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Previdência e corte de juros ajudam, mas europeus seguem céticos com o Brasil

Segundo especialista, parte da desconfiança se deve a disputas internas no governo de Jair Bolsonaro

11 jul 2019
16h11
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LONDRES - A aprovação da reforma da Previdência pela Câmara, na noite passada, e a perspectiva de corte de juros no Brasil farão com que os investidores europeus voltem a olhar para o País, mas eles ainda continuam céticos em relação às perspectivas domésticas. A avaliação foi feita ao Estadão/Broadcast pelo conselheiro econômico Peter West, da gestora de investimentos baseada em Londres EM Funding.

Parte desse ceticismo, de acordo com o especialista, se dá por causa das disputas internas no governo de Jair Bolsonaro. "No entanto, com um progresso concreto agora ocorrendo em uma reforma tão significativa como a da Previdência, os investidores provavelmente terão que se sentar e tomar conhecimento do que ocorre com o Brasil, adotando uma postura mais positiva", salientou. O projeto da Previdência precisa ser avaliado em segundo turno pela Câmara, o que pode ocorre já nesta semana, e também pelo Senado, o que deve ficar para a volta do recesso do Legislativo.

Um momento que deve fazer com que realmente o foco se volte para o Brasil, conforme West, será quando o Banco Central doméstico iniciar um novo ciclo de redução de juros, o que já pode ocorrer na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O encontro da diretoria colegiada está marcado para ocorrer no final deste mês e é grande a expectativa do mercado por uma redução das taxas, principalmente após a sinalização dada ontem pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), Jerome Powell, de que também entrará ainda este mês em um ciclo de afrouxamento monetário para impulsionar a economia local.

"No entanto, os investidores europeus e outros investidores estrangeiros provavelmente não ficarão realmente entusiasmados com as perspectivas para o mercado acionário brasileiro até que eles vejam sinais claros de recuperação na dinâmica da atividade econômica", considerou o representante da EM Funding.

A aceleração do crescimento, segundo West, dependerá não apenas da conclusão da reforma previdenciária, mas também da materialização dos cortes de tarifas e do avanço de outros componentes considerados chave da agenda econômica do governo, incluindo a reforma tributária, as privatizações e a liberalização do mercado de energia. Esta semana, o governador de São Paulo, João Doria, esteve em Londres para fazer um roadshow de projetos do Estado que serão desestatizados, com concessões e privatizações, principalmente na área de infraestrutura e agronegócio.

Estadão
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