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Nova lei impulsiona mercado de comida de rua em São Paulo

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Cachorro-quente, pastel, churrasco, pipoca. A venda de comidas na rua sempre foi uma tradição na cidade de São Paulo, mas medidas adotadas pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) durante seu segundo mandato (2008-2012) dificultaram a ação de quem se dedicava a esse tipo de comércio. Uma lei sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em dezembro de 2013, no entanto, promete não só reverter tal quadro como impulsionar esse ramo da gastronomia em São Paulo.

Até o ano passado, apenas as vans que vendem cachorro-quente na rua eram regulamentadas por uma legislação específica – o decreto municipal 42.242, de agosto de 2002. Agora, a lei municipal 15.947/2013 vai disciplinar o funcionamento de empreendimentos dos mais variados segmentos gastronômicos. O texto ainda espera regulamentação para entrar plenamente em vigor, mas a expectativa criada pela medida já está fazendo muita gente se mexer para explorar um mercado agora devidamente formalizado.

A grande vedete dessa nova etapa do comércio de comida de rua em São Paulo são os food trucks, veículos customizados onde são preparados e vendidos desde temakis até massas e sanduíches refinados. Muito comuns em cidades dos Estados Unidos e da Europa, eles agora começam a ser cada vez mais procurados por quem planeja aproveitar a nova lei para entrar no mercado de comida de rua na capital paulista.

Gislene Gonçalves Viana, proprietária da FAG Brasil, empresa especializada na customização de automóveis, conta que a procura pelos food trucks aumentou bastante nos últimos meses por conta da aprovação da lei. “Depois disso nós dobramos nosso quadro de funcionários e estamos atrás de um novo galpão para dar conta da alta demanda pelas customizações. Para se ter uma ideia, nosso faturamento de janeiro já foi 50% maior do que o do mesmo mês de 2013”, revela.

A empresária conta que abriu o negócio em 2008, adaptando veículos para realizar trabalhos específicos de transporte, como peruas escolares e ambulâncias. Aos poucos, porém, passou a receber grande procura do setor de alimentação. “Era algo que nossos concorrentes não atendiam, pois demanda grande especialização. Também percebemos que os food trucks eram uma tendência no exterior, e decidimos investir nisso. Hoje, eles respondem por 70% dos nossos clientes”, diz.

Além de abrir novas oportunidades para quem quer começar no ramo, a nova lei vai tirar da clandestinidade quem já trabalha com isso há anos, como lembra Rolando Vanucci, dono da Rolando Massinhas, que há sete anos vende seus produtos em Kombis. Ele acredita que a nova legislação trará mais benefícios e liberdade para quem trabalhava de forma ilegal, tornando possível a legalização do negócio.

O empresário, no entanto, faz um alerta para quem pretende entrar no ramo: “Como toda a moda, todos virão atrás. Mas como em todo tipo de negócio, quem estiver apenas seguindo um modismo não se manterá, pois trabalhar na rua traz inúmeras dificuldades, como clima, contratação de funcionários e imprevistos variados”, explica.

Rolando começou a vender massas em uma Kombi sete anos atrás. Inicialmente, era ele mesmo quem fazia as compras, os molhos e a higienização do veículo, e as massas eram terceirizadas. “Com o tempo o negócio cresceu. Hoje nós conseguimos montar uma fábrica de massas, contratamos 17 funcionários e aumentamos o número de kombis espalhadas pela cidade”, conta o empresário.

Para Gislene, as principais vantagens de se ter um negócio na rua é que a pessoa não paga aluguel, tem mobilidade para ir atrás de seu público, e o investimento é bem menor do que o necessário para abrir um restaurante, por exemplo. “É um ótimo ponto de partida para aqueles que querem iniciar seu próprio negócio. Já os clientes grandes não querem ficar para trás desta tendência, e estão investindo nos food trucks como opção para o franqueado”, finaliza.

Fonte: PrimaPagina Fonte: Terra

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