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Temer defende Lei das Estatais: 'se houver retrocesso, a cobrança virá'

Governo e Congresso avaliam mudar a legislação para permitir mudanças na Petrobras e na política de preços dos combustíveis

22 jun 2022 18h07
| atualizado às 21h54
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BRASÍLIA - O ex-presidente Michel Temer (MDB) saiu em defesa da Lei das Estatais, promulgada em seu governo e hoje sob ameaça de mudanças por parte do governo Jair Bolsonaro, com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

"Estejam certos, se houver retrocesso, a cobrança virá", afirmou o ex-presidente em nota, após afirmar que possíveis alterações na legislação não deveriam ser sequer cogitadas.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, Bolsonaro e Lira querem mudar a Lei das Estatais para afrouxar as proibições a indicações políticas na Petrobras. Com isso, pretendem ampliar a ingerência do Palácio do Planalto e alterar a política de preços para combustíveis adotada pela estatal, que tem promovido sucessivos aumentos de gasolina, diesel e gás de cozinha, com impacto na popularidade do presidente em ano eleitoral.

Na avaliação de Temer, a Lei das Estatais permitiu à Petrobras se recuperar da crise pré-falimentar que vivia antes. "O que se espera do mundo político é que aperfeiçoe continuamente a legislação e as instituições brasileiras, não que promova retrocessos. A lei que se pretende amputar significou a moralização das atividades públicas empreendidas pelas empresas estatais e um grande avanço nos costumes políticos do país", diz a nota do ex-presidente.

"As estatais prestam grandes serviços ao país e precisam ser protegidas. Por isso, as notícias a respeito das alterações me causam tristeza cívica. É com muita inquietação que peço responsabilidade, serenidade e equilíbrio às lideranças que comandam hoje os destinos do país", acrescenta o texto.

Veja a nota de Temer na íntegra:

"Instado a me posicionar sobre possíveis alterações na Lei das Estatais, promulgada em meu governo, tenho a dizer que tal iniciativa não deveria sequer ser cogitada.

O que se espera do mundo político é que aperfeiçoe continuamente a legislação e as instituições brasileiras, não que promova retrocessos.

A lei que se pretende amputar significou a moralização das atividades públicas empreendidas pelas empresas estatais e um grande avanço nos costumes políticos do país.

Teve o mérito de profissionalizar a gestão dessas empresas e, com seu novo regramento, permitiu a recuperação da Petrobras da crise pré-falimentar em menos de ano e meio.

As estatais prestam grandes serviços ao país e precisam ser protegidas. Por isso, as notícias a respeito das alterações me causam tristeza cívica.

É com muita inquietação que peço responsabilidade, serenidade e equilíbrio às lideranças que comandam hoje os destinos do país.

Mas estejam certos, se houver retrocesso, a cobrança virá!

Michel Temer"

Estadão
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