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Top Picks: Corretoras adotam estratégia mais defensiva com avanço do coronavírus

No começo de março, aumentou a incidência de papéis de setores como saúde, serviços públicos (utilities), financeiro e Ambev, considerados mais defensivos e menos suscetíveis aos impactos do coronavírus na economia nacional e global

6 mar 2020
21h40
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As carteiras de ações recomendadas pelas corretoras já refletem o momento conturbado do mercado não só no Brasil, mas em todo o mundo. Neste começo do mês de março, aumentou a incidência de papéis de setores como saúde, serviços públicos (utilities), financeiro e Ambev, considerados mais defensivos e menos suscetíveis aos impactos do coronavírus na economia nacional e global.

A mudança mais direta nesta direção foi promovida pelo banco digital Modalmais. O analista Leandro Martins alterou toda a carteira em relação à semana passada, e dos cinco ativos, quatro são ligados ao segmento de saúde. A lista é composta por Fleury ON, Hapvida ON, Notre Dame Intermédica ON e Raia Drogasil ON. A exceção é outra ação considerada defensiva: Itaú Unibanco PN.

Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, afirma que a economia brasileira pode sofrer menos os efeitos do coronavírus, por ser mais fechada. E que os setores ligados ao sistema de saúde na Bolsa podem "andar relativamente melhor". Ele acredita que, em termos globais, países com folga fiscal terão que abrir mão de estímulos e corte de impostos para minimizar os efeitos da desaceleração.

A Mirae Asset, que também trocou toda sua carteira, reflete essa mesma tendência, mas em proporção menor. Além de manter Raia Drogasil ON, a corretora adicionou Fleury ON na carteira, composta ainda por BRF ON, Localiza ON e Magazine Luiza ON. Sobre a Fleury, o analista Pedro Galdi acredita que o aumento de casos de coronavírus no Brasil deve impulsionar a demanda por exames laboratoriais. A Raia Drogasil segue a mesma lógica, com aumento na venda de medicamentos, segundo Galdi.

A Ativa, que já tinha em sua carteira Eletrobras ON, incluiu outra ação do setor de energia elétrica, EDP Energias do Brasil ON. Também entraram essa semana Locamerica ON e PetroRio ON, e foi mantida ainda BB Seguridade ON.

Outros dois exemplos são as trocas feitas por Santander e Terra Investimentos. O primeiro tirou IRB ON de sua carteira e inseriu Engie ON. No caso da Terra, a troca foi de CVC ON por Eletrobras ON. A corretora inclusive adotou um novo modelo para elaborar suas recomendações, com maior atenção para a análise gráfica.

A Guide Investimentos trocou Minerva ON por Vale ON, por conta do preço do minério de ferro, considerado elevado pela equipe da corretora, e pelos "múltiplos extremamente baixos" da ação da mineradora. A MyCap também fez uma troca, tirando Hypera ON e inserindo Eztec ON. Mas o restante da carteira segue a tendência dos pares, composta por Ambev ON, B3 ON, Engie ON e Lojas Renner ON.

Nas carteiras que não foram alteradas ou mensais, é possível observar participação importante de ações mais defensivas. Na Planner, por exemplo, a lista tem Eletrobras ON, Engie ON, Hapvida ON e Itaú Unibanco PN. No Daycoval, Copasa ON, Itaú Unibanco PN, Odontoprev ON e Taesa Unit.

De modo geral, os analistas apontam varejo e construção civil vão sentir mais os efeitos das revisões para baixo das projeções para o PIB brasileiro neste ano. Henrique Esteter, da Guide, ressalta que até mesmo as empresas de serviços públicos (elétricas e saneamento) podem sofrer, caso haja pausa nas operações das indústrias.

Julia Monteiro, analista da MyCap, ressalta que o setor de varejo pode ter impactos não só do crescimento mais lento que o esperado, mas também "por falta de abastecimento tanto do produto final quanto de intermediários". Por outro lado, a construção civil ainda pode ser beneficiada pela queda dos juros e eventuais estímulos à economia.

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Estadão
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