é um desafio diário”, conta Natália Bischoff.

Ela conta que, nos tempos livres, é inevitável não falar sobre trabalho. “Acabamos misturando os assuntos. Uma viagem, passeio no shopping ou jantar no restaurante nunca é apenas um encontro familiar. Estamos sempre observando comportamentos do consumidor, trocando ideias”.

Natália também acha que o conflito de gerações entre pais e filhos pode surgir. “São olhares bem diferentes sobre a mesma questão. No nosso caso as áreas de atuação se completam. Então, a visão de um agrega na do outro. A troca de ideias é sempre muito rica. O bom é que pela nossa relação me sinto mais à vontade para trocar ideias, fazer críticas e expor opiniões contrárias à dele”, conclui.

Porém, alguns contam que a preocupação de pai é constante, mas é preciso separar as funções. “Sempre queremos defender e proteger os filhos, no entanto, fazendo isso, muitas vezes eles não crescem, não aprendem como profissionais. Então, mesmo sabendo que não vai dar certa determinada decisão ou escolha, precisamos deixar eles caminharem com as próprias pernas para aprender”, diz Paulo Alexandre, da Arranjos Express.

Já Nissim Hara destaca que o “bom de trabalharmos juntos desencadeia principalmente na confiança e nas decisões que se tornam mais fáceis por conta da proximidade entre nós. Além disso, por essa relação, a burocracia diminui, agilizando processos e projetos”.  Mas, para Paulo Alexandre, “o lado emocional pesa bastante quando se trabalha com a família, mas o bom é que a confiança e a parceria falam sempre mais alto”.

Paulo Alexandre
Paulo Alexandre
Foto: Divulgação

Todos concordam que os caminhos dos filhos rumo as companhias foi um processo natural. Mas começou de uma forma extremamente natural”, disse Jorge. “Quando meus filhos tinham 15 anos, me pediram emprego. Coloquei a eles a condição de começarem por baixo (lavando o chão da loja, carregando lenha, lavando pratos) para que pudessem trilhar todos os caminhos e cargos do negócio e, com isso, serem com o tempo, líderes e diretores. Quando completaram 18 anos, perguntei a eles se queriam dar continuidade ao negócio da família ou procurar outras atividades e ambos decidiram de livre e espontânea vontade, dar continuidade a empresa”, contou Rubens Augusto.

Fonte: Terra
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