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Varejo sobe em junho e volta ao nível pré-pandemia, mas termina 2º tri com perdas recordes

12 ago 2020
09h03
atualizado às 10h33
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As vendas varejistas no Brasil avançaram mais do que o esperado em junho e retornaram ao nível pré-pandemia de coronavírus, indicando que o pior pode ter ficado para trás, mas ainda assim as perdas recordes no segundo trimestre ressaltam o alto impacto das medidas de isolamento sobre a atividade econômica.

Consumidores fazem compras em São Paulo
21/12/2016
 REUTERS/Paulo Whitaker
Consumidores fazem compras em São Paulo 21/12/2016 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Em junho, as vendas apresentaram avanço de 8,0% na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

É o segundo mês seguido de alta após o recorde de 14,4% de aumento nas vendas em maio, e ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 5,4%.

"Maio e junho foram meses de recuperação depois de fundo do poço em março e abril. O comércio volta ao patamar pré-pandemia...mas não são todos os setores", afirmou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explicando que esse movimento foi puxado principalmente por material de construção, móveis e eletrodomésticos e supermercados.

"A volta ao nível pré-pandemia tem a ver com apoio do auxílio emergencial, oferta de crédito e também com o fato de adaptação de alguns setores a uma nova realidade para vendas na internet", completou.

Mas ainda assim, o segundo trimestre terminou com perdas de 7,8% sobre o primeiro, mínima recorde na série histórica ajustada, impactado pela queda de 17% em abril, pico do isolamento social. Isso soma-se ao recuo de 1,7% nos três primeiros meses do ano.

Na comparação com o mesmo mês de 2019, a alta de 0,5% surpreendeu ao contrariar a expectativa de queda de 3,45%, registrando a primeira taxa positiva após três meses de quedas nessa base de comparação.

Entretanto, na comparação anual o varejo fechou o segundo trimestre com queda histórica de 7,7%, e os seis primeiros meses do ano terminaram com queda de 3,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, no resultado semestral mais fraco desde o segundo semestre de 2016 (-5,6%).

"O pior já passou, mas ainda estamos 4,8% abaixo do pico. Estamos longe do melhor", completou Santos. "Maio e junho trouxe uma recuperação, mas é um nível de recuperação lenta como era antes da pandemia."

A atividade econômica brasileira vem dando sinais de recuperação nos últimos meses após o fechamento de lojas físicas e outros estabelecimentos por todo o país devido ao surto de coronavírus.

Entretanto, as incertezas provocadas pela pandemia em torno da economia e do trabalho e da capacidade de contenção do vírus ainda pairam sobre o país.

FARMÁCIAS E SUPERMERCADOS

No mês de junho, todas as atividades pesquisadas tiveram alta das vendas na comparação mensal, com exceção apenas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com recuo de 2,7% frente a maio.

Entre os resultados positivos, os destaques foram Livros, jornais, revistas e papelarias (+69,1%), Tecidos, vestuário e calçados (+53,2%) e Móveis e eletrodomésticos (+31%).

Já Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram alta de apenas 0,7%. Esse resultado, bem como o de artigos farmacêuticos, deve-se segundo o IBGE ao fato de essas atividades terem sido consideradas durante a pandemia e, portanto, não sofreram tanto impacto quanto as outras.

"O setor de hipermercados pesa muito no indicador. Nesse mês a participação dele foi de 50,8%. Essa variação grande e volátil das outras atividades foi contida por esse setor e segurou o índice em 8%", explicou Santos.

No varejo ampliado, o volume de vendas cresceu 12,6% em junho sobre o mês anterior, com aumento de 35,2% dos Veículos e motos, partes e peças e de 16,6% de Material de Construção.

Entre as empresas consultadas na pesquisa, 12,9% relataram impacto em suas receitas em junho das medidas de isolamento social, em um recuo ante 18,1% em maio.

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