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Trump está pensando na eleição do ano que vem, diz economista sobre retomada de tarifas sobre o aço

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, o americano 'está dando explicações para o público interno dele' com ameaça protecionista

2 dez 2019
12h44
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O economista José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que as exportações de aço para os Estados Unidos serão afetadas, se, de fato, a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de taxar o produto se concretizar. "No fundo Trump provocou insegurança", diz Castro, já que não se sabe qual será a tarifa.

O presidente da AEB considera descabida a acusação de que os governos do Brasil e da Argentina provocaram desvalorização no câmbio, o motivo alegado por Trump para a adotar medidas protecionistas. Castro avalia que o presidente dos EUA está "arranjando motivos para dar explicações para o público interno dele, pensando na eleição do ano que vem". A seguir, trechos da entrevista.

O que significa o anúncio de Donald Trump de voltar a taxar as importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, argumentando que os dois países promoveram uma desvalorização de suas moedas?

Trump está arranjando motivos para dar explicações para o público interno dele, pensando na eleição do ano que vem. A desvalorização na Argentina não foi o governo que provocou, ao contrário: queria evitar de toda forma. Só que aconteceu por causa da gravíssima crise. No Brasil, foi uma desvalorização mais por aspectos especulativos, eventualmente causados pelo próprio Trump. Nessa guerra comercial com a China, ele fala uma série de coisas, desmente, volta. Isso gera especulação. O câmbio no Brasil é flutuante: varia de acordo com o mercado. A desvalorização nos dois países não é culpa do governo.

Mas o aço e o alumínio foram, no passado, alvo de discussões sobre taxação?

Esse assunto já tinha sido discutido. O que Trump fala hoje não significa que terá o mesmo valor amanhã. Ele fala uma coisa hoje e daqui um ano, dois anos, volta ao assunto. Ele muda os fatos de acordo com o interesse dele, tendo em vista a eleição do ano que vem.

No passado recente, quando Trump ameaçou sobretaxar o aço brasileiro, o argumento para que a tarifa não fosse imposta era de que o Brasil exportava para o país aços especiais que não eram produzidos localmente. Isso mudou?

Não existe uma parâmetro determinado. Eles mudam de acordo com o momento. O aço que o Brasil exporta para os EUA é matéria-prima para indústria americana, que beneficia o produto. O interesse dos EUA é ter matéria-prima com o menor custo. Agora o Trump já esqueceu tudo e quer voltar a taxar tudo.

Se essa decisão for tomada, poderá ter impacto nas exportações brasileiras?

Poderá, mas até agora ele falou que vai taxar, mas não em quanto. Seguramente o Itamaraty vai tentar saber o que os EUA pretendem e vai negociar. Mas quando Trump faz esse anúncio, ele cria expectativa negativa para os fornecedores. O importador americano vai ficar preocupado com a tarifa que irá pagar. Hoje ele não sabe. A expectativa é negativa.

Os EUA são um grande importador de aço brasileiro?

São. Eles têm um peso grande. No Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) basicamente exporta para os EUA. Para os produtores de aço é muito ruim, porque, no fundo Trump provocou insegurança. Quando os EUA impuseram as cotas sobre as importações sobre o aço brasileiro houve redução nas exportações para o país. Hoje vigoram cotas, mas são bem aceitáveis.

Estadão
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