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Caso Korin mostra que vale investir em produção alternativa

Empresa produtora de frangos e ovos cresce entre 15% e 25% ao ano, impulsionada por número crescente de consumidores que buscam alimentos feitos de modo sustentável

18 abr 2014
08h00
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A Korin tem crescido entre 15% a 25% por ano, com seus frangos e ovos criados baseados na agricultura natural. O mercado está crescendo, a relação dos alimentos com a saúde ficam cada vez mais evidentes, diz o diretor industrial da empresa, Luiz Demattê
A Korin tem crescido entre 15% a 25% por ano, com seus frangos e ovos criados baseados na agricultura natural. O mercado está crescendo, a relação dos alimentos com a saúde ficam cada vez mais evidentes, diz o diretor industrial da empresa, Luiz Demattê
Foto: Divulgação

O aumento de um público consumidor atento ao modo de fabricação dos alimentos é o que tem sustentado o crescimento de uma das empresas brasileiras mais conhecidas por adotar métodos alternativos de produção, a paulista Korin. Ela vende cerca 600 toneladas de frango e 1,8 milhão de ovos por mês e fatura em torno de R$ 80 milhões por ano.

Tem registrado expansão média de 15% e 25% nos últimos anos, e há sinais de que a tendência se manterá. “O mercado está crescendo, os problemas alimentares e a relação dos alimentos com a saúde ficam cada vez mais evidentes”, afirma o diretor industrial da Korin, Luiz Demattê, em entrevista ao Terra.

Os números superlativos da empresa escondem uma origem que remonta a um sábio japonês do século 19. Foram os parâmetros de produção agrícolas de Mokiti Okada que incentivaram a Korin a criar seus produtos sem os agora muito utilizados promotores de crescimento, além de buscar uma agricultura em sintonia com (e não contra) a natureza.

Okada também fundou a Igreja Messiânica Mundial. A Korin surgiu da denominação religiosa –no começo, seus produtos eram consumidos principalmente pelos fiéis –, mas agora é um empreendimento econômico em alta, presente nas gôndolas dos principais mercados de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “Os grandes apoiadores do processo são essa massa crescente de consumidores que se conscientizam sobre as questões alimentares”, diz Demattê.

 

Como a Korin vê o mercado para produtos de qualidade diferenciada e produzido de forma mais consciente?

O mercado está crescendo, os problemas alimentares e a relação dos alimentos com a saúde ficam cada vez mais evidentes. O uso excessivo de agrotóxicos e antibióticos tem sido mais noticiado, então as pessoas buscam uma alternativa. Portanto, tem havido demanda para esse tipo de produto que são ambientalmente mais corretos, respeitam a legislação trabalhista e o bem-estar animal. Os grandes apoiadores do processo são essa massa crescente de consumidores que se conscientizam sobre as questões alimentares. Outro ponto fundamental é que vêm surgindo pesquisas e trabalhos que mostram o custo da produção convencional. Não é o preço do produto orgânico que é mais caro. Na realidade, existe um custo da produção convencional que nunca foi mensurado, nunca entrou na formação do preço do produto, pois quem paga isso é a sociedade como um todo. A degradação ambiental, por exemplo, não entra na contabilidade. A sociedade paga, mas não sai do nosso bolso na hora da gôndola do supermercado, sai na medida em que pagamos impostos que são destinados a tentar cuidar de todos esses problemas deixados para trás.

Qual era o público que comprava os produtos da Korin no começo, já que não existia ainda a preocupação com uma alimentação mais saudável quando a empresa surgiu, em 1994?

Não existia exatamente um público capaz de entender os diferenciais de nossos produtos. Foi um trabalho de convencimento que levou alguns anos para ser estabelecido. Era uma produção, no início, muito pequena. No começo, o produto escoava entre os membros da Igreja Messiânica, que tinham interesse porque eram ligados à ideia da agricultura natural. Em questão de pouco tempo, no entanto, iniciamos um trabalho comercial. Expandimos a produção, houve investimentos, e começamos a encontrar canais de comercialização, com o pessoal da área comercial fazendo um trabalho de convencimento, de falar dos diferenciais, da qualidade. Começaram, também, a surgir problemas alimentares, como, por exemplo, a vaca louca, na Europa. Isso seguramente deu motivação para que os comerciantes passassem a enxergar um produto diferenciado como uma alternativa interessante a seus clientes.

