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Top Picks: Desafios para construtoras persistem em 2022, apesar de alta no 4º trimestre

Setor é um dos mais prejudicados pelo cenário macroeconômico crítico, sobretudo com a alta dos juros, que encarece os financiamentos

21 jan 2022 21h10
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As construtoras com ações em Bolsa divulgaram nos últimos dias resultados preliminares referentes ao quarto trimestre do ano passado. O setor é um dos mais prejudicados pelo cenário macroeconômico crítico, sobretudo com a alta dos juros, que encarece os financiamentos, e que deve persistir nos próximos meses.

Os números, de acordo com analistas consultados pelo Estadão/Broadcast, indicaram desempenhos distintos entre as empresas. De modo geral, aquelas com empreendimentos vinculados ao Programa Casa Verde e Amarela (PCVA), voltados à baixa renda, mostraram resiliência, com resultados operacionais bons, ao passo que os negócios voltados à média renda tiveram desempenho razoável no trimestre, mas já registram desaceleração na velocidade de vendas.

O analista do Inter, Gustavo Caetano, destacou que houve também algumas surpresas positivas. Enquanto as vendas líquidas vieram em linha com as expectativas do banco, o volume de lançamentos ficou um pouco acima do esperado, o que revela o apetite das construtoras na execução do seu pipeline de empreendimentos.

Para Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, os números operacionais vieram sólidos em comparação ao histórico do setor e ficaram dentro das expectativas, sendo que as companhias focadas em segmentos de média e alta renda parecem ter sofrido menos com o aumento do custo de construção.

Ele observa que, nos últimos dois trimestres, grande parte do setor acelerou a aquisição de insumos para construção, como terrenos, diante da expectativa de reajuste de preços, a fim de garantir as margens em 2022. Sem esse fator, os resultados poderiam vir ainda melhores.

Os analistas avaliam que o cenário macroeconômico ainda é desafiador nos próximos meses, o que deve fazer com que as construtoras sejam mais cautelosas com relação aos lançamentos. Para Caetano, do Inter, as empresas devem apresentar um desempenho operacional marginalmente estável no primeiro trimestre e melhora nos demais exercícios, a depender do comportamento da curva de juros.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, afirma que a inflação e os juros altos ainda vão continuar afastando o tomador de financiamento imobiliário. Simultaneamente, o setor deve seguir penalizado pelo aumento dos preços de materiais de construção e da mão de obra. "Será um ano difícil para as empresas", prevê.

"Aquelas com diversificação geográfica, exposição a localidades com menor concorrência, boa navegabilidade entre as diferentes faixas de renda e portfólio diversificado tendem a se destacar entre as pares do setor", acrescenta Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora.

Com relação às recomendações para a próxima semana, a Ativa Investimentos substituiu duas ações em sua carteira de Top Picks. Saíram: Bradesco PN e BRF ON e entraram Minerva ON e Weg ON. Foram mantidas Ambev ON, Magazine Luíza ON e BB Seguridade ON.

O BB trocou todas as ações. Entraram Americanas SA ON, BR Malls ON, CCR ON, Localiza ON e Taesa Unit no lugar de BRF ON, Dexco ON, Hermes Pardini ON, Petrobras ON e SLC Agrícola ON.

O Daycoval fez duas modificações, com saídas de Hapvida ON e Eztec On para entradas de Equatorial ON e Suzano ON. Continuam Banco do Brasil ON, B3 ON e CSN ON.

O MyCap decidiu trocar três ações: saíram Equatorial ON, Log In ON e Banrisul PNB e entraram Lojas Renner ON, Marfrig ON e Banco ABC Brasil PN. Ficaram Dexco PN e Ânima ON.

Da carteira da Órama, saíram BRF ON, Klabin Unit e Unipar PNB e entraram Copel PNB, Taesa Unit e CCR ON. JBS ON e Petrorio ON permaneceram. A Terra retirou BR Malls ON e PetroRio ON e colocou Klabin Unit e Usiminas PNA. Ficaram B3 ON, Bradesco PN e Cyrela ON.

Estadão
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