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Turquia gera apreensão e bolsas da Europa fecham em forte queda

10 ago 2018
14h26
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As bolsas da Europa encerraram o pregão desta sexta-feira, 10, em forte baixa, acompanhando um movimento global de aversão a risco, com preocupações quanto à saúde financeira da Turquia, tendo em vista o tombo da lira turca em relação ao dólar. O cenário se agravou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que irá dobrar as tarifas sobre o aço e o alumínio da nação euro-asiática, o que intensificou a pressão vendedora de ações europeias.

Dado esse cenário, o índice pan-europeu Stoxx-600 não resistiu e fechou a sessão em queda de 1,07%, aos 385,86 pontos, com perda semanal de 0,85%. Alemanha e Itália foram as praças que lideraram o "sell-off" em solo europeu, com o índice DAX, da bolsa de Frankfurt, em queda de 1,99%, aos 12.424,35 pontos, e recuo semanal de 1,52%, e o índice FTSE-MIB, de Milão, em baixa de 2,51%, aos 21.090,78 pontos, e perda semanal de 2,30%.

Outros mercados também sofreram com a situação turca. O índice FTSE 100, da bolsa de Londres, fechou em queda de 0,97%, aos 7.667,01 pontos, embora tenha apresentado avanço semanal de 0,10%. O índice CAC 40, de Paris, recuou 1,59%, aos 5.414,68 pontos, e perda de 1,17% na semana. Na bolsa de Madri, o Ibex-35 teve queda de 1,56%, aos 9.602,10 pontos, com perda de 1,41% na semana, ao passo que, em Lisboa, o PSI-20 recuou 0,24%, aos 5.628,60 pontos, mas apresentou ganho semanal de 0,62%.

Em meio a um discurso nacionalista, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu que a população troque dólares, euros e ouro que tiverem por liras turcas "para que possamos responder de modo apropriado como uma nação". No entanto, a sinalização de Erdogan de que não haverá aumento de juros no país agravou as vendas da lira, com o presidente argumentando que o aperto nas condições monetárias traria "sofrimento" para o país.

Além de uma iminente crise cambial, com o dólar cotado a mais de 6 liras e renovando sucessivas máximas históricas, as indicações de que Erdogan pode interferir na independência do banco central preocupa investidores. Tentando acalmar os mercados, o ministro de Finanças da Turquia, Berat Albayrak, afirmou nesta sexta-feira que o governo garantirá a independência do banco central.

Mais cedo, o Banco Central Europeu (BCE) havia demonstrado preocupação com a exposição de bancos europeus à Turquia, segundo o Financial Times, em meio ao quadro inflacionário e à ausência de medidas de controle econômico por parte da autoridade monetária do país. Entre os bancos citados pelo BCE, está o italiano UniCredit, que detém participação majoritária no turco Yapi ve Kredi Bankasi, além do espanhol BBVA, que possui quase metade do Garanti Bank, e do francês BNP Paribas, que controla 72,5% do TEB, entre outras instituições do setor financeiro que têm negócios com empresas turcas.

Para especialistas do Swissquote, "os mercados estão diretamente preocupados com a exposição da Europa à Turquia". O cenário foi agravado pelo anúncio de Trump no Twitter de que vai dobrar as tarifas sobre aço e alumínio turcos em meio à intensificação das tensões turco-americanas, tendo em vista que, nos últimos dias, Washington impôs sanções a autoridades turcas. Não por acaso, o setor financeiro europeu foi o mais afetado, com o índice de bancos do Stoxx-600 perdendo 1,91% (-3,14 pontos), para 161,42 pontos.

Em Madri, os papéis do BBVA, considerado o banco europeu mais vulnerável à Turquia, despencaram 5,16%, enquanto na Itália a ação do UniCredit teve baixa de 4,73% e a do BNP Paribas recuou 2,99%.

Ao mesmo tempo, os bancos turcos declinaram na bolsa de Istambul. O Yapi ve Kredi Bankasi caiu 6,37%, enquanto o Garanti Bank recuou 6,14%. Principal índice do mercado acionário turco, o BIST 100 chegou a cair quase 9%, mas recuperou parte das perdas e encerrou as negociações em baixa de 2,31%, para 94.939,63 pontos. Também pressionado pelas tensões, o fundo de índice (ETF) iShares MSCI Turkey, maior fundo negociado em bolsa para acompanhar o mercado de ações na Turquia em Nova York, chegou a cai 21% no início dos negócios em solo americano.

Para analistas da Capital Economics, "os problemas da Turquia continuarão a se acumular diante de políticas monetárias e fiscais excessivamente frouxas". "Apesar do vago reconhecimento do ministro sobre a necessidade de políticas mais rígidas, o plano econômico de sexta-feira é desprovido de detalhes e seguiu um discurso antimercado do presidente Erdogan", destacam os especialistas da consultoria britânica.

Estadão Conteúdo

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