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Temor de mais desidratação na reforma e NY fazem Ibovespa acelerar queda

2 out 2019
11h48
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A derrota do governo ontem no âmbito da reforma da Previdência agrega ainda mais cautela nesta quarta-feira, 2, na B3, que ontem já se combaliu aos efeitos negativos dos mercados internacionais após dados fracos da indústria norte-americana e incertezas relacionados ao Brexit. Com isso, o Ibovespa não se furta desse clima ruim. Às 11h07 caía 1,81%%, aos 102.205,50 pontos. Dos 68 ativos negociados, apenas Intermédica ON (0,83%), RaiaDrogasil ON (0,18%) subiam

Ontem, já caíra 0,66%, aos 104.053,40 pontos, diante de um ambiente desfavorável lá fora depois de renovados temores a respeito de uma desaceleração mais forte que a esperada da economia mundial, sobretudo dos Estados Unidos.

Após as palavras do líder do PSL-SP no Senado, Major Olímpio, na capital federal, o Ibovespa acelerou o ritmo de declínio. Além disso, o recuo superior a 1% das bolsas norte-americanas reforçou o pessimismo.

Major Olímpio defendeu adiar a sessão da reforma da Previdência, prevista para hoje, para evitar mais derrotas do governo. Conforme ele, ontem não faltou quórum, mas sim "ânimo" e nada mudou. "Tem clima para derrubar mais coisas na reforma, fico preocupado", ponderou.

Apesar de o texto-base da reforma previdenciária ter sido aprovado em primeiro turno ontem, o governo sofreu um revés. Em meio a pressões por mais recursos aos Estados, que tem como pano de fundo a cessão onerosa, foi derrubada a restrição ao pagamento do abono a quem ganha até R$ 1,4 mil no relatório. Sendo assim, a economia estimada em dez anos com a reforma cedeu R$ 76,4 bilhões, caindo para cerca de R$ 800 bilhões.

O mercado, diz um operador, já dá como certa a aprovação da reforma da Previdência. No entanto, se houver desidratação ainda maior, pode estressar os negócios. "Claro que num primeiro momento a notícia deve azedar os negócios na Bolsa, mas pode ser abrandada à medida que mesmo com essa redução a economia ainda ficará dentro do que se cogitava, entre R$ 1 trilhão e R$ 800 bilhões", avalia.

No entanto, os destaques da proposta da reforma da Previdência que ainda devem ser analisados pelo Senado, hoje, podem significar mais de R$ 200 bilhões adicionais em desidratação para a economia esperada com as mudanças nas aposentadorias em uma década. "No entanto, se a economia cair ainda mais, pode piorar de vez o humor local", pondera a fonte.

Hoje, nos EUA, foi informado o dado de emprego do setor privado norte-americano, que mostrou geração de 135 mil vagas em setembro, ante estimativa de 125 mil. Apesar da alta acima da esperada, houve revisão no total de postos de trabalho de agosto de 195 mil para 157 mil.

Na Europa, as bolsas recuam de forma mais acentuada, com destaque para Londres, que tem perdas em torno de 2,00%. Há pouco, em seu discurso, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não trouxe novidades. Disse que entregará uma nova proposta de Brexit para a União Europeia, mas também reiterou que a saída do país do bloco ocorrerá na data-limite de 31 de outubro.

Estadão
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