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CORREÇÃO-Vale prevê produzir até 355 mi t de minério em 2020; investirá US$5 bi

2 dez 2019
14h55
atualizado às 17h09
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(Corrige no 5º parágrafo para guidance "de vendas", e não "vendas e produção")

Mina da Vale em Paraupebas (PA) 
29/05/2012
REUTERS/Lunae Parracho
Mina da Vale em Paraupebas (PA) 29/05/2012 REUTERS/Lunae Parracho
Foto: Reuters

Por Roberto Samora e Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) A mineradora Vale informou nesta segunda-feira que prevê produzir de 340 milhões a 355 milhões de toneladas de minério de ferro 2020, à medida que recupera parte de sua capacidade paralisada após o desastre de Brumadinho (MG), no início de 2019.

A Vale não divulgou uma previsão de produção para 2019, após o rompimento da barragem em Minas Gerais, que matou mais de 250 pessoas em janeiro. Em 2018, a companhia produziu 384,6 milhões de toneladas.

Uma meta de 400 milhões de toneladas, projetada antes do desmoronamento da barragem para 2019, só deverá ser atingida possivelmente em 2022.

"A Vale deu guidance de produção de 340-355 mi tons para 2020, e provavelmente vai vender um pouco menos do que isso para recuperar um pouco de estoques para blendagem de BRBF", comentou o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA.

Em fato relevante divulgado ao mercado nesta segunda-feira, a Vale manteve seu guidance de vendas de minério de ferro e pelotas para 2019, entre 307 milhões e 312 milhões de toneladas, ante vendas de cerca de 365,5 milhões de toneladas em 2018.

Em evento em Nova York, no chamado Vale Day, o diretor de ferrosos da mineradora, Marcelo Spinelli, disse que a companhia prevê retomar 15 milhões de toneladas de capacidade de produção de minério de ferro em 2020.

Uma capacidade adicional de 25 milhões de toneladas deverá voltar a operar em 2021, acrescentou o diretor.

Em outro fato relevante, divulgado quase que simultaneamente à fala do diretor, a companhia disse que prevê produzir entre 375 milhões e 395 milhões de toneladas de minério de ferro em 2021.

Na projeção mais pessimista, o volume de 2021 ainda pode ficar abaixo da produção da empresa realizada em 2018 --antes do desastre de Brumadinho--, que atingiu 384,6 milhões de toneladas.

Para 2022, a companhia projeta produzir entre 390 milhões e 400 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que deve se repetir em 2023.

Antes de Brumadinho, a companhia projetava 400 milhões de toneladas para 2019.

A companhia ainda divulgou projeção de investimento de 5 bilhões de dólares em 2020 e o mesmo valor de aportes para 2021, sendo uma parte menor do total em execução de projetos (900 milhões de dólares).

Isso se compara a um capex de entre 3,6 bilhões e 3,8 bilhões de dólares projetado para 2019 em apresentação divulgada no início de outubro.

DESEMBOLSOS POR BRUMADINHO

A empresa disse ainda que 75% dos desembolsos relativos a Brumadinho deverão ocorrer até 2022, colocando provisões de até 1,4 bilhão de dólares em 2020 e até 1,45 bilhão de dólares no ano seguinte, além de 500 milhões a 900 milhões em 2023.

Para 2019, a companhia estimou entre 1 bilhão e 1,1 bilhão de dólares em provisões.

Em fato relevante, a Vale informou que alterou suas projeções e desembolsos relacionados à Brumadinho, mas não detalhou o que mudou.

No primeiro semestre, a empresa reconheceu provisões de 5,65 bilhões de dólares para indenizações e doações relacionadas a Brumadinho.

A companhia citou ainda despesas de até 750 milhões de dólares por Brumadinho em 2019; até 600 milhões até 2020; até 450 milhões em 2021 e até 350 milhões em 2022.

"A empresa deu maior visibilidade em relação a evolução dos acordos de compensação/reparação por Brumadinho. Já assinaram 25 acordos, sendo 3 'framework agremeents' (com autoridades regionais) - 1,6 bilhão de dólares em indenizações e despesas incorridas em 2019", comentou o analista do Itaú BBA.

Ele também destacou que o foco operacional da empresa "é fazer com que volumes e custo-caixa voltem aos patamares anteriores ao de Brumadinho".

Em apresentação, a Vale disse que a sua competitividade em minério de ferro retornará aos patamares de 2018, com o chamado "Ebitda breakeven" estimado entre 28 a 30 dólares por tonelada nos próximos anos, ante 37 dólares por tonelada em 2019 e 28,5 dólares em 2018.

A empresa disse que o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) vai variar de 15,5 bilhões de dólares a 23,5 bilhões de dólares em 2022, dependendo de premissas como preço dos seus principais produtos e da taxa de câmbio.

As ações da empresa operavam em alta de mais de 2,5% por volta das 16h30, enquanto o Ibovespa subia 0,7%.

(Com reportagem adicional e edição de Paula Arend Laier)

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