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Como montar um currículo sem ter experiência profissional?

Listamos algumas dicas importantes para montar um currículo sem experiência e conseguir um primeiro emprego ou outra oportunidade de trabalho

9 set 2020
15h40
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Em um contexto de instabilidade no mercado de trabalho acarretada pela pandemia do novo coronavírus, que elevou a taxa de desemprego no Brasil para 13,6% em agosto, montar um currículo competitivo se torna uma missão ainda mais desafiadora. E se essa já não é uma tarefa simples para grande parte das pessoas, que dirá para candidatos sem experiência profissional para inserir no currículo. Como passar uma mensagem positiva em casos como esse?

Como o currículo profissional normalmente é a "porta de entrada" para as oportunidades de trabalho, é fundamental que ele passe uma boa impressão já "nos primeiros segundos de interação com recrutadores e outros profissionais responsáveis pelas contratações", explica a consultora de carreira e oficineira de programas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo Camila Viotto.

Mas para impressionar de forma efetiva, é preciso equilíbrio. De acordo com o consultor de marketing e cofundador da empresa Beasyness, Victor Jamé, que faz sucesso no Twitter produzindo conteúdos para ajudar jovens a conseguirem oportunidades, um bom currículo é aquele que foca em objetividade e diferenciação. O primeiro ponto para passar as informações de forma clara; o segundo, para ressaltar a individualidade do candidato.

Para mostrar como trabalhar esses pontos na prática, reunimos algumas dicas importantes sobre como montar um currículo se você ainda não tem experiência profissional — documento que pode ser determinante para conseguir uma primeira oportunidade de trabalho.

Por que o primeiro emprego é tão importante?

"A primeira oportunidade, que geralmente ocorre entre os 16 e 18 anos, impacta muito na vida das pessoas em geral. É por meio dela que os profissionais ingressam no mercado de trabalho e começam a construir suas carreiras", destaca Camila Viotto. Segundo ela, o primeiro emprego pode influenciar bastante nos caminhos que os profissionais tomam ao longo da carreira, já que, normalmente, seguem se candidatando por vagas na mesma área.

Por conta disso, nesse momento inicial, é importante apresentar um currículo bem formulado, mostrar-se inclinado a aprender e se dedicar aos processos seletivos que geram interesse — seja para ser jovem aprendiz, estagiário, monitor, entre outras opções.

"O jovem precisa ter em mente que, entre as fatias do bolo do desemprego, o público entre 18 e 24 anos ocupa a maior parcela. Em meio a isso, é preciso, para além de experiências profissionais, apresentar diferenciais desde cedo", orienta Camila, destacando a importância de trabalhos voluntários e cursos para enriquecerem o primeiro currículo.

Como montar um currículo completo?

De acordo com o modelo estabelecido por Camila Viotto, são seis as categorias a se preencher para montar um currículo:

  • Dados pessoais;
  • objetivo;
  • formação e idiomas;
  • qualificações;
  • experiência profissional;
  • atividades complementares.

Portanto, o currículo não se resume em experiências, já que reúne diversos tipos de informações que têm o objetivo de transmitir o quão qualificado profissionalmente um candidato é e quais anseios ele tem para a carreira.

O que colocar no currículo quando não se tem experiência?

Compilamos algumas dicas de como preencher cada uma das seis categorias listadas acima quando não se tem experiência:

Dados pessoais

Os dados pessoais normalmente são aqueles que ficam em destaque no cabeçalho do currículo — a depender da formatação que cada candidato escolhe. Eles reúnem nome, telefone, e-mail, endereço, CEP, entre outras informações básicas.

Camila Viotto ressalta que os contatos fornecidos devem ser plenamente utilizados pelo candidato, o que garante que ele atenda caso seja contatado pela instituição de interesse. Além disso, é importante ter atenção ao e-mail informado, que pode descredibilizar o candidato caso fuja muito do padrão de nome e sobrenome, e também ao endereço, que principalmente em metrópoles, como São Paulo, é importante conter a região em que se mora.

Objetivo

Os objetivos indicam a pretensão profissional do candidato, o que permite que o avaliador que recebe o currículo entenda os motivos do documento ter sido submetido. De acordo com Camila Viotto, o objetivo tem que estar presente sempre, mesmo que para indicar interesses em grandes áreas — como administrativa ou financeira, por exemplo.

"É um erro grave tirar o objetivo, porque pode passar a impressão de que o candidato está querendo qualquer emprego. As organizações querem pessoas que tenham objetivos claros e alinhados com o que a empresa procura. Se quer ser um jovem aprendiz, coloque isso no objetivo isso e seja franco", destaca. Para a consultora de carreira, não é porque alguém não tem experiência profissional que deve se abster de colocar um objetivo.

Nos casos em que não há um objetivo bem definido, algumas alternativas são colocar "em busca de uma oportunidade na área financeira" ou "com disposição para atuar na área comercial", por exemplo. Usar palavras-chave e adotar formulações como essas indicam que, mesmo sem experiência, o candidato tem um ideal de futuro.

