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Suspensão da alta no diesel é mal vista por área econômica

Porta-voz da Presidência da República indicou que o preço do combustível pode ficar congelado por mais tempo caso o governo precise de "mais informações" para decidir sobre o tema

13 abr 2019
11h56
atualizado em 14/4/2019 às 14h07
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BRASÍLIA - A determinação do presidente Jair Bolsonaro para que a Petrobrás suspendesse o aumento no preço do diesel foi vista como catastrófica na área econômica do governo, segundo apurou o Estadão/Broadcast. O cenário se complicou ainda mais no início da noite de ontem, quando o porta-voz da Presidência da República indicou que o preço do combustível pode ficar congelado por mais tempo caso o governo precise de "mais informações" para decidir sobre o tema.

O presidente convocou a diretoria da Petrobrás para uma reunião na próxima terça-feira (16), quando pedirá os números que embasaram a decisão da companhia de reajustar o preço do diesel em 5,7%. Mas se as explicações não forem suficientes, a decisão pode ser postergada, disse o porta-voz. O anúncio foi visto na área econômica como um sinal ruim de que a intervenção pode durar um período ainda maior.

A avaliação é de que Bolsonaro e o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, precisarão agir rápido para dar explicações e conter o estrago da medida, que pode causar danos severos à empresa e ao governo, que tem uma equipe econômica de viés liberal - ou seja, contra a intervenção em preços. O episódio deixou uma fratura exposta diante da admissão pública do presidente de que interferiu numa decisão que cabe à companhia.

Para fontes da área econômica, a atitude do presidente da República lembrou a gestão do PT "em seu pior momento" e não surpreende que o próprio líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), tenha saído em defesa dela, apesar de estar posicionado num espectro ideológico completamente oposto ao de Bolsonaro. "Acho que a Petrobrás é uma empresa nacional que deve seguir uma orientação política. Ela deve estar de acordo com a política de preços definida para o setor", disse o petista.

A ex-presidente Dilma Rousseff foi duramente criticada pela política de controle de preços dos combustíveis, que causou prejuízos bilionários à empresa pela venda de combustível abaixo do preço de importação. A medida foi adotada para "ajudar" o governo no controle da inflação.

O Ministério da Economia não quis se pronunciar oficialmente, e o ministro Paulo Guedes, que está em Washington, só falou ao fim do dia, sugerindo que não foi procurado por Bolsonaro para falar do assunto. A falta de comunicação do Palácio do Planalto com os próprios técnicos do governo para tirar dúvidas sobre o reajuste da Petrobrás também foi criticada nos bastidores, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

Auxiliares mais próximos de Guedes, no entanto, buscam distanciar a pasta da crise ao classificar a decisão de Bolsonaro como um "ponto isolado". Para essas fontes, não se trata de uma intervenção no Ministério.

Quando lançou o programa de subvenção ao preço do diesel para aplacar a greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, a equipe do ex-presidente Michel Temer também ficou na berlinda devido à intervenção na política de preços da companhia. O episódio acabou resultando na saída do então presidente da companhia, Pedro Parente, que preferiu pedir demissão a ter de aceitar alternativas alinhadas à necessidade de sobrevivência do governo.

O custo da medida acabou ficando na conta do Tesouro Nacional, justamente para atenuar a imagem de dano à Petrobrás. Mesmo assim, a ferida permaneceu, e o temor agora é de que a investida de Bolsonaro também possa deixar cicatrizes ainda mais graves para a empresa.

Nos bastidores, técnicos ainda têm dificuldade em mensurar qual será a verdadeira extensão da crise que se instalou, já que tudo depende de como ela será conduzida. O maior risco no momento é que o tema continue gerando ruído, o que deixaria o o governo e a Petrobrás sangrando por mais tempo.

Uma primeira conclusão é de que o Palácio do Planalto precisará melhorar sua comunicação, tanto dentro do governo quanto com a sociedade, já que a notícia caiu como uma bomba sobre as ações da Petrobrás. Também retorna ao debate a necessidade de abrir o mercado de refinarias no Brasil, hoje um monopólio da estatal. Fontes da área econômica observam que, com concorrentes privados no setor, a empresa ficaria menos sujeita a esse tipo de ingerência política. Do ponto de vista estratégico, a melhor decisão é dar continuidade ao movimento de privatização de refinarias já iniciado pela companhia. (Colaboraram Mariana Haubert, Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo)

Estadão
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