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Reformas não podem ficar só nas costas do Congresso, diz Maia

Presidente da Câmara cobrou maior engajamento do governo nas discussões, dentro do Parlamento, dos projetos de reforma, como a administrativa e a tributária

30 jan 2020
10h53
atualizado às 21h59
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O trabalho de condução das reformas não pode ser jogado "nas costas do Parlamento", cobrou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, minutos após o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizer que o Congresso deve dar o ritmo de andamento dos projetos.

Os dois participaram ontem de um evento do Centro de Lideranças Públicas (CLP), na capital paulista. Guedes, que fez sua apresentação logo antes do parlamentar, havia dito que cabe ao Executivo encaminhar a estrutura dos projetos. "É o Congresso que dá o ritmo. A classe política sentou no comando da economia. Não tem mais essa de superministro", disse em referência ao próprio cargo.

Chamado ao palco logo após o ministro deixar o auditório, Maia afirmou, no entanto, que a participação do governo no Parlamento é decisiva para aprovar as reformas. "Boa parte do atraso na tramitação da Previdência é responsabilidade do governo", disse o deputado. "Hoje, a relação com o presidente Jair Bolsonaro é muito boa, mas é preciso organizar a narrativa."

"Independência de Poderes não é cada um trabalhar no seu canto. Não é 'eu fiz a minha parte e agora você faz a sua'. É importante o ministro estar próximo, para mostrar à sociedade e aos parlamentares sobre a importância das reformas", disse aos jornalistas, após participar de evento em São Paulo.

Maia ressaltou que o ideal é que o Executivo governe com maioria entre os parlamentares, mas que no Brasil não tem sido assim. Ele avalia que a responsabilidade do Congresso foi "colocada à prova" durante a discussão das reformas, mas que o Parlamento recuperou protagonismo e responsabilidade sobre o Orçamento.

Ele deixou claro, no entanto, que Guedes ajudou na sua recondução à Presidência da Câmara e que a contribuição do ministro na articulação pelas reformas no Congresso seria importante. "O ministro tem o dom da palavra, ele é muito bom no convencimento e seria muito bom estar com a gente nesse processo de reformas."

Passos seguintes

O ano dos parlamentares vai começar movimentado, com a expectativa de discussão da reforma tributária e da reforma administrativa, que irá propor, entre outros tópicos, novas regras de contratação de servidores, mudanças no número de carreiras e no cálculo de remuneração. 

Questionado sobre o tema, Maia também disse que as mudanças nas regras de contratação e de avanço na carreira dos servidores públicos também é prioridade dos parlamentares e que eles estão aguardando o envio da proposta pelo governo. "Quando chegar, vamos dar prioridade ao assunto", disse.

Para o presidente da Câmara, a vontade de reformar o serviço público está em linha com as demandas atuais da sociedade, por maior eficiência. "Uma pesquisa recente aponta que o Brasil não é contra o Estado, ele é contra este Estado que temos hoje", afirmou. Ele também disse acreditar que as eleições municipais, em outubro deste ano, não devem atrapalhar o andamento das propostas.

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Estadão
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