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Trump ameaça tirar EUA da OMC se ela 'não melhorar'

Para deixar a Organização Mundial do Comércio, presidente teria de submeter medida ao Congresso

31 ago 2018
10h44
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GENEBRA - O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça deixar a Organização Mundial do Comércio (OMC) se a entidade não mudar. O alerta foi lançado pelo chefe da Casa Branca nesta quinta-feira, 30, em uma entrevista à agência Bloomberg News.

"Se eles não melhorarem, eu sairia da OMC", disse Trump, sem dar nenhum detalhe sobre a direção exata que gostaria de ver a entidade tomar nem quais são as regras atuais que não são satisfatórias.

As regras estabelecem que, para uma retirada, o governo americano teria de ter uma aprovação do Congresso. Mas, na prática, uma retirada americana da entidade ou a simples declaração de que ela já não contava nos cenários políticos e legais significaria um golpe inédito ao sistema multilateral do comércio.

Durante a campanha presidencial, o americano já havia feito ameaças contra a OMC, alegando que iria tomar medidas para proteger a indústria nacional e que não aceitaria a ingerência da entidade criada com o impulso americano nos anos 90.

Mas a esperança de muitos era de que elas fizessem apenas parte de uma estratégia negociadora. Em abril de 2017, a Casa Branca ordenou que fossem revistos todos os acordos comerciais existentes para avaliar se ainda valeria à pena fazer parte deles. Um deles era o acordo que criou a OMC.

Ataques. Ao longo de meses, Trump ainda atacou frontalmente a entidade, a acusando de "injusta" e "desastrosa". Ele ainda deixou claro que os EUA consideravam que estavam sendo tratados de forma "muito ruim" e a entidade liderada pelo brasileiro Roberto Azevêdo precisava "mudar seus caminhos".

Na prática, o que o governo americano já tem feito é minar qualquer possibilidade de que os tribunais internacionais da OMC possam funcionar. Nesta semana, Trump rejeitou a renovação de um dos juízes da corte suprema do comércio, o Órgão de Apelação, o que leva a entidade a contar a partir de setembro com apenas três juízes, e não mais sete.

Além disso, a Casa Branca deixou claro que quer limitar os poderes do órgão de solução de disputas, estabelecendo que as autoridades domésticas tenham a palavra final numa guerra comercial.

Estadão Conteúdo

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