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Questão racial passa por transformações

Companhias têm de mudar paradigmas e conceitos antigos para começar a implantar política de diversidade racial

3 jul 2022 - 05h10
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Não sem obstáculos, exemplos como o da Magalu viraram uma referência para as corporações que pretendem aumentar a diversidade racial em seus quadros de funcionários. Uma das lições que fica é que não existe respeito às práticas em ESG em geral se, antes de mais nada, os próprios paradigmas internos das empresas não passarem por uma revolução.

"No começo tivemos uma dificuldade até de arrumar candidatos. Precisamos falar algo como: "Essas vagas são para vocês sim", afirmou Ana Luiza Herzog, gerente de Reputação e Sustentabilidade de uma das gigantes do setor de varejo do Brasil. "Não é uma, não são duas ações que vão resolver a questão. É preciso continuar pensando lá na frente", afirmou Ana Luiza no Summit ESG do Estadão.

Quando abriu o programa de trainees exclusivamente para candidatos negros, a empresa tinha um diagnóstico preciso do que precisava mudar. Em 2019, quando houve a introdução de uma política de diversidade no grupo, 53% dos contratados se autodeclararam negros e 16% estavam em cargos de liderança. Dois anos depois, enquanto o número de negros se mantém estável, 42% passaram a ocupar cargos de liderança.

Empresas como a Ambev também tentam seguir na mesma linha. O objetivo, atualmente, é gerar uma mudança interna significativa para aumentar, entre outras metas, o número de pessoas negras em cargos de liderança, que está na faixa dos 30%, ou em 5% no cargo de alta liderança. Na empresa toda, que tem por volta de 30 mil funcionários, metade é negra.

"Temos 13 objetivos bem definidos para fazer essa mudança, inclusive com a colaboração de um comitê externo, formado por pessoas notáveis. Todos os nossos avanços serão anunciados publicamente", afirmou Carla Crippa, vice-presidente de Impacto Positivo e Relações Corporativas da Ambev.

Comitê

O grupo criado em junho de 2020 com especialistas externos relacionados à pauta racial é composto por Adriana Barbosa, idealizadora do Festival Feira Preta, Liliane Rocha, fundadora da Gestão Kairós, empresa focada em diversidade e sustentabilidade, Ítala Herta, cofundadora do Vale do Dendê, aceleradora do nordeste com foco em diversidade e o professor Helio Santos, mestre em administração e diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Diversidade. "Temos que ser um agente transformador", afirmou a executiva da Ambev.

Apesar dos entraves - e o próprio programa da Magalu sofreu com críticas, a "tempestade perfeita" que se vivencia vai impedir que o assunto sofra retrocessos, segundo Ricardo Assumpção, especialista em liderança Sustentável e CEO da Grape ESG. "Existe até um choque de geração que precisa ser enfrentado", afirmou o consultor.

Segundo Assumpção, está claro que "estratégias de diversidade criam valor para o negócio". "Temos clientes que são os maiores contratantes da cidade onde eles atuam. O poder deles, por exemplo, na questão da diversidade, é muito grande", explicou o consultor no Summit ESG.

Estadão
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