Formação e idiomas

De modo geral, é recomendado que os currículos se adaptem de acordo com cada área e vaga. Ainda que nem sempre seja uma regra, para oportunidades na área acadêmica, por exemplo, a formação profissional deve receber mais destaque, enquanto para vagas no mercado de trabalho as experiências profissionais podem ser mais valorizadas.

O que se orienta, de toda forma, é não ser prolixo nesta parte, destacando a formação mais alta no currículo e a proficiência em idiomas, quando há. Se o candidato concluiu o ensino médio recentemente, é importante que esteja presente no currículo apenas a escola de conclusão. Já em relação aos idiomas, o ideal é inserir apenas aqueles em que já há algum nível de conhecimento a respeito.

Qualificações

Na parte das qualificações, é importante inserir experiências que comuniquem com o que o candidato pretende fazer no novo cargo. Nesse caso, o indicado não é colocar a maior quantidades de cursos e certificações possíveis, mas aqueles que demonstrem como o profissional dialoga com a vaga ofertada e como pode contribuir.

Em currículos em que candidatos não contam com experiência profissional, as qualificações ganham ainda mais destaque, já que são elas que demonstram por onde o candidato está se qualificando. De acordo com Victor Jamé, o atual contexto do mercado de trabalho faz com que as pessoas permaneçam em "constante estado de aprendizado", o que, de maneira prática, dá ainda mais destaque à procura por qualificações atualizadas.

Experiência profissional

A parte de experiência profissional de um currículo lista por quais empregos um profissional já passou — informando o cargo, as atividades executadas e a duração da experiência. Quando não há experiências para acrescentar, essa parte pode ser suprimida, o que permite ao candidato dar mais destaque aos outros pontos.

Para Camila Viotto, é importante lembrar que, na parte de experiência profissional, não entram apenas empregos formais. Trabalhos informais também podem ser adicionados, contanto que tenham sido cumpridos com certa constância e sejam úteis para justificar a qualificação do candidato à nova vaga.

Atividades complementares

Por fim, em atividades complementares podem ser inseridas outras experiências que agreguem à imagem do candidato, como prêmios, reconhecimentos e trabalhos voluntários, que são bastante valorizados em currículos sem experiência profissional. Entre as partes do currículo, esse seria um espaço mais livre para agregar informações que enriqueçam o profissional que se apresenta.

Como melhorar o visual do currículo?

Como normalmente os currículos passam por filtragens, é muito importante que, para além do conteúdo, eles também sejam visualmente apresentáveis. "Quando o recrutador bater o olho, precisa ter uma boa impressão com o currículo, já que interage com diversos documentos do tipo ao longo do dia. Não pode ser muito poluído, com diversas fontes diferentes, mas também não deve ser dos mais simples", ressalta a consultora de carreira Camila Viotto.

Em meio a isso, Victor Jamé indica a ferramenta Canva, que conta com diversos templates de currículos para montar um documento visualmente agradável. De acordo com o consultor de marketing, o Canva tem "uma infinidade de possibilidades e oferece modelos diferentes de acordo com cada área", o que pode ajudar bastante. Como alternativa, o Estadão também preparou um material com cinco modelos de currículos para baixar.

Quais outras dicas podem ser úteis?

Por fim, algumas dicas finais para se dar bem em um processo seletivo mesmo sem experiência profissional:

Foto

De modo geral, a recomendação é não colocar foto 3x4 no currículo. Isso só deve ser feito quando a foto for expressamente solicitada pela empresa.

WhatsApp

Se o número fornecido no currículo é o do WhatsApp, uma dica fundamental é evitar fotos e frases nos status que podem causar uma má impressão no âmbito profissional. "Cada vez mais as empresas estão convocando candidatos por WhatsApp. Então, é importante se atentar a este quesito", destaca Camila Viotto, orientando também que os jovens não se comprometam tanto em perfis de redes sociais.

Tamanho e formato

O ideal é que o currículo seja conciso e tenha apenas uma página. Além disso, recomenda-se que seja salvo no formato PDF, protegendo as informações do candidato de possíveis edições.

Pretensão salarial

Já a pretensão salarial, quando solicitada, não deve estar no próprio currículo, mas no corpo do e-mail no qual, normalmente, o currículo é enviado em anexo.

E-mail

Por falar em e-mail, é importante não enviar apenas um e-mail qualquer com o currículo em anexo, mas ser minimamente cordial. Escrever um e-mail adequado pode ser fundamental para a impressão que se gera ao enviar o currículo.

Networking

O currículo é importante, mas é preciso fazer conexões profissionais para além dele. A rede indicada para isso, de acordo com Victor Jamé, é o LinkedIn, que pode ser bastante útil para fazer com que candidatos se conectem com empresas de interesse antes mesmo de enviar os currículos.

Veja também:

Eldorado Expresso: Fome no Brasil
Estadão
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