Nossa distribuição hoje é nacional, chega praticamente a todos os estados. Claro, o principal mercado consumidor é São Paulo, capital e interior, Rio de Janeiro e Brasília, mas já há algumas capitais do Nordeste.

Qual a origem do método de produção de animais da Korin?

A Korin é uma empresa baseada nos princípios da agricultura natural, que é um método desenvolvido por Mokiti Okada, um filósofo e espiritualista japonês. A Korin, como uma seguidora desses princípios, desenvolve seus processos produtivos para conseguir se organizar de acordo com o interesse de consumidores mais atentos às questões da qualidade do alimento. A empresa nasceu ligada ao movimento da agricultura natural, que chegou ao Brasil com imigrantes japoneses. O desenvolvimento filosófico se faz inicialmente pela Igreja Messiânica, que também surgiu do trabalho de Okada.

A Korin surgiu como empreendimento econômico da Igreja Messiânica?

Eu não diria que foi um empreendimento econômico. Surgiu como uma tentativa de confirmar aquilo que Mokiti Okada havia escrito e falado sobre agricultura natural. Antes da Korin, o que existia era o chamado Centro de Fomento em Agricultura Natural. Então, não é exatamente um trabalho de fundo econômico, de fundo empresarial, mas de fomento às atividades de agricultura natural. Mas, por razões de ordem tributária e fiscal, uma certa escala de produção passa a não ser mais possível, e você precisa de mecanismos para poder comercializá-la e estar inserido na estrutura fiscal e tributária do país. A Korin surgiu mais como uma consequência desse desenvolvimento do que propriamente como uma exploração comercial.

Como foi a incorporação de novos fornecedores na medida em que a produção crescia?

A produção do frango e de ovo é feita com produtores que a gente chama de integrados. É um sistema que outras empresas adotam, baseado em parcerias. Mas, no começo, a gente não conseguia ter produtores, porque eles não reconheciam a viabilidade do negócio. Havia também muitos problemas de método. Foi um grande aprendizado. Tivemos um desenvolvimento tecnológico, fizemos testes, avaliações e experimentos e chegamos ao que temos hoje. Naturalmente, os produtores também precisavam ter aproximação com as ideias da empresa. Os produtores foram entrando aos poucos. Na medida em que o processo foi crescendo, fomos captando outros produtores. Hoje, são 28.

Como é o trabalho de colocar os produtores em alinhamento com a filosofia da empresa?

Fazemos treinamentos e reuniões de caráter técnico sobre os diferenciais da Korin. Nossos funcionários visitam os produtores. Alguns deles são mais ligados à filosofia, outros, nem tanto, mas, em linhas gerais, ela perpassa todos os níveis da organização, porque faz parte do DNA da Korin, está na base da formação de toda uma rotina de trabalho.

No começo, as ideias não estavam de todo estruturadas, mas, ao longo do tempo, foram ganhando forma. Criamos, então, normas, que passaram, mais à frente, por um crivo. Fizemos uma auditoria para que se transformassem em regras auditáveis, que possam ser fiscalizadas. Somos certificados por uma entidade independente, que é acreditada por órgãos brasileiros e internacionais, a World Quality Services. Ela audita nossos principais diferenciais na produção do frango e ovos, que é o não uso de antibióticos e de promotores de crescimento e de ingredientes de origem animal, como farinhas de carne, de vísceras e de sangue. Além disso, temos uma auditoria de bem-estar animal.

Como vocês aliam crescimento com a manutenção da qualidade dos produtos?

Nosso crescimento é muito orgânico. Nós não fizemos aquisições. Não há muitas implicações ou dificuldades para manter um padrão filosófico, uma linha de trabalho. Isso é muito mais difícil quando faz aquisições, pega outra empresa que tinha outra filosofia.

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Fonte: PrimaPagina
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