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Reforma da Previdência é positiva, mas insuficiente para crescimento econômico, diz Sinduscon-SP

A avaliação é do vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Eduardo Zaidan

11 jul 2019
15h53
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SÃO PAULO - Embora o encaminhamento da reforma da Previdência seja um ponto positivo para o reequilíbrio das contas públicas, essa medida, sozinha, não terá o poder de desatar o nó que atrapalha a retomada do crescimento econômico do País e, especialmente, da construção civil.

A avaliação é do vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan.

"O encaminhamento da reforma foi um passo importante para demonstrar que a sociedade brasileira se preocupa com o ajuste da situação fiscal do País", observa. "É muito positivo. Mas ainda é insuficiente para retomar o crescimento", ponderou.

Na sua avaliação, o Brasil continuará carente de investimentos públicos e privados capazes de impulsionar a economia nacional a menos que outras reformas sejam encaminhadas, como a tributária. "A economia é desfuncional como um todo e precisa de outros ajustes", avaliou.

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em todo o País deve crescer apenas 0,5% em 2019, e não mais 2,0%, conforme a projeção revisada no mês passado pelo Sinduscon-SP em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O corte nas projeções do setor acompanhou o esfriamento das expectativas para o PIB nacional. Com isso, a quantidade de vagas de emprego a serem geradas no setor da construção neste ano deve ficar em 25 mil postos, e não mais 100 mil como previstos inicialmente.

"O PIB do ano já está dado. Dificilmente o PIB da construção terá uma melhora relevante antes do segundo semestre de 2020. A retomada só deve vir no médio prazo", estimou Zaidan.

Ele explicou que o desempenho ruim do PIB da construção civil reflete o "deserto" de obras de infraestrutura no País em função da falta de investimentos públicos. "Os governos mal conseguem fazer a manutenção de pontes e rodovias, quanto mais investir em novos projetos."

Outro problema, na sua avaliação, é o nível elevado de capacidade ociosa de vários segmentos da indústria, além da atividade ainda baixa do varejo. "Enquanto não vermos o reaquecimento desses segmentos, não teremos obras de expansão", disse.

Já no segmento de edificações residenciais e comerciais, há uma expectativa mais positiva, uma vez que o aumento dos lançamentos e das vendas de imóveis demandará a abertura de canteiros de obras no curto a médio prazo. "Isso deve ajudar", afirmou Zaidan.

Estadão
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