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Toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem, diz Campos Neto em reunião ministerial

22 mai 2020
18h35
atualizado às 18h41
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em reunião ministerial de 22 de abril que "toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem", razão pela qual seria necessário o país trabalhar no tema da governança em projetos do Plano Pró-Brasil, para a retomada econômica.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. 27/04/2020. REUTERS/Ueslei Marcelino.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. 27/04/2020. REUTERS/Ueslei Marcelino.
Foto: Reuters

"Nós fizemos uma conversa dos bancos centrais com investidores, inclusive de infraestrutura, e o problema principal que aparece em toda conversa no Brasil, do

investidor privado, é que no passado toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem", disse Campos Neto.

"A coisa mais importante desses projetos, na minha opinião, é garantir que a governança é boa. Pro investidor privado ter certeza que ele vai estar junto com o governo, ou ele vai estar em grande parte tomando risco, às vezes o governo vai tomar um pouquinho, mas que é uma coisa que ele não precisa se preocupar na frente, com a governança", afirmou.

A reunião ministerial foi citada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro em seus apontamentos sobre suposto desejo de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. A transcrição do encontro foi liberada nesta sexta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.

Na reunião, em que vários ministros fizeram intervenções, tratando de diferentes temas, Campos Neto também ressaltou que a maneira de melhorar a governança no Brasil é "colocar agentes internacionais que fazem governança mundial".

Citando reuniões com banqueiros centrais de outros países, Campos Neto frisou que há percepção generalizada de que o mundo privado está com receio de tomar risco, por medo. Por isso, não haverá saída rápida para a crise sem que o governo assuma risco.

"E o fator medo é interessante porque, quanto mais informação você tem, mais medo você tem porque a mídia joga medo. Então, você tem hoje uma classe mais alta que tem mais medo que a classe mais baixa, exatamente porque eles têm mais acesso à informação e a informação é enviesada", disse.

Em outro momento da reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, lembrou a fala de Campos Neto e disse que, após receber o embaixador dos Estados Unidos, ele ressaltou que teria centena de bilhões de dólares para investir, mas que queria um bom ambiente de negócios.

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