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Produção industrial no Brasil inicia ano com maior queda em 4 meses em janeiro

13 mar 2019
09h02
atualizado às 10h02
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A indústria do Brasil iniciou o ano com fraqueza generalizada na produção de janeiro e o pior resultado em quatro meses, com destaque para as perdas de investimentos.

Trabalhadores em linha de produção de fábrica em São Bernardo do Campo 
09/12/2013
REUTERS/Paulo Whitaker
Trabalhadores em linha de produção de fábrica em São Bernardo do Campo 09/12/2013 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

A produção industrial registrou queda de 0,8 por cento em janeiro na comparação com o mês anterior, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a leitura mais fraca desde setembro do ano passado, quando a produção contraiu 1,9 por cento, e anula o ganho de 0,2 por cento registrado em dezembro.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,6 por cento, pior taxa para o mês de janeiro desde 2016 (-13,4 por cento).

Ambos os resultados foram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de quedas de 0,1 por cento na variação mensal e de 1,2 por cento na base anual.

"Apesar da mudança de governo, nada mudou para indústria. As expectativas dos empresários até melhoraram, mas isso na prática não se realizou ainda para a indústria", disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.

"A indústria começa 2019 praticamente inalterada em relação ao quadro de 2018", explicou. "A crise na Argentina, o mercado de trabalho com quase 13 milhões de desempregados e uma confiança que ainda não se concretizou explicam esse quadro da indústria brasileira."

Em 2018, a atividade industrial perdeu força ao longo de um ano marcado por incertezas em torno da eleição presidencial, greve de caminhoneiros e recuperação lenta do mercado de trabalho, além de uma crise na Argentina.

A indústria registrou contração no quarto trimestre de 0,3 por cento sobre os três meses anteriores, pesando sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no período -- a economia teve expansão de apenas 0,1 por cento sobre o terceiro trimestre.

No acumulado do ano, entretanto, a indústria mostrou avanço de 0,6 por cento, enquanto o PIB fechou 2018 com expansão de 1,1 por cento sobre o ano anterior.

Entre as categorias econômicas, o destaque em janeiro foi a contração de 3,0 por cento na produção de Bens de Capital, uma medida de investimento, sobre o mês anterior, no terceiro resultado negativo seguido.

Bens Intermediários tiveram queda de 0,1 por cento enquanto Bens de Consumo retraíram 0,3 por cento na comparação mensal.

Os dados do IBGE também mostraram que, entre os ramos pesquisados, 13 dos 26 apresentaram perdas. A maior influência negativa coube a produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 10,3 por cento.

Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa dos economistas para a indústria neste ano é de uma expansão de 2,80 por cento, acelerando a 3,00 por cento em 2020.

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